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“Uma vida em sete dias”
Elesbão Boaventura |
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Filme,
Angelina Jolie e em grande forma. É das minhas atrizes preferidas? Não. O
porquê da crônica. Ontem na Netflix vi o filme, que dá título ao escrito. Um
pobre de rua, que se dizia vidente, diz que a personagem terá sete dias de
vida. E ela acredita. Não vou contar o filme, que até vale ver. Só que “Uma
vida...” me fez retroceder mais ou menos uns oitenta anos. Estou com noventa,
um nonagenário e por volta dos meus dez anos disse à minha mãe, que ia morrer
com onze anos um mês e cinco dias, logo 20 de abril de 1946. Não sei porque
estabeleci data e nem sei porque me veio a tal ideia. A Família soube, riu e o
tempo foi correndo. O vaticínio foi feito muito tempo antes. Quando? Sei lá.
Estava temeroso? Não. Acreditava? Nem me lembro. No “fatídico” dia estávamos
andando por Paquetá e pela ilha e sem temores de assaltos. Neste dia minha mãe
me proibiu banhos de mar. Diga-se que sou filho único e sempre fui apegado à
ela. No futuro juntaria mãe de filho único com nora e viraram mãe e filha e
não foi para inglês ver, que afirmei. Voltemos à Praia dos Frades e o passeio
com meus pais. Tia havia telefonado do Rio para saber como eu estava. E minha
mãe prometera surra depois da meia-noite, pois a invenção a tinha agoniado.
Papai, se ligou, nada disse. Meia-noite e um minuto não saiu surra e sim um
abraço e um beijo e a ordem de não inventar mais datas. E de fato nada mais
inventei neste sentido, ainda que sempre invente histórias e até as escreva. E
você com a morte, se me perguntam, não é assunto predileto, ainda que muito
pense nela e acumulo então dúvidas. Quais? Permitam-me não repassá-las, que as
mesmas não fariam bem a alguém. Escritor fugindo da raia? Talvez seja mesmo
assunto tabu e então está na hora de terminar esse simulacro de crônica, que
talvez permita leitores pensarem, que os pássaros continuam cantando e as
árvores florindo, apesar das guerras e da burrice humana. Por falar em
burrice, cita alguém especial? Gastaria todo o papel da impressora e não
colocaria todos. Então onze anos um mês e cinco dias. Que bom, já passou o 20
de abril de 2025. Ah, Ah!
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pdaf35@gmail.com
Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO. 634
prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina,
105 publicações. E bisavô. contista, cronista, autor teatral
Conheça um pouco mais de Pedro Franco
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