1/9/2025
Ano 28 - Nº 1.473

 

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Pedro Franco







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Estava jururu

E me aconselharam a fazer qualquer coisa para matar o tempo. Tempo de ir para hospital e fazer exames. Com anestesia peridural. Eis pois o motivo do jururu. E o resultado do exame? E depois? Há momentos em que a vida é uma coleção de perguntas e pior, na maioria das vezes, sem respostas. O bicho homem, que se julga muito esperto, pensa que tem respostas para tudo e nada de resolver as maiores perguntas. O bardo Shakespeare com muita propriedade avisou que entre o céu e a terra etc. De fato há muita vã filosofia. E há os que, se apoiam nela e outros, os mais sábios, nas religiões. Por falar em religiões, conheço crentes e ateus e me parece que há uma terceira categoria, a dos atoas, que, pensando serem ladinos, ficam no meio e creio que podemos chamá-los de atoas e sem querer ofender. Seu alimento no assunto não é galinha com quiabo, nem um destes sanduíches, que apregoam muito e servem pouco. Há quem goste encostar no balcão e comer em pé e na corrida da vida, que, ou corre, ou é atropelado. Atropelado todos somos, mais ou menos. Até então fui atropelado por mortes de entes muito queridos, e, ainda, alvíssaras, ficaram filhos, netos, bisnetos, estes que nem bem me conhecem. Há também amigos. Nego-me a pôr o a entre aspas. E eis que, vendo-me jururu e esperar não é meu forte, mandam escrever. Olha que é bom conselho. Fazer passar o tempo. Não gosto do termo matar o tempo. O tempo é imortal, ao contrário de nós. Há tempo de brisa fresca e até ameno, ainda que sempre se prevejam borrascas, que virão, ou não. Isto é pensar! Tristes rimas em ão! Aliás, para quem gosta de poesia e essa ouvia, havia, muito na MPB antiga e não tento (há também na bossa nova) ir a exemplo das do agora e me nego a dar exemplo atual, até porque não decorei qualquer dessas preciosidades. E continuo jururu, enquanto minha família tenta quebrar a burocracia dos convênios. Antes, novas vantagens, se havia “l´argent”. No agora, haja dificuldades. Palanque é algo, isto é, propaganda, serviços. Governar, é diferente. Muito diferente. Acredite, não sou grego nem troiano e de Donald prefiro o da Disney. E fui ao Papai Google para ver bem o que é jururu, igual a triste, melancólico. Prefiro estar jururu, que tem mais ranço de tolice. Eis que escrevendo, deixei de estar jururu? Não, só enquanto batia teclas, sim. Ao chegar ao “the end”, não. Por que não colocou ao chegar ao fim? Bossa, que a nova nos deu “Chega de saudade”. Ouvir bossa nova muito serve até de receita para deixar de ser jururu. Que tal colocar para ouvir “Estate” com João Gilberto. “Estate” será bossa nova?


- Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 



Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral

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