16/05/2026
Ano 29 - Nº 1.507

 

Arquivo
Pedro Franco











A Soberba - I

Eis que Billy Blanco envereda pelo filão Soberba e com méritos. “A banca do distinto”. Antes da letra esperta e que merecia ser cantada, feito hino, nos pátios escolares, se é que ainda ocorrem estas homenagens, podem indagar, se gosto de hinos? De alguns e cito o Hino da Marinha, que fala no cisne branco em noite de lua. Eis a letra da “banca” do Brasil, de letra algo aparatosa, é vibrante e não faz feio, ao ser cantado especialmente em jogos esportivos. Guerreiro e vibrante é Marselhesa e há hinos soníferos e seria desconforto citá-los, já que expressam usualmente a história de um País. E vamos à música, cujo autor é citado na primeira linha do ensaio e vem em ritmo de samba. “Não fala com pobre/ Não dá mão a preto/ Não carrega embrulho/ Pra que tanta pose, doutor?/ Pra que esse orgulho?/ A bruxa que é cega/ esbarra na gente/ A vida estanca,/ O enfarto te pega, doutor/ Acaba essa banca. A vaidade é assim,/ põe o tonto no alto retira a escada/ Fica por perto esperando sentada Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão/ Mais alto o coqueiro, maior/é o tombo do tonto// Afinal todo mundo é igual quando o tombo termina/ Com terra em cima e na horizontal/ Não fala com pobre/ Não dá mão a preto/ Não carrega embrulho/ Pra que tanta pose, doutor?/ Pra que esse orgulho? /A bruxa que é cega,/ esbarra na gente// A vida estanca / Trombose te pega, doutor./ Acaba essa banca. /A vaidade é assim, põe o tonto no alto retira a escada/ Fica por perto esperando sentada/ Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco/ Afinal todo mundo é igual/ quando o tombo termina/ Com terra em cima e na horizontal.”
Muitos cantaram a Banca do Distinto e gostei quando Elis Regina a levou à gravação. E no tempo em que a letra foi composta, ainda não havia a cremação de corpos e nem por esta razão a letra perdeu seu recado, muito bom recado, que cabe bem no tema do ensaio, soberba. P´ra que tanta banca, Doutor, P`ra que este orgulho. Palmas e mais palmas.

(continua)


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Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral.

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