16/03/2026
 Ano 29 - Nº 1.499




ARQUIVO
IRENE SERRA











Irene Serra



PRECISO DE UM POEMA NOVO

 

O livro Preciso de um Poema Novo, de W.J. Solha,  é um livro denso e repleto de nuances; e a poesia de Solha, como o habitual, é rica em imagens e referências, exigindo uma leitura cuidadosa e tempo para absorver o que ele expressa. Receber o livro diretamente do autor tornou essa experiência ainda mais especial e desafiadora.

Preciso de um Poema Novo traz uma proposta poética única, refletindo temas profundos sobre a condição humana e as mudanças sociais. O autor utiliza seu estilo multifacetado, interligando elementos de teatro, pintura e música em uma experiência literária que questiona e reflete sobre o sentido da vida. Cada poema surge como uma "explosão" de significados, buscando ser um "poema novo" que ressoe com a intensidade da existência. Solha explora questões existenciais, enquanto busca capturar a vastidão da vida em suas palavras.

Precisei ler, esmiuçar os poemas em partes, para melhor entender  as figuras de linguagem e os temas que Solha explora. Encantou-me os símbolos e a maneira como ele mescla aspectos da condição humana com referências culturais. Às vezes, o autor usa termos ou estilos que podem parecer enigmáticos, mas que ganham sentido quando analisamos o contexto ou a emoção transmitida.

A sequência rápida de referências históricas e culturais, como Napoleão, Tchaikovsky e Hamlet, bem reflete o estilo de Solha, que gosta de criar conexões inesperadas e profundas. Ele junta figuras e eventos aparentemente díspares para provocar reflexões sobre o impacto da história e da arte na humanidade. Napoleão, por exemplo, representa o poder e a ambição que marcaram a Europa, e sua invasão de Moscou traz à tona temas de destruição e perda. Tchaikovsky, por outro lado, simboliza o lado emocional da cultura russa, especialmente com suas obras dramáticas. Já Hamlet, a tragédia de Shakespeare, questiona o sentido da existência e reflete sobre o dilema da ação e inação. Ao combiná-los, Solha parece tecer uma linha que conecta o poder, a cultura e a introspecção – como se a história, a arte e a filosofia fossem pedaços de um mesmo tecido humano.

A meu ver, uma leitura lenta, com pausa entre as associações, permite que cada imagem ressoe antes de seguir para a próxima. Isso facilita captar o que ele quer provocar ou questionar com essas junções. Então, leia Preciso de um Poema Novo, leia com calma, e descobrirá um mundo de emoções e conhecimento.

 


Irene Vieira Machado Serra
foniatra, editora da Revista Rio Total
RJ
 irene@revistariototal.com.br

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