01/10/2026
Ano 30
Nº 1.525



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Pedro Franco







Pedro Franco


AMOR AO BRASIL – Helmuth Sick I

E como o Brasil precisa que o amem! Na monumental obra “Ornitologia Brasileira”, de Helmuth Sick, encontramos na contra capa do livro o trecho abaixo e que tem por título “Um sábio discreto”. Creio que será ótima surpresa ver quem o assina.

“Entre os brasileiros silenciosos, que trabalham com competência pelo desenvolvimento nacional, na área do conhecimento da Natureza, é de justiça incluir o professor Helmut Sick, titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Natural de Leipzig e jovem ornitólogo chegou ao Rio de Janeiro em 1939. Assim narrei em crônica, mais tarde, o que lhe sucedeu. “Recém casado, teve a má sorte de embarcar para o Brasil às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Deixou esposa na Alemanha e veio embrenhar-se nas matas do Rio Doce, no desempenho de missão científica resultante de convênio internacional. O Brasil entra em guerra com a Alemanha, e todo alemão passa a ser considerado espião perigoso. Pelo menos em potencial; pelo sim pelo não, é internado na Ilha Grande. Aí não podendo estudar aves em sua cela, estuda míseros companheiros de solidão: pulgas, percevejos, cupins e só destes últimos, identificou onze espécies desconhecidas. Melhorando o tempo em relação aos estrangeiros, Sick é contratado pela Fundação Brasil Central e apanha malária, de que padece, até o fim de sua vida. Nada disso impediu que continuasse a aplicar todo o seu fervor no estudo da avifauna do Brasil e então se naturalizou brasileiro. Hoje existem mais de 160 monografias publicadas sobre nossas aves e outras de diferentes países. Recusou o cargo de Diretor da Seção de Ornitologia do Museu Zoológico de Berlim, para ser funcionário do Museu Nacional do Rio de janeiro, onde seu salário, em 1975, alcançava 450 cruzeiros novos. Esse homem, da maior probidade científica, tem hoje renome internacional. Não sou eu, cronista de coisas fugitivas, que afirmo, é o que vozes autorizadas e sua vida já proclamaram. Não obstante seu prestígio como cientista, cultiva extrema discrição e simplicidade, vivendo a distância dos clarins publicitários. Seu livro Ornitologia Brasileira, obra de uma vida e de um sábio, acrescenta matéria relevante à bibliografia brasileira da ciência. Obrigado, Professor Sick, em nome dos homens, das mulheres e das aves do nosso País. (Carlos Drummond de Andrade)

Com tantos brasileiros ilustres por que levar ao ensaio um alemão e falando de amor? É pergunta que aceito e prometo dar resposta no texto abaixo, ainda que acima o poeta tenha dado seu aval patriótico ao Pesquisador. Helmut Sick se interessou pelo estudo das aves ainda na juventude. Primeiramente, ele foi atraído pela vocalização das aves e, devido às suas habilidades musicais, passou a se aprofundar no assunto. Com apenas 18 anos de idade se tornou membro do Verein Sächsischer Ornithologe.. Sick foi assistente no Departamento de Ornitologia do Museu de Zoologia da Universidade Friedrich Wilhelm de Berlim em 1938.

Primeira expedição no Brasil. Em 1939 veio para pesquisa da Ornitologia ao Brasil com outro pesquisador. Desentenderam-se, Schneider voltou à Alemanha, Sick decidiu permanecer no Brasil e continuar as pesquisas. Frases de HS – “Quando o luar era mais forte, a barulhada se tornava infernal em torno do nosso acampamento. Participavam da algazarra principalmente os bacuraus, que se diria entregue a um completo delírio. Deitado na rede eu escutava, tentando destrinchar o emaranhado de sons. A pouca distância uma da outra, três espécies distintas se rivalizavam. Um bacurau de voz aflautada, suave e melodiosa era ouvido a intervalos de três a quatro segundos. A intervalos menores, de um a dois segundos, soava o ronco brusco de outro....".


- Comentários sobre os textos podem ser enviados ao autor, no email pdaf35@gmail.com 




Pedro Franco é médico cardiologista, Professor Emérito UNIRIO.
634 prêmios literários, sendo 25 fora do Brasil; 28 livros publicados/ Em Medicina, 105 publicações. E bisavô.
contista, cronista, autor teatral.

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