01/02/2026
Ano 29  - Nº 1.493





Provérbio talmúdico: “Se quiseres conhecer o invisível, abra os olhos para o visível.”




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A perfeição de Deus



Em Brooklyn, Nova Iorque, Chush é uma escola que se dedica ao ensino de crianças deficientes. Algumas crianças permanecem em Chush por toda a vida escolar, enquanto outras podem ser educadas em escolas normais.

Em um jantar beneficente de Chush, o pai de uma criança fez um discurso que nunca seria esquecido pelos que estavam presentes.

Depois de elogiar a escola e seu dedicado pessoal, clamou ele: "Onde está a perfeição em meu filho Shaya? Tudo o que Deus faz é feito com perfeição. Mas meu filho não pode entender as coisas como outras crianças entendem. Meu filho não pode se lembrar de fatos e números como as outras crianças. Onde está a perfeição de Deus?"

Todos estavam chocados com a pergunta, com o sofrimento do pai.

Ele continuou: "Eu acredito que, quando Deus traz uma criança assim no mundo, a perfeição que ele busca está no modo como as pessoas reagem a esta criança".

E contou, então, a seguinte história sobre o seu filho Shaya.

Uma tarde, Shaya e eu caminhávamos por um parque onde alguns meninos que Shaya conhecia estavam jogando beisebol. Shaya me perguntou: - Você acha que eles me deixarão jogar?

Eu sabia que meu filho não era atlético e que a maioria dos meninos não o queria no time. Mas entendi que se o meu filho fosse escolhido para jogar, lhe daria uma confortável sensação de participação.

Aproximei-me de um dos meninos no campo e perguntei-lhe se Shaya poderia jogar. O menino deu uma olhada ao redor procurando pela aprovação dos seus companheiros de time. Mesmo não conseguindo nenhuma aprovação, ele assumiu a responsabilidade em suas próprias mãos e disse: "Nós estamos perdendo por seis rodadas e o jogo está na oitava rodada. Eu acho que ele pode estar em nosso time e nós tentaremos colocá-lo para bater até a nona rodada".

Fiquei exaltado quando Shaya abriu um grande sorriso.

Pediram a Shaya para vestir uma luva e ir ao campo para jogar. No final da oitava rodadada, o time de Shaya marcou alguns pontos mas ainda estava perdendo por três. No final da nona rodada, o time de Shaya marcou novamente e agora com dois fora e as bases com potencial para a rodada decisiva, Shaya foi escalado para continuar. O time deixaria Shaya de fato bater nesta circunstância e jogar fora a chance de ganhar o jogo? Surpreendentemente, foi dado o bastão a Shaya.

Todo o mundo sabia que era quase impossível porque Shaya nem mesmo sabia segurar o bastão. Porém, quando Shaya tomou posição, o lançador se moveu alguns passos para arremessar a bola suavemente, de maneira que Shaya pudesse ao menos rebater. Foi feito o primeiro arremesso e Shaya balançou desajeitadamente e perdeu.

Um dos companheiros do time de Shaya foi até ele e juntos seguraram o bastão e encararam o lançador. O lançador deu novamente alguns passos para lançar a bola suavemente para Shaya. Quando veio o lance, Shaya e o seu companheiro de time balançaram o bastão e juntos eles rebateram a lenta bola do lançador. O lançador apanhou a suave bola e poderia tê-la lançado facilmente ao primeiro homem de base. Shaya estaria fora e isso teria terminado o jogo. Ao invés, o lançador pegou a bola e lançou-a em uma curva longa e alta para o campo, distante do alcance do primeiro homem de base.

Todo o mundo começou a gritar: "Shaya, corra para a primeira base! Corra para a primeira!"

Nunca na vida dele ele tinha corrido... Tentou sair em disparada para a linha de base, com os olhos arregalados e assustado. Até que ele alcançasse a primeira base, o jogador da direita teve a posse da bola. Ele poderia ter lançado a bola ao segundo homem de base que colocaria Shaya para fora, pois ele ainda estava correndo. Mas o jogador entendeu quais eram as intenções do lançador, assim, ele lançou a bola alta e distante, acima da cabeça do terceiro homem de base. Todo o mundo gritou: "Corra para a segunda, corra para a segunda!".

Shaya correu para a segunda base enquanto os jogadores à frente dele circulavam deliberadamente para a base principal. Quando Shaya alcançou a segunda base, a curta parada adversária colocou-o na direção de terceira base e todos gritaram: "Corra para a terceira". Quando Shaya contornou a terceira base, os meninos de ambos os times correram atrás dele gritando: "Shaya, corra para a base principal!".

Shaya correu para a base principal, pisou nela e todos os 18 meninos o ergueram nos ombros fazendo dele o herói, como se ele tivesse vencido um "Campeonato" e ganho o jogo para o time dele.

"Aquele dia" - disse o pai docemente com lágrimas caindo sobre sua face - "esses 18 meninos alcançaram a perfeição de Deus. Eu nunca tinha visto um sorriso tão lindo no rosto do meu filho!"

Texto enviado por Maria José Contreras







Direção e Editoria
Irene Serra