16/11/2021
Ano 24
Semana 1.248







Gastronomia em volta ao mundo

Espanha


DANDO SOPA NO CALOR

 


 
Ângelo Pignataro

O calor vem chegando e já se estabeleceu em algumas regiões brasileiras. Nessas épocas nada melhor que se alimentar com pratos leves e refrescantes. E que tal uma sopa? Sopa??? Calma. Temos sopas frias também, como a vichiçoise, o borsht e o gazpacho, ou gaspacho, prato típico espanhol.

A receita apresentada é tradução livre de texto do livro “La Cocina Española Antigua y Moderna”, da Condessa de Pardo Bazán, um “recuerdo” da visita ao país no último mês do século passado:

“Coloque em um pilão sal, um pimentão verde, dois bons tomates (o refinamento consiste em retirar as sementes) e enquanto ao alho basta e sobra esfregar um dente nas paredes do pilão. Estando tudo bem socado juntar um pedaço grande de pão molhado com água e espremido, continue socando até formar uma pasta e junte aos poucos meia xícara de azeite extravirgem; na sopeira coloque água e vinagre e a pasta de tomates peneirada. Ao servir, pode-se colocar pequenos pedaços de pão. Esta preparação não leva mais que vinte minutos por mais perfeccionista seja o cozinheiro.”       D. Emília Pardo Bazan.

Sejamos práticos substituindo o pilão por um liquidificador e quanto à medida de água e vinagre vai depender do seu gosto, sopa mais densa ou mais rala. Pessoalmente prefiro um tanto densa e gelada, com croutons em vez dos pequenos pedaços de pão como reza a receita e ainda cubinhos de pepino, sem a casca e as sementes.

A sopa é uma das preparações mais antigas e universais, milhares de variações são encontradas até numa mesma região. São completas e medicinais segundo nossas avós.

A palavra sopa tem a sua origem semântica no sânscrito sû = bem e pô = alimentar, ou seja, sopa significa “bem alimentar”. Outras vertentes apontam que a palavra, criada na idade média, deriva do germânico arcaico suppa “pedaço de pão embebido em um líquido”. O dicionário Aurélio assume essa segunda explicação e define sopa como “caldo com carne, legumes, massas ou outra substância sólida, servido normalmente como primeiro prato do jantar”.

Então, segundo tal dicionário, no interior de Minas suppa seria o nosso “pão moiado” que é quando o freguês, por preferência ou por não ter no momento dinheiro suficiente para o sanduiche de pão com carne cozida, se contenta com pão embebido no molho da carne. Já ouvi esse diálogo engraçado num balcão de bar:

- Tem pão moiado?

- Antão racha e brea.

Ângelo Piganataro, designer e especializado em Museologia,
é um dos fundadores do Festival Gastronômico de Tiradentes.


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Direção e Editoria
Irene Serra