16/11/2025
 CooJornal nº 1.483




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IRENE SERRA

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Irene Serra



TIRANDO CASQUINHA NO O PADEIRO DE RUBEM BRAGA


Uma mistura danada ocorre aqui, associações que nem sei o porquê. Carlos Tigueiro escreve que seu último livro está a caminho e comenta sobre Affonso Romano. Tudo bem, seu assunto estava interligado. Mas, ao respondê-lo, salto para Rubem Braga. Que isso? Apenas eu queria dizer que assinava a  opinião do Affonso, mesmo sem ser alguém abalizada para tal.

Ups, email encaminhado, em vez de voltar à edição da Revista Rio Total, me vejo, não distribuindo pães de manhã bem cedinho, mas sim fazendo pães e com farinha esparramada para tudo que era canto. Então, a fim de evitar trabalho, apenas guardo a bagunça imaginária para ser arrumada no dia seguinte.

Guardada mesmo, porque, a essa altura, nem à edição dei continuidade. Fui procurar na estante o livro de crônicas bem antigo, um tanto amarelado, capa meio descolando, grafia que me agrada mais do que essa atual que nos impuseram. Lá estava o seu, o meu, o nosso O padeiro. E voltei à alegria de outrora, lendo e relendo logo no início sua dedicatória à minha mãe.

E não é que, distraída, voltando a sonhar acordada, dou a volta e estou na praia de Ipanema com Arthur da Távola e Affonso Romano? Ao retornar a casa, vejo o Rubem mais cansado (morávamos todos a dois e três quarteirões de distância um do outro e não raro nos esbarrávamos). Pode ser que eu esteja enganada, porém, tenho a lembrança que ele cumprimentava e não parava para o abraço e beijos que eu, sem considerar nossa diferença, esboçava lhe dar. Mas esse hábito imputo, um tanto, ao Arthur, que vinha de braço abertos e acabávamos num bom café, a rir da vida, da nossa alegria sem fim e com motivo.

Eu não tinha a menor ideia do ouro diante aos meus olhos.

Pena que os aproveitei tão pouco! Também, quem era eu? Nem padeiro era...


 


Irene Vieira Machado Serra
foniatra, editora da Revista Rio Total
RJ
 irene@revistariototal.com.br

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