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Irene Serra
SUSTO NO DENTISTA
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Dor de dente não há quem aguente, ainda mais quando se prolonga por várias
horas. Sem relutar, lá foi a jovem senhora ao dentista.
De
pronto, só de olhar, gostou do profissional, do consultório, da solícita
atendente. Ao saber, então, que esta era uma dentista recém-formada e que
cursava pós-graduação, sendo seu orientador o próprio dentista, gostou mais
ainda. Observava a limpeza de cada canto, os uniformes impecáveis, o esmero
no trato.
Começa a consulta: – Então, D. Fulana, dói aqui?
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Ah ah ah Ah ah! Como falar com tanto ferrinho na boca, aquele espelhinho
incomodando, o sugador dependurado prendendo sua língua, além das mãos da
atendente e do próprio dentista?
– E aqui?
– Ah ah Ah Ah!
Será que ele entendia o que a cliente balbuciava ou só estaria sendo
atencioso enquanto examinava? Podia ser uma forma de atendimento light para
desinibi-la, tirar o estresse da consulta.
Suplício terminado, o
dentista senta-se a um computador de ultíssima geração, na sala contígua. A
atendente vem com lencinho refrescante e passa-o no rosto da cliente,
penteia-lhe o cabelo com os dedos, borrifa-lhe spray perfumado. Com um
sorriso perfeito, indaga-lhe se quer passar batom e se precisa de mais alguma
coisa. Não? Então vamos para a outra sala!
Pois é, bem que podia
passar-lhe a roupa, para sair bem bonitinha. Mas isso certamente estava fora
de cogitação, porque não lhe foi oferecido.
E eis que o dentista
apresenta a relação do que tem de ser feito. Após o susto – não tanto pelo
trabalho em si, mas pelo preço –, marcam a data do início do tratamento (que
coincide com a primeira parcela do pagamento, é lógico).
Tratamento a
meio, cliente feliz com água gelada e cafezinho quente na chegada e bala de
menta na saída, acontece o imprevisto de um provisório se soltar. Telefona
pedindo socorro e a secretária manda-lhe ir direto para o consultório, sem
marcar hora. Assim que chega, a atendente – que continuava tão solícita
quanto da primeira vez – pede-lhe: – Por favor, D. Fulana. Aguarde um
instante que já venho atendê-la. Sou eu mesma quem vai prender o provisório.
É só enquanto acabo de lavar a perereca da D. Cicrana...
A cliente
quase desmaiou: "Botar a mão na minha boca depois de colocar na perereca?
Não vai, não!"
(18 de
agosto/2007) CooJornal nº 542.
Irene Vieira Machado Serra foniatra, editora da Revista Rio Total RJ irene@revistariototal.com.br
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