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Luiz Carlos Amorim
DIZER E OUVIR POESIA
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Saber declamar poesia, de verdade,
com emoção e sensibilidade, é um dom. Ler poesia é fácil, porque não exige
interpretação, recriação do sentimento do poeta-autor e, principalmente, não
exige a emoção de saber dar vida ao poema, características de um bom
declamador.
E, cá pra nós, bons declamadores não são encontrados facilmente
nos dias de hoje. Aliás, já em tempos idos eles não eram encontrados
facilmente, imagine-se atualmente. Declamadores de verdade, com talento e
maestria, infelizmente são muito poucos.
E poesia, apesar de toda a gama de
meios para coloca-la à disposição do leitor, nos dias atuais, com toda
tecnologia que temos, ainda é um gênero que vende pouco. Talvez até pelo fato
de haver grande oferta, com toda a democracia da internet nos últimos tempos,
a venda de livros de poemas, mesmo digitais, não é o que gostaríamos que
fosse. É claro que a oferta incomensurável nos meios digitais faz com que a
qualidade de boa parte do que é publicado não seja muito grande, o que aumenta
o estigma do gênero. Então há que divulgarmos a boa poesia, há que
incentivarmos e apoiarmos aqueles que têm talento e disposição para se
firmarem como bons declamadores, pois se o leitor não está comprando livros de
poemas, se não está lendo muito o gênero, quem sabe se ouvindo uma declamação,
o leitor-ouvinte não pode ser conquistado, quem sabe não possa descobrir que
gosta de poesia e acabar comprando os livros que contém este tipo de
literatura?
Infelizmente, não é comum ouvirmos declamação por aí, em
programas de rádio ou televisão, em festas, etc. Em eventos literários até há
quem diga poesia, mas geralmente são pessoas (poetas, quase sempre) que
simplesmente conseguem apenas ler o poema e nem sempre a leitura é boa. Digo
isso porque frequento eventos literários e até participo. E sei que quando
aceito o convite para dizer um poema meu, apenas leio, e não faço uma boa
leitura. Gostaria de saber declamar pelo menos os meus poemas, mas não tenho
esse talento.
Então quando vejo na TV, num programa como DIZER E OUVIR
POESIA , onde
se apresentam apenas grandes performances, aparece concorrendo uma pessoa
declamando um poema – e de própria autoria. A versão do Got Talent era de
Portugal e a declamadora parecia ser brasileira. Fiquei impressionado ao ver a
boa acolhida do público, que ouviu em completo silêncio a declamação longa,
mas de boa qualidade e, ao final, aplaudiu de pé, inclusive os jurados. Fico
feliz de ver que, se oferecermos, o grande público sabe apreciar e descobre
que gosta do gênero poesia. A declamação foi boa, o poema era bom e agradou em
cheio.
Percebi que há uma luz no fim do túnel: a poesia pode ser bem
acolhida, pode ser levada a um palco de grandes espetáculos e ser festejada e
valorizada. Isso me lembra as Feiras de Arte em cidades do norte de Santa
Catarina, como Joinville, São Francisco do Sul, Jaraguá do Sul, São Bento do
Sul, etc., quando subíamos a palcos improvisados e líamos poesia, a nossa
poesia, e o público parava para ouvir e até comprava nossos livros. E olhe que
não sabíamos declamar. Vamos ouvir poesia? Vamos ler mais poesia? Poesia é
vida, é emoção, é sensibilidade, é cantar os sentimentos do ser humano.
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
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