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Natal - 2015
Escrevo a crônica de fim de ano no
dezembro anterior, sempre esperando que a emoção do período consiga dar cores
natalinas à mensagem para familiares e amigos. O apartamento vinte cinco dias
antes do Natal já está emocionadamente preparado. Sou simples apreciador e nisto
assumo o primeiro lugar na família. A árvore e múltiplos adornos são tirados e
guardados carinhosamente no Dia de Reis. Então a marca da comemoração do
nascimento de Jesus é a árvore de Natal? Digo que este fundamental acontecimento
é o foco principal, só que há sinais destes dias benvindos de dezembro da
entrada do elevador aos quartos. E mesmo a cozinha dá mostra que também
participa, até porque os dois velhos e os mais queridos terão sua ceia preparada
naquele cômodo. A árvore do ano passado aguentou o rojão, ainda que baleada e
com bandagens, visto que vento malvado quase a destrói. Já houve na sala
pinheiro de verdade, árvore estilizada e agora a deste ano veio por compra na
internet. A árvore não é ornamentada com muita coisa nova. Está carregada de
belezas, só que a maioria vem de festas passadas e principalmente os netos
procuram este ou aquele símbolo antigo. Alguns enfeites viram as crianças da
casa crescerem e estas, os netos, ainda volteiam a árvore para achá-los e até
comentar seu atual estado de conservação. E quem se encarrega desta
devoção/trabalhão é a Vovó Leca, que chamo de Maria Helena. Conto que aos
dezesseis anos, quando namoramos pela primeira vez, ela disse que gostaria de
comemorar os Natais na nossa futura casa. A intenção quase não acontece, porque
a moça vendeu meu passe por sofrido ano e meio. A dispensa do namorado foi em
função do seu gênio e ciúmes. Ele melhorou? Sejamos bondosos, que é Natal.
Amainou imotivados ciúmes e faremos, querendo Deus, cinquenta e oito anos de
casamento em fevereiro. Podem perguntar se não é coisa midiática trazer fatos
muito pessoais para um tipo mensagem de Feliz Natal. Confesso que creio ser a
data oportuna até para fazer um “streap tease” de sentimentos, porque estamos
todos muito carentes de romantismo, de reminiscências familiares e de conversas
sobre não futilidades. Precisamos conversar mais na família e com os amigos.
Descansemos um pouco os dedinhos digitadores e deixemos fluir nossa alma através
do aparelho fonador e com olhos nos olhos. Desta forma posso recomendar que
procurem ler o conto de O. Henry “O Presente dos Magos”, linda obra de amor,
romantismo, dificuldades e Natal. Há lugares em que os presentes de Natal são
trocados no Dia de Reis, ou dos Magos, daí o título do conto, que se ombreia com
o “Missa do Galo” de Machado de Assis em natalidade. Vale dizer que o conto de
O. Henry foi escrito na cadeia e o Natal lhe serviu de assunto para outros
escritos inesquecíveis, talvez até porque não pudesse comemorar a data fora da
prisão. E, quem tem Natal com os seus, deve valorizá-lo, rezar por manter
ideais, sempre se emocionar com o Natal e tentar manter durante os outros 364
dias do ano certa ingenuidade e paciência, vindas da nossa maior festa. E não é
que só falarei do Papai Noel nesta última linha! Então Viva Papai Noel!
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