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CASAMENTOS E DESCASAMENTOS |
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Se fui casado? Fui e tive um casamento muito feliz e interrompido por perda.
Paro na perda e fico na minha viuvez. Se foi bom, ótimo, então entende de
casamento e pode dar conselhos. Não aceito que, se conselho fosse bom, não se
dava, vendia-se. E tendo casamento feliz e por muitos anos, 66, devo ter
muitos conselhos a dar. E não tenho. Pitacos apenas e sem maiores alardes. Se
não se amarem, não tenham filhos. Casamento por interesses vai ser navio
afundado. Se foi ao pode ser, é porque que talvez o navio não flutue. Na vida
há flutuações inesperadas e barco a pique, que parecia vencer procelas e
continuar firme, intimorato, foi ao fundo. Incongruências do existir. E vamos
aos pitacos. Não espere no casamento princesa, ou príncipe. Ou só virtudes e
bom gênio. Haverá dias enfarruscados. Se havia não a dizer em dia
enfarruscado, se for esperto, deixe o barco correr e converse em dia ameno,
brisa fresca, então volte ao assunto e aí diga o não e com moderação. Assunto
este que até já pode ter sido resolvido e sem blá blá blá. Se a mulher estiver
menstruada, mais cuidado nestes dias. Se seu clube de futebol perder, que ela
seja mais compassiva e nada de gozação. Famílias interferem em casamentos?
Procure não se imiscuir em casamento alheio e se filho estiver casado, nada de
pôr pingo nos is com nora. Idem filha e com genro. Uma espécie de quem pariu
Mateus, que o embale. Se for possível, tenda na moita para o lado do não
parente. Contra ele nunca, a não ser que o casório já tenha adentrado ao
brejo. Aí apoie o seu e com determinação, ainda que deixando vasa para
possível reconciliação. Se houver neto no embate, aí então muito cuidado com a
língua, com comentários, mesmo que sejam gloriosos e verdadeiros. Recomendo
lavar mãos, imitar Pilatos. Menos, menos, não penso em mãos limpas e sim no
rebento. Enfim casamento é baião de dois e nem pense em ser mais um
ingrediente valioso. Seja no máximo a água que passarinho não bebe, na hora do
regabofe briguento, nada de citar champanhe Cristal. Que pitacos fracos, nada
transcendentes! O casamento transcendente pertence a dois, não vá de garfo,
casamento é dia de sopa e nem colher de outrem deve ser adjudicada. E se
entrarem forças advocatícias de ambos os lados, então se apegue no juiz e em
rezas e rezas fortes. E haverá juiz e que ele seja de paz, mesmo se não tiver
celebrado o casório. Entrou Justiça, data vênia, estou fora.
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pdaf35@gmail.com
Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO. 634
prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina,
105 publicações. E bisavô. contista, cronista, autor teatral
Conheça um pouco mais de Pedro Franco
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Direção e editoria Irene
Serra

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