16/04/2026
Ano 29
Semana 1.503






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Museu Nacional dos Povos Indígenas




O Museu Nacional dos Povos Indígenas, antigo Museu do Índio, é um órgão científico-cultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, localizado na cidade do Rio de Janeiro. Foi criado pelo antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro em 1953.

Única instituição do governo federal do Brasil exclusivamente dedicada às culturas indígenas, tem como objetivo divulgar uma imagem correta, atualizada e desprovida de preconceitos dessas sociedades junto a públicos diversos, despertando, dessa forma, o interesse pela causa indígena.

Seu primeiro endereço foi um casarão na Rua Mata Machado (Aldeia Maracanã) no bairro do Maracanã. Em 1978, mudou-se para um sobrado do século XIX na Rua das Palmeiras, no bairro de Botafogo. O sobrado foi construído para servir de residência ao empresário da indústria alimentícia João Rodrigues Teixeira e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A instituição tem sob sua guarda acervos relativos à maioria das sociedades indígenas, constituídos de 17.981 peças etnográficas e 15.121 publicações nacionais e estrangeiras, especializadas em etnologia e áreas afins. Os diversos Serviços do Museu do Índio são responsáveis pelo tratamento técnico de 833.221 registros textuais, que datam a partir do Século XIX, e de ampla e diversificada documentação audiovisual, em sua maioria produzida pelos próprios índios. Esta abrange 163.553 fotos, 599 filmes e vídeos, 1.295 áudios e 771 horas gravadas.

Mais do que abrigar expressivos acervos, o Museu do Índio conserva, pesquisa, documenta e comunica as informações neles preservadas, tendo se tornado referência para pesquisadores e interessados na questão indígena e contribuído com significativos avanços para o campo de museus etnográficos brasileiros. Alguns deles administrados pelos próprios índios. Diversas ações têm sido empreendidas nesse sentido ao longo dos últimos anos, como a instalação de laboratórios de conservação, a reforma das reservas técnicas, o preparo e a publicação de catálogos, inventários, tesauros (uniformizam a linguagem que diferentes pessoas usam para se referir ao mesmo assunto) e outros instrumentos de pesquisa e recuperação da informação. Com a criação de um programa editorial, o Museu do Índio edita diversas publicações, democratizando, assim, o acesso às informações sobre a situação indígena no País.

Além de coleções formadas por tipos de objetos, o acervo também reúne coleções feitas pelos próprios indígenas desde 1980, como trançados dos indígenas Xyhcaprô Krahô, Jacalo Kuikuro e Julia Macuxi, bem como as de plumárias, de Talukumã Kalapalo e Arrula Waurá e a grande coleção de cerâmica de Quitéria Pankararu.

Existem, nos jardins da instituição, cinco ambientações: casa Guarani, cozinha e casa Xinguana, roça Guarani e troncos do ritual xinguano Kuarup.

A Uné, casa tradicional xinguana, foi construída por 21 índios Kuikuro do Alto Xingu (MT). Todo o material da casa foi trazido pelos índios do Xingu e a ambientação interna foi também realizada pelos próprios índios. A casa é um centro de referência desse povo no Rio, contribuindo para a divulgação de sua cultura. 

Os índios Guarani da aldeia de Bracuí, Angra dos Reis, construíram uma casa tradicional com estacas de madeira e barro, cuja cobertura é de esteiras de taquara, sapé e palha e prepararam uma roça em sua volta com plantações de ervas medicinais, milho, mandioca, amendoim e feijão. Estes elementos juntos dão ao visitante uma idéia dos aspectos culturais dessa sociedade indígena que habita no Estado do Rio de Janeiro. 

A instituição vem adotando diferentes estratégias de comunicação com o público como a disponibilização de informações pela Internet e a criação dos espaços Museu das Aldeias e Muro do Museu para a montagem de mostras temporárias, além da exposição de longa duração no prédio central, que apresentam diferentes formas de expressão e saberes das sociedades indígenas no Brasil. Utiliza modernos recursos museográficos na exibição de seus acervos, além de promover atividades culturais com a presença de monitores indígenas.

O Espaço de Criação, dedicado ao atendimento do público infantil, revela a ênfase da instituição no trabalho com esse público. O evento "Índio no Museu" integra os espaços expositivos da instituição – Museu das Aldeias, Muro do Museu, varanda do Museu e Galeria de Arte Indígena - com uma mesma temática. A proposta, baseada na parceria direta com os índios, é a documentação da sua cultura com foco na cultura material e no processo de produção de bens. A criação da Galeria de Arte Indígena e o Espaço Índio e Arte – antiga loja Artíndia – são iniciativas do Museu do Índio para agregar um conteúdo social e étnico às peças comercializadas pelos diferentes grupos indígenas brasileiros. A renda obtida reverte integralmente para os povos indígenas. Atividades diversificadas procuram contemplar a missão de divulgação do Museu, oferecendo ao público visitante mostras, palestras, projeção de vídeos e cursos de curta duração.

O Museu do Índio coordena, ainda, o Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (PROGDOC), uma iniciativa que estimula a participação direta dos índios pela promoção de oficinas de trabalho. Essa ação já alcança 135 aldeias de Norte a Sul do Brasil por meio de 42 projetos de documentação de línguas, culturas e acervos, beneficiando uma população de 30 mil índios. Outra ação da instituição é o Programa de Apoio a Projetos Cuturais cuja finalidade é promover as manifestações culturais tradicionais e contemporâneas dos povos indígenas.

Acervo Digital Etnográfico dos Povos Indígenas no Brasil
O repositório é primeiro acervo digital etnográfico no país sistematizado com tratamento museológico, e permite a realização de buscas com a utilização de filtros que vão desde o tipo de material do objeto, como cerâmicas, adornos, instrumentos musicais, etc., até pesquisas que exibem peças de acordo com os povos indígenas, como xavantes, guaranis, apurinãs e outros cento e quarenta e sete povos.

Para a organização do acervo foram adotadas classificações já consagradas na bibliografia etnológica, incluindo o Tesauro de Cultura Material dos Índios no Brasil, criado pelo próprio Museu do Índio e o Dicionário de Artesanato Indígena de Berta Ribeiro. Os itens do acervo têm em média vinte e cinco informações individuais, como o nome do povo, data de confecção, matéria prima do item, etc.

Além de coleções formadas por tipos de objetos, o acervo também reúne coleções feitas pelos próprios indígenas desde 1980, como trançados dos indígenas Xyhcaprô Krahô, Jacalo Kuikuro e Julia Macuxi, bem como as de plumárias, de Talukumã Kalapalo e Arrula Waurá e a grande coleção de cerâmica de Quitéria Pankararu.

O repositório utiliza o software-livre Tainacan para a gestão de todo o acervo, desenvolvido pelo Laboratório de Políticas Públicas Participativas (L3P) e implementado em parceria com servidores do Museu do Índio.

A construção do acervo representa um grande passo para o setor etnográfico brasileiro, entregando para a sociedade valiosas informações sobre a produção e utilização dos objetos indígenas reunidos pelo museu desde 1947, e também permitindo o acesso do repositório para toda a internet.

A importância do Marechal Rondon
A necessidade de proteger militarmente as fronteiras brasileiras e favorecer o progresso econômico resultou na organização da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso (1900-1906) e da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas (1907-1915), chefiadas por Rondon. Paralelamente aos seus objetivos estratégicos, essas comissões tiveram um papel pioneiro junto às populações indígenas contatadas, demarcando suas terras e assegurando aos índios trabalho nas obras para a instalação das linhas. A segunda, conhecida por Comissão Rondon, destacou-se pelo seu caráter científico, dando origem a uma série de estudos elaborados pelos mais importantes especialistas da época. A Comissão Rondon teve sob seus cuidados o contato com grupos indígenas desconhecidos, permitindo o estabelecimento de um padrão de relacionamento com essas populações. Isso contribuiu para a configuração de um corpo de normas e técnicas de pacificação. Assim, foram "pacificadas" diversas tribos consideradas hostis como os Kepkiriwát, Ariken e Nambikwara. Estes tornaram-se exemplos de modelo rondoniano de indigenismo, sintetizado na legenda "Morrer se preciso for, matar nunca". 

Evidenciava-se a necessidade da intervenção do Estado nas relações entre populações indígenas e sociedade nacional, intensificadas com a abertura de diversas frentes de expansão capitalistas. A polêmica envolvendo amplos setores da vida nacional sobre a regulamentação desses contatos levou, em 1910, o governo a criar o Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Para a direção geral, foi convidado Cândido Rondon, que conferiu à instituição as atribuições de assistência e proteção aos grupos indígenas dentro do princípio de respeito à diversidade cultural. 

Em 1939, o General Rondon assumiu a presidência do recém-criado Conselho Nacional de Proteção ao Índio, retomando a orientação da política indigenista, a fiscalização da ação assistencial do SPI e a vigilância dos direitos indígenas. 

Em 1952, Rondon apresentou ao Presidente Getúlio Vargas o projeto de criação do Parque do Xingu e testemunhou a criação, sob sua inspiração direta, do Museu do Índio, destinado a coletar material sobre as culturas indígenas, produzir conhecimento e repassá-lo à sociedade brasileira como forma de combater os preconceitos existentes contra os indígenas. 

Morreu em 1958, deixando como principal contribuição ao indigenismo nacional a formulação de uma política de respeito ao Índio e de responsabilidade histórica da nação brasileira pelos destinos dos povos indígenas que habitam o território nacional.

Sociedade Amigos do Museu do Índio
Prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do Maracanã.
Uma entidade sem fins lucrativos com o objetivo de manter a articulação entre o museu e a sociedade civil, a Sociedade Amigos do Museu do Índio desenvolve projetos voltados para a divulgação das culturas indígenas brasileiras; para a aquisição e conservação de acervos, com a intenção de preservar as tradições culturais indígenas e a promoção de cursos, seminários e outros eventos socioculturais.





Endereço: Rua das Palmeiras 55 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ – Brasil - CEP 22270-070
Visitação: de terça a sexta-feira, das 9 às 17h30;
Entrada gratuita.
Acessibilidade:  O casarão central, onde são apresentadas as exposições de longa duração, está preparado para proporcionar acessibilidade a seus visitantes.
Loja: O Programa Índio e Arte, desenvolvido pelo Museu do Índio, propõe a comercialização do artesanato de diferentes grupos indígenas brasileiros como uma ação de salvaguarda. Há peças em cerâmica, cestaria e objetos em madeira , além de, eventualmente, livros e CDs.





Edição e editoria
Irene Serra