Pedro Franco
AMOR AO BRASIL – Helmuth Sick I
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E
como o Brasil precisa que o amem! Na monumental obra “Ornitologia
Brasileira”, de Helmuth Sick, encontramos na contra capa do livro o trecho
abaixo e que tem por título “Um sábio discreto”. Creio que será ótima surpresa
ver quem o assina. “Entre os brasileiros silenciosos, que trabalham com
competência pelo desenvolvimento nacional, na área do conhecimento da
Natureza, é de justiça incluir o professor Helmut Sick, titular da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Natural de Leipzig e jovem
ornitólogo chegou ao Rio de Janeiro em 1939. Assim narrei em crônica, mais
tarde, o que lhe sucedeu. “Recém casado, teve a má sorte de embarcar para o
Brasil às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Deixou esposa na Alemanha e veio
embrenhar-se nas matas do Rio Doce, no desempenho de missão científica
resultante de convênio internacional. O Brasil entra em guerra com a Alemanha,
e todo alemão passa a ser considerado espião perigoso. Pelo menos em
potencial; pelo sim pelo não, é internado na Ilha Grande. Aí não podendo
estudar aves em sua cela, estuda míseros companheiros de solidão: pulgas,
percevejos, cupins e só destes últimos, identificou onze espécies
desconhecidas. Melhorando o tempo em relação aos estrangeiros, Sick é
contratado pela Fundação Brasil Central e apanha malária, de que padece, até o
fim de sua vida. Nada disso impediu que continuasse a aplicar todo o seu
fervor no estudo da avifauna do Brasil e então se naturalizou brasileiro. Hoje
existem mais de 160 monografias publicadas sobre nossas aves e outras de
diferentes países. Recusou o cargo de Diretor da Seção de Ornitologia do Museu
Zoológico de Berlim, para ser funcionário do Museu Nacional do Rio de janeiro,
onde seu salário, em 1975, alcançava 450 cruzeiros novos. Esse homem, da maior
probidade científica, tem hoje renome internacional. Não sou eu, cronista de
coisas fugitivas, que afirmo, é o que vozes autorizadas e sua vida já
proclamaram. Não obstante seu prestígio como cientista, cultiva extrema
discrição e simplicidade, vivendo a distância dos clarins publicitários. Seu
livro Ornitologia Brasileira, obra de uma vida e de um sábio, acrescenta
matéria relevante à bibliografia brasileira da ciência. Obrigado, Professor
Sick, em nome dos homens, das mulheres e das aves do nosso País. (Carlos
Drummond de Andrade) Com tantos brasileiros ilustres por que levar ao
ensaio um alemão e falando de amor? É pergunta que aceito e prometo dar
resposta no texto abaixo, ainda que acima o poeta tenha dado seu aval
patriótico ao Pesquisador. Helmut Sick se interessou pelo estudo das aves
ainda na juventude. Primeiramente, ele foi atraído pela vocalização das aves
e, devido às suas habilidades musicais, passou a se aprofundar no assunto. Com
apenas 18 anos de idade se tornou membro do Verein Sächsischer Ornithologe..
Sick foi assistente no Departamento de Ornitologia do Museu de Zoologia da
Universidade Friedrich Wilhelm de Berlim em 1938. Primeira expedição no
Brasil. Em 1939 veio para pesquisa da Ornitologia ao Brasil com outro
pesquisador. Desentenderam-se, Schneider voltou à Alemanha, Sick decidiu
permanecer no Brasil e continuar as pesquisas. Frases de HS – “Quando o luar
era mais forte, a barulhada se tornava infernal em torno do nosso acampamento.
Participavam da algazarra principalmente os bacuraus, que se diria entregue a
um completo delírio. Deitado na rede eu escutava, tentando destrinchar o
emaranhado de sons. A pouca distância uma da outra, três espécies distintas se
rivalizavam. Um bacurau de voz aflautada, suave e melodiosa era ouvido a
intervalos de três a quatro segundos. A intervalos menores, de um a dois
segundos, soava o ronco brusco de outro....".
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pdaf35@gmail.com
Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO. 634
prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina,
105 publicações. E bisavô. contista, cronista, autor teatral.
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Serra

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