01/09/2026
Ano 30 - Nº 1.521

 

Arquivo
Pedro Franco











Volto a assunto pessoal

Sim e em nova crônica. Meu amigo Artur da Távola dizia que a crônica era difícil de fazer e fácil de ler. Em regra é fácil de fazer. Logicamente há crônicas notáveis e cito Ai de ti Copacabana, de Rubem Braga. Foi fácil fazer? Lamentavelmente, não se pode fazer a pergunta ao autor. E há dias em que a crônica emperra. Para quem tem crônicas de encomenda, sempre aconselho, a ter um baú de crônicas. A TV tá chata, desliga e vai escrever crônica, talvez sobre os programas da TV. Voltando ao amigo A. da Távola; nunca nos vimos, fomos amigos. Durante 27 anos. Muitas cartas manuscritas trocadas e fiz livro em ótima Editora, coloquei cartas “fac-smile”, contei nossa amizade e em 27 anos nunca nos vimos. Parece conto da carochinha e o livro "Meu amigo Artur da Távola" honestamente passou em brancas nuvens e aqui brancas é ruim. Cartas e cartas, amizade firmada e nunca apertamos mãos. Se duvida, ainda se vende o livro na Estante Virtual. Távola foi excelente cronista, e se o livro foi esnobado, teve pouca vida literária, não foi por culpa do homenageado e sim minha culpa, máxima culpa, pois a edição foi ótima, mas quem vende livro é o autor, se passou despercebido e concorri a muitos concursos e nada de menção. Minha culpa, minha máxima culpa. Engato assunto em outro. Há meses o ótimo cronista Joaquim Ferreira dos Santos, em crônica no O Globo, reclamou da pouca menção, que se faz a Artur da Távola. Concordei e logo lhe mandei o livro “Meu amigo Artur da Távola”. Mandei, via ECT, para O Globo e houve devolução. E há mais de ano tento saber um endereço, para mandar a um mestre da crônica, o livro homenagem a outro mestre da crônica. Será que algum leitor pode me ajudar? Leitoras, nego-me a colocar a entre aspas. De saída vai mea culpa em relação ao livro. O de minha autoria, que o mestre Távola tinha aplaudido, coloquei no livro, ainda que o referido livro, além de muitas crônicas do Mestre Távola, mostre entrevistas dele e até verso. Quando Senador, criou a Revista Contato. Pediu colaboração e publiquei na mesma por duas vezes e também estas colaborações aparecem no livro. Então danei a homenagem com um quase elogio em boca própria, que é vitupério. Talvez meus defeitos estejam patentes por deslustrar o texto com um vitupério. Toda a crônica, que se presa, tem um fim. Mestre Artur da Távola, acredite, minha intenção no livro era homenagem e agora, aos 91 anos, é hora, Mestre, de apresentar desculpas. O tiro saiu pela culatra.


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Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral.

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