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Irene Serra
PRECISO DE UM POEMA NOVO
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O livro Preciso de um Poema Novo, de W.J. Solha, é um livro
denso e repleto de nuances; e a poesia de Solha, como o habitual, é rica em
imagens e referências, exigindo uma leitura cuidadosa e tempo para absorver o
que ele expressa. Receber o livro diretamente do autor tornou essa experiência
ainda mais especial e desafiadora.
Preciso de um Poema Novo traz uma proposta poética
única, refletindo temas profundos sobre a condição humana e as mudanças
sociais. O autor utiliza seu estilo multifacetado, interligando elementos de
teatro, pintura e música em uma experiência literária que questiona e reflete
sobre o sentido da vida. Cada poema surge como uma "explosão" de
significados, buscando ser um "poema novo" que ressoe com a intensidade da
existência. Solha explora questões existenciais, enquanto busca capturar a
vastidão da vida em suas palavras.
Precisei
ler, esmiuçar os poemas em
partes, para melhor entender as figuras de linguagem e os temas que
Solha
explora. Encantou-me os símbolos e a maneira como ele mescla aspectos da
condição humana com referências culturais. Às vezes, o autor usa termos ou
estilos que podem parecer enigmáticos, mas que ganham sentido quando
analisamos o contexto ou a emoção transmitida.
A sequência rápida de
referências históricas e culturais, como Napoleão, Tchaikovsky e Hamlet,
bem reflete o estilo de Solha, que gosta de criar conexões inesperadas e
profundas. Ele junta figuras e eventos aparentemente díspares para provocar
reflexões sobre o impacto da história e da arte na humanidade. Napoleão, por
exemplo, representa o poder e a ambição que marcaram a Europa, e sua invasão
de Moscou traz à tona temas de destruição e perda. Tchaikovsky, por outro
lado, simboliza o lado emocional da cultura russa, especialmente com suas
obras dramáticas. Já Hamlet, a tragédia de Shakespeare, questiona o sentido
da existência e reflete sobre o dilema da ação e inação. Ao combiná-los,
Solha parece tecer uma linha que conecta o poder, a cultura e a introspecção
– como se a história, a arte e a filosofia fossem pedaços de um mesmo tecido
humano.
A meu ver, uma leitura lenta, com pausa
entre as associações, permite que cada imagem ressoe antes de seguir para
a próxima. Isso facilita captar o que ele quer provocar ou questionar com
essas junções. Então, leia Preciso de um Poema Novo, leia com calma, e
descobrirá um mundo de emoções e conhecimento.
Irene Vieira Machado Serra foniatra, editora da Revista Rio Total RJ irene@revistariototal.com.br
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