16/07/2026
Ano 29 - Nº 1.515

 

Arquivo
Pedro Franco











Beco das garrafas

Não é comum ruas terem apelidos e eis que a Rua Duvivier ganha um, Beco das Garrafas. Título merecido e dos apartamentos choviam garrafas, que visavam calar os que pediam chaves às moças dadivosas da rua, para que pudessem subir aos apartamentos para... – Joga a chave, meu amor! Só que, os que querem dormir, o joga a chave acordavam e tentavam calar os fregueses da luxúria com garrafas atiradas. Ficou o apelido, mas não chovem mais garrafas. Amigo, que a frequentou, disse que o tal de joga a chave meu amor é fictício. Garrafas eram jogadas, porque os boêmios, frequentadores dos bares, ao saírem e já com boa calibragem alcoólica, faziam muito barulho e garrafas eram jogadas, para afugentá-los. Mas prefiro a versão joga chave, meu amor, parece-me mais carioca. Nesta rua histórica ainda há bares e com boa música. No Beco, Elis Regina começou no Little Club, e este fato já marca a rua. Se a memória não falha, a Pimentinha começou no Botles. E só este início de carreira dignifica a rua, onde a música continua e já várias vezes, em sábados, estive lá e logo afirmo que não fui pedir chaves, o que seria ridículo com meus 91 anos. Seria lamentavelmente ridículo. E por que vou à rua Duvivier, que não mais é Beco das Garrafas? Vou, ocasionalmente, ver a Trupe Limousine tocar lá. Se não conhece a Trupe e gosta de música e boa, precisa ir ao Beco. Vai fazer propaganda aqui? Vou e os que forem ouvir a Trupe Limousine tocar, aos sábados, uma vez por mês, agradecerão, se gostam de boa música e até Mestre Artur da Távola elogiosamente comentou a banda e AT entendia de música. Elogiei a trupe, mas vou logo reclamar. Nunca mais tocou “Porque hoje é sexta-feira” de Hélio Tavares (alma da Trupe), ou Metades (do saudoso Atila Santos e Diniz Franco – de quem sou pai orgulhoso, do cardiologista, que foi meu aluno, ótimo guitarrista e é dos fundadores da banda, com Hélio Tavares, meu amigo Helinho. Vou dar uma de paizão e para fechar crônica – Trupe Limouxine e a música – “While my guitar gently weeps”, George Harrison, com a Trupe Limousine, solo de Diniz Franco. Vou repetir que a alma da Trupe é meu amigo Helinho. Atual composição da Trupe: guitarras Helio Tavares e Diniz Franco, voz e de ouro Henrique Tavares, nos teclados, importado do Jardim da Europa a beira mar plantado. José Nátário (Zen), que vivificou a Trupe, Como o gajo toca bem e como sabe fazer amizades. Já o tivemos no Natal no Grajaú e foi honra. Na cozinha, um dos pontos altos da Trupe. No caso, cozinha é pouco, na sala de visita, Cadu Lopes. E a última aquisição da Trupe, meu querido primo Lúcio Kropf, que trocou a guitarra pelo baixo, para enriquecer a Trupe Não se pode falar na Trupe sem mencionar o saudoso Atila Santos, baterista e fundador da Trupe. Ele e a saudade que deixou, representam os que passaram pela Trupe e seguiram outros caminhos. Saudades eternas, amigo Atila.

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Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral.

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