Sheila Sacks
Cientista britânico afirma que leis da física podem tornar vida extraterrestre similar à da Terra
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Para o astrobiólogo britânico Charles Cockell (59), professor da Escola de
Física e Astronomia da Universidade de Edimburgo e codiretor do Centro de
Astrobiologia do Reino Unido (UK Centre for Astrobiology), se existir vida
extraterrestre ela poderá parecer “estranhamente similar à da terra” porque a
física restringe a forma.
Em seu livro “As Equações da Vida” (The
Equations of Life: How Physics Shapes Evolution) Cockell propõe uma biologia
universal. Ele afirma que as leis da física canalizam a vida para formas
restritas e delimitam o escopo da evolução. Assim, a maior parte dos seres
vivos, de acordo com a sua teoria, é talhada por regras que podem ser
“chocantemente” estreitas.
“As leis da física são as mesmas em todos
os lugares”, diz Cockell, que completou doutorado em Biofísica Molecular na
Universidade de Oxford. “A gravidade, por exemplo, é onipresente, não
exclusiva do nosso Sistema Solar. Portanto, as mesmas restrições estão em todo
lugar. Moléculas orgânicas, na Terra ou em outro ambiente, ainda se
desintegram em altas temperaturas e se desativam nas baixas.”
Ele
explica que certos ingredientes são indispensáveis para a vida em quase todo
lugar. O carbono é o elemento ideal para montar a vida florescente e a água é
o melhor solvente para transportá-lo. “Ao estudar a vida na Terra obtemos
ideias sobre onde procurar vida no espaço para responder àquela antiga
questão: a vida na Terra é o único exemplo de vida, ou existe vida em outros
planetas? São essas questões-chave da astrobiologia que vão determinar quais
condições tornam um ambiente habitável”, reforça.
Elementos básicos
Segundo o cientista, também autor de “Astrobiology: Understanding
Life in the Universe”, livro que investiga a habitabilidade de outros
planetas, “os critérios básicos incluem a presença de água líquida, pois ela
fornece o meio para as reações químicas essenciais à vida. Igualmente
importante é a disponibilidade de certos elementos – carbono, nitrogênio,
fósforo e oxigênio – juntamente com uma fonte de energia, seja a luz solar
para a fotossíntese ou compostos químicos capazes de sustentar os processos
biológicos”. Ele ressalta que as condições não devem ser extremas porque
temperaturas de centenas de graus são incompatíveis com a vida como a
conhecemos.
“Ainda assim”, enfatiza Cockell, “é importante lembrar que
esses requisitos se baseiam na vida como a entendemos hoje, e devemos sempre
manter a mente aberta para a possibilidade de descobrirmos vida com requisitos
completamente diferentes”.
“Nosso próprio planeta é um exemplo,
continua. “No oceano, criaturas com corpos finos e adaptáveis predominam no
sentido de se moverem rápido pela água. Na terra, a maioria dos animais tem
membros ou apêndices para se movimentar, e no céu os pássaros são governados
pelas leis de aerodinâmica.”
Cockell avalia que os alienígenas talvez
não tenham braços e pernas, mas sim tentáculos para agarrar objetos. E que,
provavelmente, possam ter olhos, ouvidos e uma boca, mas não da maneira que
conhecemos. “Uma boca não precisa estar precisamente abaixo dos olhos”,
assinala. Dessa forma, adaptações alienígenas semelhantes à vida terrestre –
de humanoides a beija-flores – podem ter surgido em bilhões de mundos.
Novas descobertas
Entre as descobertas mais surpreendentes das
duas últimas décadas apontadas por Cockell está o vasto número de lugares no
universo que parecem ter água líquida, um dos requisitos básicos para a vida.
“Quarenta anos atrás, as pessoas estavam interessadas apenas em procurar vida
em Marte. Agora descobrimos oceanos sob as crostas geladas de luas que orbitam
Saturno e Júpiter, bem distantes no Sistema Solar.”
Outra observação de
Cockell se refere ao fato de que os astrônomos também estão muito interessados
em procurar o gás oxigênio em planetas distantes, “gás que na Terra é
produzido em altas concentrações por plantas e organismos unicelulares na
fotossíntese". Ele destaca que nesse campo também existem abordagens
“incomuns” denominadas “métodos agnósticos”, aqueles que não exigem
conhecimento de como a própria vida é construída.
“Por exemplo, muitas
moléculas em nossos corpos, como as proteínas, são compostas de longas
cadeias. Isso porque longas cadeias podem conter muita informação. Então,
podemos especular que qualquer biologia complexa no universo seria composta de
moléculas de cadeia longa”, relata. “Logo, uma maneira de procurar por vida
seria buscar moléculas longas que não dependessem de nenhum conhecimento de
como essa biologia foi construída. Atualmente, há pessoas trabalhando na
construção de tais instrumentos”, informa.
Ao longo da carreira, o
físico britânico fez descobertas importantes relacionadas a micróbios que
podem ser usados para extrair recursos do espaço e que toleram altos níveis de
dessecação. Também realizou pesquisas sobre a relação entre impactos de
asteroides e cometas e a criação de novos habitats para a vida.
Com
consultas ao Universe Space Tech e Forbes
Sheila Sacks é
jornalista e trabalha em Assessoria de Imprensa na cidade do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro, RJ
http://sheilasacks.blogspot.com
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Direção e editoria
Irene Serra
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