01/11/2025
Ano 29
Semana 1.481






ARQUIVO

Eugénio de Sá







Eugénio de Sá

 

O aguçado gume da palavra



Tal como a adaga a palavra pode
cortar cerce uma esperança de ventura
desmembrando sonhos p’la loucura
de uma boca que calar não soube

E se a expressão esgrimida for demais
para o perdão possível de quem ouve
não haverá decerto quem a louve
nem indulgências que a soltem desse cais

E assim se perdem vidas deslaçadas
Por uma aleivosia libertina
Fruto de reacções descontroladas

Que o digam os amantes infelizes
Apartados p’la força destas mágoas
Que d’alguns actos foram maus juízes.





Direção e Editoria

Irene Serra