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Estava jururu |
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E me aconselharam a fazer qualquer coisa para
matar o tempo. Tempo de ir para hospital e fazer exames. Com anestesia
peridural. Eis pois o motivo do jururu. E o resultado do exame? E depois? Há
momentos em que a vida é uma coleção de perguntas e pior, na maioria das
vezes, sem respostas. O bicho homem, que se julga muito esperto, pensa que tem
respostas para tudo e nada de resolver as maiores perguntas. O bardo
Shakespeare com muita propriedade avisou que entre o céu e a terra etc. De
fato há muita vã filosofia. E há os que, se apoiam nela e outros, os mais
sábios, nas religiões. Por falar em religiões, conheço crentes e ateus e me
parece que há uma terceira categoria, a dos atoas, que, pensando serem
ladinos, ficam no meio e creio que podemos chamá-los de atoas e sem querer
ofender. Seu alimento no assunto não é galinha com quiabo, nem um destes
sanduíches, que apregoam muito e servem pouco. Há quem goste encostar no
balcão e comer em pé e na corrida da vida, que, ou corre, ou é atropelado.
Atropelado todos somos, mais ou menos. Até então fui atropelado por mortes de
entes muito queridos, e, ainda, alvíssaras, ficaram filhos, netos, bisnetos,
estes que nem bem me conhecem. Há também amigos. Nego-me a pôr o a entre
aspas. E eis que, vendo-me jururu e esperar não é meu forte, mandam escrever.
Olha que é bom conselho. Fazer passar o tempo. Não gosto do termo matar o
tempo. O tempo é imortal, ao contrário de nós. Há tempo de brisa fresca e até
ameno, ainda que sempre se prevejam borrascas, que virão, ou não. Isto é
pensar! Tristes rimas em ão! Aliás, para quem gosta de poesia e essa ouvia,
havia, muito na MPB antiga e não tento (há também na bossa nova) ir a exemplo
das do agora e me nego a dar exemplo atual, até porque não decorei qualquer
dessas preciosidades. E continuo jururu, enquanto minha família tenta quebrar
a burocracia dos convênios. Antes, novas vantagens, se havia “l´argent”. No
agora, haja dificuldades. Palanque é algo, isto é, propaganda, serviços.
Governar, é diferente. Muito diferente. Acredite, não sou grego nem troiano e
de Donald prefiro o da Disney. E fui ao Papai Google para ver bem o que é
jururu, igual a triste, melancólico. Prefiro estar jururu, que tem mais ranço
de tolice. Eis que escrevendo, deixei de estar jururu? Não, só enquanto batia
teclas, sim. Ao chegar ao “the end”, não. Por que não colocou ao chegar ao
fim? Bossa, que a nova nos deu “Chega de saudade”. Ouvir bossa nova muito
serve até de receita para deixar de ser jururu. Que tal colocar para ouvir
“Estate” com João Gilberto. “Estate” será bossa nova?
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pdaf35@gmail.com
Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO. 634
prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina,
105 publicações. E bisavô. contista, cronista, autor teatral
Conheça um pouco mais de Pedro Franco
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