01/08/2024
Ano 27
Número 1.377




 

ARQUIVO

PEDRO FRANCO


 


 

 


Portugal, Inglaterra e segue o mundão afora esquentando...


As Farpas – Eça de Queiroz 1871. “O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido” Estamos em 2023 e Portugal se safou.

Winston Churchill, “Já houve quem dissesse que a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as outras que têm sido tentadas de quando em vez", 1947. Falou, disse, ganhou guerra mundial e perdeu a primeira eleição pós-guerra. Urnas oh, urnas, mesmo as eletrônicas.
Notas quase políticas.

História do Brasil, Em tudo se plantando dá. Só que nosso primeiro historiador, escrivão da frota de Cabral, Dom Pero Vaz de Caminha, não disse a frase acima, que foi ilação. A carta de achamento do Brasil, de 05/maio/1500, não chegou às mãos do rei e ficou perdida nos documentos da Torre do Tombo, em Lisboa, até 1851. E Dom Pero não voltou ao jardim da Europa à beira mar plantado, que morreu em briga na velejada de volta. Vaz de Caminha comentara sim as muitas águas da terra achada e o que delas pudesse resultar de bom para a Pátria Mãe. Além desta sábia conclusão em relação às águas, descreveu Mestre Pero e com minúcias partes anatômicas das índias e com todo o respeito que as mesmas merecem. Era historiador sério, ainda que pedisse na carta algo paro genro.

E houve um Trump na história americana, ora se houve. 07/2024 e parece retorna. Também congêneres e ninguém caiu de maduro, que todos são bons cavaleiros de palanques e também eloquentes em ditos que o povão aprecia.. Na Argentina se lia em todos os lugares e li aos 17 anos. Peron cumpre e Evita dignifica. Depois foi Isabelita, E depois de Cristina, inflação. Nada contra mulheres e até votei na Senadora Tebet.

Cristianizar – verbo vindo da política mineira. Um partido, que não era inteiro, lançou Cristiano Machado. E apoiou candidato de outro partido. Cristianizou-o.

O Brigadeiro Eduardo Gomes, herói dos 18 do Forte, não se elegeu porque um político de outro partido espalhou que o Brigadeiro não queria votos de marmiteiros, para ser presidente. “Fakes” são antigas, ainda que não fossem assim denominadas...
Houve político que reclamou do tempo do seu mandato. Curto espaço de 15 anos. E nesse período tentei levar meus livros de Monteiro Lobato para a Escola Duque de Caxias. Tinha lá meus 10 anos e fui apresentado ao DIP. A escola tinha alunos pobres e alguns, para ler, recorriam à biblioteca. Com muita pena a professora bibliotecária me avisou: Veio ordem do DIP, para que este autor não tenha livro nas escolas públicas, porque é comunista. Hoje enfrentamos o politicamente correto e lembro que ainda de calças curtas, enfrentei a censura. Confesso que fiquei muito triste e aprendi então a ficar indignado. E agora implicam M Lobato pela Tia Anastácia.

Um falou um monte do outro. O outro falou um monte de um. Só não xingaram as progenitoras. E nas TVs da vida e em campanhas. E então compuseram chapa. Agora haja óleo para frituras em fogo lento.

E determinado Presidente disse que na Câmara havia 300 picaretas. Voltou ao governo e encontrou o Centrão.

Tenho amigo que teima em fundar um País. ´É tão utópico que o dístico de sua bandeira seria “Honestidade é Progresso”. E teima ainda que nas suas escolas públicas, além dos hinos patrióticos e além do Cisne Branco, que é lindo, as crianças cantariam de Billy Blanco “A banca do distinto”. Que é hino contra a soberba. E se avise às crianças que ao tempo da feitura da esperta letra, quando se cantava “com terra por cima e na horizontal”, ainda não havia cremação.

Triste mocidade. Nem, nem. Estuda ou trabalha. Então vieram cursos em milícias. Construir um País é educar seus jovens. Sem retórica de palanque! Educar mesmo. Já se disse que, governar um País, é construir estradas (W. Luiz). Muito depois um pé de valsa acabou com muitas ferrovias. E é herói.

Presidente se julgou traído e apareceu sem aliança. Foi queixar-se ao sogro, que fora político e até em plenário puxara arma. O da arma ouviu e deu máxima. Na minha família não há mulheres divorciadas e sim viúvas. E a aliança voltou ao dedo presidencial. Julgo que é lenda. Será?

Oh, Orestes não mais “a lua, furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão”. Agora: As balas, furando nosso zinco, salpicavam de sangue nosso chão. Já escreveu esta frase várias vezes. Se caiu bem, repita-se e se vanglorie pela descoberta. Assim ensina a Mídia e doutos aplaudem! E também marqueteiros.

Em quem o leitor votou para deputado? Ganha mariola, quem se lembrar. Democracias dependem do voto criterioso dos eleitores. E na última eleição? Nem votei, que sou velho e dispensado. E se votasse no segundo turno? Em branco. Estou fora deste Fla Flu, ainda que seja torcedor do Clube tricolor. Há vários clubes com três cores, mas só o Fluminense é tricolor. Reclamações para Mestre Nelson Rodrigues.

Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 



Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Consultor da Clínica Médica da Escola de Medicina e Cirurgia da UNI-RIO.
Remido da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Professor Emérito da UNI-RIO. Emérito da ABRAMES e da SOBRAMES-RJ.
contista, cronista, autor teatral

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