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Remplis de sois-même |
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E era dito que Beltrano era cheio de si mesmo. Só
que se vai ao francês e especialmente ao latim, teremos hoje bocas torcidas.
Que se coloque “sale” ao invés de liquidação, agora de remplis estamos fora e
é pena. E como era bom mandar a amigo sobre determinado projeto. Alea jacta
est, posto que a sorte estava lançada e o projeto adentrava ao brejo com
cabriolé e tudo, se a treta não fosse boa. E eis que advogado percebe que o
júri não está indo na dele e seu cliente adentra ao brejo com medo e tudo.
Verbos latinos são apresentados em cinco. Cinco o quê, quê? Cinco, pois,
tempos? E o causídico então lança mão de verbo latino, que nada tem com o
tiro, que seu cliente deu, ao pegar o vizinho roubando seu galo de briga. Se
não lanço mão do meu trunfo, o gajo come cadeia. Jurados, oh queridos e cultos
jurados. Fero, fers, tuli, latum, ferre (o verbo significa lançar). E, dizendo
os tempos do verbo latino, sua voz ribombou no tribunal! Sabeis que, quem com
ferro fere, com ferro será ferido. E lançou o latinório com voz de trovão e
ênfase! E a causa foi ganha, tal o fervor com que o defensor citou os tempos
do verbo e que na realidade nada tinham com o tiro. Então como era bom meter
um “Delenda est Carthago” e, a causa pendia para o seu lado, vira. Ou terminar
a petição com “com meus protestos de elevada estima e alta consideração”, ou
com algo ainda mais rebuscado. Escrevia em processos sobre a saúde dos
economiários (leia-se funcionários da CEF e chefiava o Departamento de
Assistência do SASSE para todo País ) e eis que Delegado de Estado do Sul,
reclama que estou trazendo aos processos a triste linguagem de Nelson
Rodrigues. Resposta. Lamento não poder aceitar o elogio, porque não mereço.
Hoje seria vaiado, mas no passado e sendo chefe... E o Francês, idioma, já
ditou moda e ontem (04/09/2025) li que Armani morreu! Como mandou na moda do
mundo! Em priscas eras tive um terno, modelo Armani e conto que nunca me senti
tão elegante. A gola dos ternos Armani discrepavam de outras e aos vinte e
poucos anos, já pai de filha, me senti pimpão com o Armani. Então confessa que
se sentiu pimpão? Olhem, pimpão nada tem com masculinidade e não me venham com
o politicamente correto, censura. E o Charles Trenet cantando “Vous qui passez
sans me voir” era “show”, para não dizer legal. E Ivon Cury, que se dizia
chansonier e fazia tremendo sucesso em Lisboa, cantava “João Bobo é gozado,
quer casar com a Rosa do Prado”. Coisas antigas e se quiserem histórias,
apesar de que a verdadeira história, ás vezes, discrepe de acontecidos. E se
falei em francês, vou, acho que ao argelino, Salvatore Adamo, que escreveu e
cantou “C´est ma vie” e avisava que a vida dele não era um inferno, nem um
paraíso, era a vida dele. E cantou bem, repito e se ombreou com os melhores
cantantes franceses. Quem não era cantor, mas enchia um palco e declamava bem,
foi... Fato raríssimo, declamar bem. Cito o luso João Villaret, de saudosa
memória. Conto que meu falecido sogro, o querido e saudoso, permitam-me
repetir saudoso, José dos Santos, arrastou-me, noivo que era, para assistir
Villaret. Fui por educação e já especifiquei o arrastado. E muito lhe agradeci
o convite, que saí do teatro muito contente, por ter assistido a cena de
grande artista, o maior declamador que aplaudi. E mais, representava e bem,
que declamava. Alea jacta est, isto é, aceitaste a crônica, ou não? Soltei-a e
quando se soltam columbas, que as mesmas não encontrem tiros pelos seus
caminhos. É, alea jacta est, as pombas estão lançadas e em tempos bicudos,
como ocorrem, há balas pelos caminhos, mesmo os aéreos. E já o Barão de
Itararé avisava. Há algo no ar, além dos aviões de carreira. No Brasil sempre
há, achava o Barão.
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pdaf35@gmail.com
Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO. 634
prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina,
105 publicações. E bisavô. contista, cronista, autor teatral
Conheça um pouco mais de Pedro Franco
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Direção e editoria Irene
Serra

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