01/10/2025
Ano 29 - Nº 1.477

 

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Pedro Franco







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Cronistas e contistas

Os primeiros estão em alta e os há em número e qualidade, já os contistas... Pode parecer que quem escreve crônicas está apto a escrever contos. Apto está, só que chegar a bom nível literário, pode ficar longe. Nem sempre um ótimo cronista vira bom contista. São caminhos literários diferentes e, veja e com elogios, como existem bons cronistas nos jornais e revistas, que são até esperados. Como eram esperados os moradores de Itaparica na pena de João Ubaldo de Oliveira aos domingos. Cito também os ótimos Joaquim, Cora, Aversa, Asturo e ficaria citando nomes e nomes de cronistas, que encantaram, encantam, páginas de jornais e revistas. Vide colegas desta nossa Revista Rio Total! Contam que há bons cronistas, só que de asas curtas em produção e por não aceitarem escrever qualquer coisa, para preencher páginas e cumprir obrigação semanal, deixam os gramados das crônicas. Escrevia, rasgava, digitava, apagava e nada de vir a ideia palatável e de acordo com o nome aplaudido, que já conseguira. A tal pedra no caminho de Drummond de Andrade. Era um perrengue escrever a crônica da semana para alguns. E saiu de campo e da angústia, por não mais aceitar o encargo de crônica palatável semanal. Pena, porque levava jeito. E os contistas têm acolhidas nos jornais e revistas? Raramente, muito raramente. Vou a exemplo de viver de contos no passado e me parece que o melhor na ventura foi mestre contista Scott Fitzgerald. Pera aí, o americano escreveu pelo menos quatro romances espetaculares e eternos. Isto não se discute, e o “O Grande Gatsby” está aí e até muitos outros romances de valor saíram de sua pena ("Suave é a noite", "Belos e malditos" etc). Saíram de sua pena é coisa antiga, ainda que a história de Scott seja antiga e, voltando ao tema valor financeiro dos contos, Scott e Zelda em Paris eram onerosos, gastadores mesmo e os francos não vinham de seus excelentes romances e sim os dólares dos contos, que escreviam em Paris e eram comprados a peso de dólares por publicações em revistas USA. Gastar com Zelda em Paris e viver à tripa forra e receber por escrever contos? E os excelentes romances ficavam em gavetas e poucos dólares conseguiam. Por falar em Scott, como o cinema pegou o conto “O estranho caso de Benjamin Button” e fez filme, onde os efeitos especiais foram usados, talvez defeitos especiais, só que o enredo cinematográfico deturpa a estrutura do conto. Uma pena! Muitas vezes o cinema derruba um ótimo enredo e nem se percebe. Por quê? Cegueira literária, quem sabe? Talvez a indústria de filmes pense demais em lucro e esquece a arte. Ou pensam que arte é para museus? Então chegamos ao hoje, digamos 2025, e vemos jornais e revistas com ótimas crônicas. E os contos, apenas em livros. Será que estes livros vendem bem? E já tivemos contistas melhores. Só que esta pode ser uma pergunta com constatação pessoal e até porque contistas publicam pouco e talvez vendam menos livros ainda. Que crônica não é uma constatação pessoal, de quem digita? Vale procurar e ler “Contos na Era do Jazz” – Scott Fitzgerald. Há tradução para lusófonos e lá encontramos o conto “O estranho caso de Benjamin Button” e o leitor vai constatar porque reclamei de Hollywood. Pode ser que reclame do cronista e até para isto se escrevem crônicas. Para fecho conto que meu amigo Artur da Távola e coloquei esta sua ideia em livro de minha lavra, “Meu amigo Artur da Távola”, edição em sua homenagem e dos melhores cronistas brasilis, que dizia que crônicas eram difíceis de escrever e fáceis de ler. Amigo, confesso, não estou indo a valor literário de minhas crônicas (continuo no elogio em boca própria é vitupério), só que discordando do amigo Távola, não julgo difícil escrever crônica, já como se queima neurônios buscando o enredo para um bom conto. O que é um bom conto? O leitor tem sempre a última palavra, até se não aguentou ir ao fim do conto. 


- Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 




Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral

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Irene Serra