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Não troquemos de mal |
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E
acordei pensando em trecho da música, que serve de título à crônica. Não sei
toda a letra e fui vê-la, que pela gravação é de 1974. Não tenho certeza e nem
posso ter, visto que em relação à MPB existe o erro de colocar qualquer dado
não confirmado, vide intérpretes colocados como autores de músicas. Exemplo,
“Não troquemos de mal”. Embaixo do título encontrei em site do Google, Newton
Teixeira. Tudo bem, cantou este “fox” brasileiro de forma correta, só que os
verdadeiros autores são Jota Faraj e R. Brito. Fui ver o segundo autor, porque
o primeiro é um de meus poetas populares musicais preferidos, conhecia sua
discografia e basta lembrar a letra da “A deusa da minha rua”, aquela que tem
“os olhos onde a lua, costuma se embriagar”, ou em “Professora”. Faraj vem de
“louco de amor no seu rastro, vagalume atrás de um astro, atrás dela eu tomo o
trem e no trem das professoras, onde há outras sedutoras, eu não vejo mais
ninguém”, para ver o ótimo poeta, que é. Não gosta deste tipo de poesia? Tudo
bem, só que eu gosto e gosto se discute e sem brigas. E ficamos no não
troquemos de mal. Seria bom, que se possa acabar romance, sem trocar de mal.
Acabou, tudo bem e vamos em frente! E quem foi chutado e o por que foi
chutado? Como dor de amor dói. Senti e por ano e meio e, graças aos fados,
apesar de termos trocado de mal, o destino deu jeito, oh graças ao jeito e
ficamos juntos por 66 anos e a separação se deu independente da minha vontade,
ou da dela. Por nós faríamos 100 anos juntos e parceiros e até pela
eternidade, se pudéssemos. E durante ano e meio, vendo, mas sem falar. Tolos,
tínhamos trocado de mal. E pareceria que aquele amor terminara de um modo tão
banal. Na frente da Igreja dos Capuchinhos e de fato o rompimento fora banal e
parecia eterno. Não quero mais namorar você. E graças aos céus, a lua, ao sol,
nosso amor, ainda que com minhas lágrimas, não terminou de forma banal. Nossos
bisnetos estão aí de prova. Enfim, se forem espertos e o destino quiser,
trocarão de mal e depois, ainda que houvesse um louco de amor no seu rastro, a
deusa da minha rua, colocou-me os olhos e fizemos 66 anos de ventura. E aí...
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pdaf35@gmail.com
Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO. 634
prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina,
105 publicações. E bisavô. contista, cronista, autor teatral
Conheça um pouco mais de Pedro Franco
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Direção e editoria Irene
Serra

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