Dr. Renzo Sansoni

Nós
todos temos sido omissos num assunto tão importante para os pais e
crianças: o uso de injeção na população infantil.
Criança não é
adulto em miniatura; a maioria de nossos erros para com as crianças
começa pelo desconhecimento deste princípio elementar. A injeção sempre
é apresentada à criança como castigo, punição, algo tenebroso e
sobrenatural. Em qualquer erros dos infantes lá estão os pais, avós,
tios e padrinhos com a infeliz frase: vamos dar injeção nele ou nela
para que aprendam a fazer coisa certa. Nada mais dantesco, nada mais
cruel e nada mais prejudicial à formação sadia dos pequeninos.
Tudo revelador de uma cultura de punição, tirania e medievalismo; fruto
de trevas remotas, entulho que necessita ser removido, certificado de
uma época que não deve voltar jamais.
A expressão de horror nos
olhos das crianças quando chegam ao consultório médico ou odontológico é
de conhecimento de todos. E a primeira providência dos familiares para
acalmar a criança é a história da injeção: se não deixar o doutor
examinar, vai tomar injeção com agulha bem grossa e dolorosa, certo? E
aí, na verdade, é uma agulhada na mente da criança, gerando um trauma de
consequências muito desastrosas para o resto da vida daquele ser. Um
horror que se forma na alma pediátrica e que vai se repetir em situações
de risco de vida; e quantas pessoas não morreram por medo de tomar
injeção! E quantas pessoas não estão mutiladas por medo de injeção! E
onde está a causa desse medo? Sem dúvida, na infância. Sem dúvida, nesta
cultura de punição e de tortura; pequeno detalhe que está passando pelo
tempo, sem que se tome atitude inteligente e de bom senso.
Evidentemente que a injeção de medicamentos no ser humano é uma das mais
valiosas conquistas da ciência médica, seja por via muscular ou
endovenosa. Recurso miraculoso e, por vezes, inacreditável, dada a sua
eficiência e previsibilidade. Quantos milhões de vidas humanas foram
salvas por causa de uma injeção! Seguramente não existe nenhuma família
neste mundo que não tenha sido beneficiada por algum tipo de injeção.
Nem que seja de ânimo, não é mesmo?
Recurso doloroso,
incomodativo, exige sacrifício, ritual, etc... mas que vem em beneficio
do ser humano. Chateia muito, mas resolve e ajuda e cura. Só por isto já
se justifica encarar esta questão com mais seriedade e menos ignorância.
Fica este alerta para atiçar pruridos e cócegas em todos os leitores: o
assunto é tão importante e, por isto mesmo, tão negligenciado! Conflitos
de saúde necessitam do imenso apoio de todos que tem compromisso de
gente grande para com as crianças.
Dr. Renzo Sansoni é médico oftalmologista,
Uberlândia/MG.