Obesidade e Acupuntura
Dra. Rosangela
F. de Sousa
A obesidade é um tema universal e um dos problemas de mais
difícil solução da Medicina Moderna. Enquanto a ingestão insuficiente de
alimentos provoca a morte por subnutrição de milhares de pessoas nos países
subdesenvolvidos, nos países industrializados ou em desenvolvimento, outras
tantas pessoas comem demais, praticando pouco ou nenhum exercício, correndo o
risco de morrerem precocemente por enfermidades provocadas direta ou
indiretamente pela obesidade.
Estudos realizados na Alemanha, constataram
que, quando o excesso de peso de uma pessoa ultrapassa 10%, o seu período de
vida é reduzido em 18% e quando esse excesso supera os 30%, o tempo de vida
diminui drasticamente para 50%. É preciso ressaltar que nem todo excesso de peso
é sinal de obesidade, assim, deve-se distinguir a corpulência (aumento de peso
devido a um grande desenvolvimento de músculos e do esqueleto) e o edema
(excesso de peso pela acumulação anormal de água nos espaços intercelulares).
A obesidade consiste então em um incremento do depósito de gordura, que se
traduz pelo excesso de peso. A obesidade é o resultado de um balanço positivo de
energia. Não há como acumular energia no corpo, se não ocorrer uma ingestão
excessiva de nutrientes ricos em energia (gorduras e proteínas), que suprem em
excesso o gasto do organismo humano. A obesidade é o protótipo da nutrição
inadequada na vida moderna. Recentemente foram realizadas pesquisas em diversos
países da Europa e da América, onde ficou demonstrado, claramente, que quase
metade das mulheres e um terço dos homens são obesos.
CAUSAS E ORIGENS
A causa imediata da obesidade é a ingestão excessiva de energia, ainda que
sobre este fato incidam múltiplas causas endógenas (genéticas, endócrinas,
neurológicas e metabólicas) e exógenas (psicológicas, sociais e culturais). Há
tempo se fala em uma tendência hereditária, de uma "disposição natural do
indivíduo” como a primeira causa da obesidade. Até o presente momento não se
comprovou o fator genético, como causa predominante nos males da obesidade. As
glândulas endócrinas têm sido culpadas, com excessiva frequência , como
responsáveis pela obesidade, enquanto só têm um parte na culpa da má
distribuição e organização da gordura corporal.
A obesidade pode
acompanhar certos problemas endócrinos, mas a maioria dos obesos não apresentam
transtornos endócrinos que justifiquem seu excesso de peso. Certa habilidade
para se desprender do excesso de energia ingerido acima de suas necessidades,
constituiria o único mecanismo capaz de explicar como alguns comilões permanecem
magros, enquanto problemas em lidar com esse excesso sacrificam pessoas gordas
que dizem comer pouco. O metabolismo básico do obeso apenas difere do que
apresenta o sujeito não obeso.
UMA CAUSA DE DOENÇAS
Para qualquer
pessoa comer é um prazer. Para outras, a comida pode converter-se num refúgio
para "compensação". A obesidade pode provocar estresse emocional, que conduz o
indivíduo a comer em excesso. Igualmente, pode surgir como defesa ou única fonte
substitutiva de prazer em situações intoleráveis da vida. Nesse caso, se fala de
uma "polifogia compensadora" de ideias sociais, profissionais ou sexuais não
alcançados. Um bom exemplo é o da obesidade de certas donas de casa que,
realizando seus afazeres, não encontram uma satisfação que as reconfortem
plenamente. Apesar de tudo, a obesidade não é uma doença propriamente dita, mas
sim uma causa de muitas. Entre as doenças mais comuns causadas pela obesidade
estão: arteriosclerose, envelhecimento precoce, celulite, infarto do miocárdio,
hipertensão arterial, distúrbios de ordem emocional, etc.
DIETAS
Apesar dos grandes males causados pela obesidade, deve-se tomar muito cuidado
com as “drogas" que são usadas como moderadores de apetite e para outros fins,
as quais podem resultar em danos bem maiores que a própria obesidade, muitas
vezes levando a casos irreversíveis. Existem muitas dietas, algumas com ótimos
resultados e sem necessidade do uso de "drogas", outras baseiam-se na ingestão
de compostos, que levam o paciente a problemas graves, tais como: a
desidratação, desnutrição, dependência física e psíquica, insônia, nervosismo,
irritabilidade, tonturas, cansaços, entre outros.
A ACUPUNTURA E O
TRATAMENTO DA OBESIDADE
Um dos métodos naturais para emagrecimento é a
Acupuntura, que não prevê o uso de medicamento e é de eficácia comprovada. A
Acupuntura atua procurando restabelecer o equilíbrio perfeito das correntes
elétricas do organismo. Esta técnica começou há mais de 5 mil anos na China, e
hoje está muito desenvolvida, até com a utilização de equipamentos eletrônicos.
Devido à sua grande eficácia, a Acupuntura propagou-se em vários países, entre
eles a Itália, Espanha, Inglaterra, EUA, URSS, Japão, Coreia, França e China.
A Acupuntura tem duas estratégias básicas para auxiliar na perda de peso. O
método de tratamento mais tradicional consiste em considerar a obesidade como
uma consequência de maus hábitos alimentares, podendo ser comparado ao
tabagismo. Esse método utiliza a Aurículopuntura. O tratamento de obesidade pela
Aurículopuntura, consiste em implantar agulhas auriculares convencionais, presas
com fita adesiva específica, que são trocadas semanalmente (o ideal é serem
trocadas a cada 4 dias). Alternativamente, podemos aplicar agulhas removíveis,
utilizando como auxiliar no tratamento a acupressão, que consiste na aplicação
de pequenas bolinhas metálicas ou sementes, fixas por fita adesiva no pavilhão
auricular. O método alternativo utiliza um conjunto de pontos do corpo,
escolhidos criteriosamente, de acordo com as necessidades terapêuticas do
paciente. O tratamento consiste na aplicação de agulhas removíveis em pontos
específicos do corpo, de acordo com as necessidade individuais. Após essa
terapia, pode ser utilizada como complemento terapêutico, a moa.
Esses
tratamentos devem ser realizados uma ou duas vezes por semana, de acordo com a
evolução da terapia. Pessoas com tendência à obesidade podem experimentar um
aumento de peso após o encerramento do tratamento com Acupuntura, devido aos
seus hábitos alimentares incorretos, havendo grande chance de retornar à
condição de peso inicial. Assim, todo paciente deve rever completamente seu
estilo de vida, seus hábitos alimentares, a retomada à prática de exercícios
físicos, prevendo ainda, a repetição do tratamento algumas vezes no ano.
Colaboração da Dra. Rosangela Fernandes de Sousa
CREFITO-4542/F