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Irene Serra
TIRANDO CASQUINHA NO O PADEIRO DE RUBEM BRAGA
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Uma mistura danada ocorre aqui, associações que nem sei o porquê. Carlos
Tigueiro escreve que seu último livro está a caminho e comenta sobre Affonso
Romano. Tudo bem, seu assunto estava interligado. Mas, ao respondê-lo, salto
para Rubem Braga. Que isso? Apenas eu queria dizer que assinava a
opinião do Affonso, mesmo sem ser alguém abalizada para tal.
Ups, email encaminhado, em vez de voltar
à edição da Revista Rio Total, me vejo, não distribuindo pães de manhã bem
cedinho, mas sim fazendo pães e com farinha esparramada para tudo que era
canto. Então, a fim de evitar trabalho, apenas guardo a bagunça
imaginária para ser arrumada no dia seguinte.
Guardada mesmo, porque,
a essa altura, nem à edição dei continuidade. Fui procurar na estante o livro
de crônicas bem antigo, um tanto amarelado, capa meio descolando, grafia que
me agrada mais do que essa atual que nos impuseram. Lá estava o
seu, o meu, o nosso O padeiro. E voltei à alegria de
outrora, lendo e relendo logo no início sua dedicatória à minha mãe.
E não é que, distraída, voltando a sonhar acordada, dou a volta e estou na
praia de Ipanema com Arthur da Távola e Affonso Romano? Ao retornar a casa,
vejo o Rubem mais cansado (morávamos todos a dois e três quarteirões de
distância um do outro e não raro nos esbarrávamos). Pode ser que eu esteja
enganada, porém, tenho a lembrança que ele cumprimentava e não parava para o abraço e beijos que eu, sem
considerar nossa diferença, esboçava lhe dar. Mas esse hábito imputo, um
tanto, ao Arthur, que vinha de braço abertos e acabávamos num bom café, a rir
da vida, da nossa alegria sem fim e com motivo.
Eu não tinha a
menor ideia do ouro diante aos meus olhos.
Pena que os aproveitei tão
pouco! Também, quem era eu? Nem padeiro era...
Irene Vieira Machado Serra foniatra, editora da Revista Rio Total RJ irene@revistariototal.com.br
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