16/07/2025
Ano 28 - Nº 1.425

 

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Pedro Franco







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 “Uma vida em sete dias”

Elesbão Boaventura

Filme, Angelina Jolie e em grande forma. É das minhas atrizes preferidas? Não. O porquê da crônica. Ontem na Netflix vi o filme, que dá título ao escrito. Um pobre de rua, que se dizia vidente, diz que a personagem terá sete dias de vida. E ela acredita. Não vou contar o filme, que até vale ver. Só que “Uma vida...” me fez retroceder mais ou menos uns oitenta anos. Estou com noventa, um nonagenário e por volta dos meus dez anos disse à minha mãe, que ia morrer com onze anos um mês e cinco dias, logo 20 de abril de 1946. Não sei porque estabeleci data e nem sei porque me veio a tal ideia. A Família soube, riu e o tempo foi correndo. O vaticínio foi feito muito tempo antes. Quando? Sei lá. Estava temeroso? Não. Acreditava? Nem me lembro. No “fatídico” dia estávamos andando por Paquetá e pela ilha e sem temores de assaltos. Neste dia minha mãe me proibiu banhos de mar. Diga-se que sou filho único e sempre fui apegado à ela. No futuro juntaria mãe de filho único com nora e viraram mãe e filha e não foi para inglês ver, que afirmei. Voltemos à Praia dos Frades e o passeio com meus pais. Tia havia telefonado do Rio para saber como eu estava. E minha mãe prometera surra depois da meia-noite, pois a invenção a tinha agoniado. Papai, se ligou, nada disse. Meia-noite e um minuto não saiu surra e sim um abraço e um beijo e a ordem de não inventar mais datas. E de fato nada mais inventei neste sentido, ainda que sempre invente histórias e até as escreva. E você com a morte, se me perguntam, não é assunto predileto, ainda que muito pense nela e acumulo então dúvidas. Quais? Permitam-me não repassá-las, que as mesmas não fariam bem a alguém. Escritor fugindo da raia? Talvez seja mesmo assunto tabu e então está na hora de terminar esse simulacro de crônica, que talvez permita leitores pensarem, que os pássaros continuam cantando e as árvores florindo, apesar das guerras e da burrice humana. Por falar em burrice, cita alguém especial? Gastaria todo o papel da impressora e não colocaria todos. Então onze anos um mês e cinco dias. Que bom, já passou o 20 de abril de 2025. Ah, Ah!
 
 
- Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 



Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral

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