16/10/2025
Ano 29 - Nº 1.479

 

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Pedro Franco







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CASAMENTOS E DESCASAMENTOS

Se fui casado? Fui e tive um casamento muito feliz e interrompido por perda. Paro na perda e fico na minha viuvez. Se foi bom, ótimo, então entende de casamento e pode dar conselhos. Não aceito que, se conselho fosse bom, não se dava, vendia-se. E tendo casamento feliz e por muitos anos, 66, devo ter muitos conselhos a dar. E não tenho. Pitacos apenas e sem maiores alardes. Se não se amarem, não tenham filhos. Casamento por interesses vai ser navio afundado. Se foi ao pode ser, é porque que talvez o navio não flutue. Na vida há flutuações inesperadas e barco a pique, que parecia vencer procelas e continuar firme, intimorato, foi ao fundo. Incongruências do existir. E vamos aos pitacos. Não espere no casamento princesa, ou príncipe. Ou só virtudes e bom gênio. Haverá dias enfarruscados. Se havia não a dizer em dia enfarruscado, se for esperto, deixe o barco correr e converse em dia ameno, brisa fresca, então volte ao assunto e aí diga o não e com moderação. Assunto este que até já pode ter sido resolvido e sem blá blá blá. Se a mulher estiver menstruada, mais cuidado nestes dias. Se seu clube de futebol perder, que ela seja mais compassiva e nada de gozação. Famílias interferem em casamentos? Procure não se imiscuir em casamento alheio e se filho estiver casado, nada de pôr pingo nos is com nora. Idem filha e com genro. Uma espécie de quem pariu Mateus, que o embale. Se for possível, tenda na moita para o lado do não parente. Contra ele nunca, a não ser que o casório já tenha adentrado ao brejo. Aí apoie o seu e com determinação, ainda que deixando vasa para possível reconciliação. Se houver neto no embate, aí então muito cuidado com a língua, com comentários, mesmo que sejam gloriosos e verdadeiros. Recomendo lavar mãos, imitar Pilatos. Menos, menos, não penso em mãos limpas e sim no rebento. Enfim casamento é baião de dois e nem pense em ser mais um ingrediente valioso. Seja no máximo a água que passarinho não bebe, na hora do regabofe briguento, nada de citar champanhe Cristal. Que pitacos fracos, nada transcendentes! O casamento transcendente pertence a dois, não vá de garfo, casamento é dia de sopa e nem colher de outrem deve ser adjudicada. E se entrarem forças advocatícias de ambos os lados, então se apegue no juiz e em rezas e rezas fortes. E haverá juiz e que ele seja de paz, mesmo se não tiver celebrado o casório. Entrou Justiça, data vênia, estou fora. 


- Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 




Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral

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Irene Serra