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Sheila Sacks
CHINA EM ALTA NO BRASIL APESAR DOS ALERTAS DAS ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS
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Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 26 de agosto
mostrou um aumento da percepção positiva dos brasileiros em relação à China.
Houve uma alta de 11pontos em relação a fevereiro, evoluindo de 38% para 49%
os percentuais dos que veem o país asiático de forma favorável. O
levantamento também detalha que a China lidera a aprovação entre os que
ganham até dois salários mínimos (45%).
Em entrevista à plataforma de
notícias G1 (26/8), o diretor da Quaest, Felipe Nunes, considerou o tarifaço
de Trump aos produtos brasileiros, que entrou em vigor em 6/8, o principal
fator de influência na sondagem, visto que a percepção negativa em relação
aos Estados Unidos aumentou de 24% para 48%. Mas, entre os brasileiros que
recebem mais de cinco salários mínimos, a avaliação positiva aos EUA lidera
com 53%, aponta o mesmo levantamento. Vigilância e intimidação
Relatório anual da Anistia Internacional sobre os direitos humanos no mundo,
disponibilizado pela ONG em abril deste ano em sua plataforma on-line, acusa
o governo chinês de continuar a aplicar leis e políticas repressivas que
restringem o direito à liberdade de expressão e à liberdade religiosa.
Ao
longo de 2024, defensores dos direitos humanos foram perseguidos,
processados e condenados a longas penas de prisão. Ativistas que viviam no
exterior enfrentaram ameaças e intimidação. Líderes religiosos foram presos
e novos regulamentos limitando ainda mais a liberdade de religião e crença
entraram em vigor no país, relata a instituição com sede em Londres.
“Novos regulamentos foram emitidos pelo ministério de Segurança concedendo
poderes adicionais aos agentes da lei para inspecionar dispositivos
eletrônicos, incluindo os de visitantes estrangeiros na China”, afirma o
documento, que destaca ainda outros pontos de assédio e constrangimento
ocorrido ao longo do ano passado: - estudantes chineses, alunos em
universidades na Europa Ocidental e Estados Unidos, enfrentaram vigilância e
censura on-line e off-line por parte de agentes estatais;
- defensores
dos direitos humanos, incluindo ativistas, advogados e jornalistas,
continuaram a enfrentar intimidação, assédio, detenção arbitrária, tortura e
maus-tratos;
- regulamentos religiosos sofreram revisões mais restritivas
e entraram em vigor limitando ainda mais a liberdade de religião e crença;
– o acesso às informações sobre dados oficiais, como a aplicação da pena de
morte, ficou ainda mais rigoroso pelas revisões da Lei de Proteção de
Segredos de Estado;
- o espaço para a liberdade de expressão, já
altamente cerceado pela Lei de Segurança Nacional (NSL) e outras normas
repressivas, diminuiu ainda mais;
- e em Hong Kong uma nova lei de
segurança nacional restringiu ainda mais o espaço cívico e dezenas de
ativistas pró-democracia foram condenados às duras penas de prisão.
Órgão
jurídico da ONU faz alerta
O relatório da Anistia (Amnesty
International), disponível na internet, expõe a situação de ativistas e
advogados presos pelo regime enquanto atuavam em defesa de direitos civis e
trabalhistas, de melhores condições de saúde para as mulheres, e de um
espaço maior de discussões na sociedade. Em outubro do ano passado, a
ativista He Fangmei foi condenada a cinco anos e seis meses de prisão por
sua campanha por vacinas seguras. Também condenadas a cinco e três anos e
meio de prisão as ativistas do movimento #MeToo e de direitos trabalhistas,
Sophia Huang Xueqin e Wang Jianbing, denunciadas por "incitação à subversão
do poder estatal". Defensores dos direitos humanos, os advogados Li Yuhan e
Chang Weiping, após cumprirem as penas prisionais e serem libertados,
sofreram mis sanções e foram privados de seus “direitos políticos”.
A
Anistia também nomeou a China como o “principal carrasco do mundo”, com
milhares de pessoas sendo executadas, 40% relacionadas ao tráfico de drogas.
Na ONU, a Relatora Especial sobre a Independência de Juízes e Advogados,
Margaret Satterthwaite, expressou preocupação “sobre as restrições
administrativas, criminalização e outros padrões de interferência no
trabalho de advogados”. Para a especialista, “profissionais de direitos
humanos que trabalham em casos delicados foram particularmente visados no
país”.
Perseguição religiosa com prisões
Artigo publicado pela
Catholic News Agency (CNA), em 21/10/2024, revelou a repressão a dez bispos
católicos chineses por resistirem a se submeter ao controle estatal da
Associação Católica Patriótica Chinesa (CPCA), uma organização criada em
1957, ligada ao Partido Comunista, e que na prática exerce vigilância e
emite diretrizes para os religiosos. A informação está contida no
relatório “Ten Persecuted Catholic Bishops in China”, de 17/10, assinado
pela advogada de direitos humanos Nina Shea, diretora do Centro para a
Liberdade Religiosa do Instituto Hudson, uma instituição americana de
pesquisa sobre políticas publicas, relações internacionais, segurança e
demais questões da atualidade. Ela escreve que sete sacerdotes estão presos,
“sem o devido processo legal, alguns deles sob detenção contínua por anos ou
décadas”, como o bispo Julius Jia Zhiguo, de 90 anos, cujo “crime” foi ter
permitido que hinos fossem cantados em sua igreja sem a permissão do
governo. O documento de 56 páginas assinala que os bispos mencionados
foram submetidos a “investigações policiais sem prazo determinado,
banimentos de suas dioceses e outros impedimentos ao seu ministério
episcopal, incluindo ameaças, vigilância, interrogatório e a chamada
reeducação”. Lembrando ainda que a Organização Repórteres Sem Fronteiras
classificou a China como "a maior prisão de jornalistas do mundo". Em seu
relatório divulgado em maio, a ONG internacional denuncia que atualmente 109
jornalistas estão presos em condições severas na China, inclusive a
jornalista Zhang Zhan que divulgou a epidemia de Covid-19. Ela cumpriu pena
de quatro anos de prisão e voltou a ser detida em agosto do ano passado. No
ranking mundial de liberdade de imprensa, a China este ano ocupa a 178ª
posição entre 180 países como um dos piores lugares para jornalistas
trabalharem e viverem, atrás apenas da Coreia do Norte e Eritreia. O país
caiu seis posições em relação a 2024.
O estudo atesta que “para silenciar
os jornalistas, o governo chinês acusa-os de ‘espionagem’, ‘subversão’ e de
‘incitar tumulto e provocar desordem’, três crimes cuja definição é tão vaga
que podem ser invocados praticamente em qualquer contexto”. A mídia é
controlada pelo Estado que “multiplica os obstáculos ao trabalho dos
correspondentes estrangeiros”. E reforça: “todos os dias o departamento de
Propaganda do Partido Comunista envia aos meios de comunicação uma lista
detalhada de tópicos a serem destacados e outra de tópicos cuja abordagem é
proibida, sob pena de sanções.”
A China é a segunda maior economia do
mundo, depois dos Estados Unidos, e o terceiro país em extensão territorial,
só perdendo para a Rússia e o Canadá. Uma em cada cinco pessoas no mundo
vive na China que até 2023 era o país mais populoso, com 1,4 bilhão de
habitantes. Atualmente cabe à Índia esse título. O salário mínimo mensal é
de 378 dólares (em torno de dois mil reais, no câmbio atual), conforme dados
divulgados pelo site China Briefing.

Sheila Sacks é
jornalista e trabalha em Assessoria de Imprensa na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ
http://sheilasacks.blogspot.com
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Direção e Editoria Irene Serra
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