A premissa básica deste texto é que, em uma
economia de mercado pura, os empregos e a maior parte da renda são gerados
pela atividade empresarial. Por essa razão, as empresas públicas que atuam
na produção de bens e serviços que podem ser ofertados pelo mercado
deveriam, em princípio, ser privatizadas ou operar mediante concessões. A
produção seria, assim, realizada nos mercados de produtos, de fatores de
produção e de serviços, sob a coordenação dos empresários e pelos mecanismos
de oferta e demanda.
Por outro lado, os salários dos funcionários
públicos, bem como os rendimentos pagos por ONGs, igrejas e outras
organizações que dependem de recursos públicos, são financiados, direta ou
indiretamente, por receitas provenientes de impostos e outras fontes de
arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais. Em última
instância, esses recursos têm origem na renda gerada pelas atividades
econômicas e pelos cidadãos e empresas que compõem a economia.
Isso
ocorre porque a principal fonte de financiamento dos governos, em uma
economia de mercado, é a arrecadação de tributos sobre a renda, o consumo, o
patrimônio e as atividades econômicas de empresas e trabalhadores.
É
importante reconhecer, entretanto, que existem diversos outros modelos
econômicos nos quais o Estado assume funções de produção e oferta de bens e
serviços que, em uma economia de mercado mais pura, seriam predominantemente
desempenhadas pelo setor privado.
Outro aspecto de grande importância é a
ocorrência de déficits públicos. Déficits persistentes podem produzir
efeitos relevantes sobre a economia, especialmente quando resultam em
aumento do endividamento público, da inflação e das taxas de juros.
Dependendo das circunstâncias, esses efeitos podem reduzir os investimentos,
o consumo, o emprego e o crescimento da renda.
Em uma economia de mercado
competitiva, as empresas são permanentemente submetidas aos mecanismos de
mercado. Empresas que não conseguem produzir com eficiência, atender à
demanda ou cobrir seus custos tendem a perder mercado e, em última
instância, podem encerrar suas atividades. Esse mecanismo de seleção
econômica funciona como um incentivo permanente à eficiência técnica e
econômica.
Em outros modelos econômicos, especialmente quando há menor
exposição à concorrência e aos mecanismos de mercado, podem surgir níveis
mais elevados de ineficiência técnica e econômica, com possíveis efeitos
negativos sobre a produtividade, o emprego, a renda e o bem-estar da
população.
Da mesma forma, economias que mantêm déficits públicos
elevados e persistentes podem enfrentar desequilíbrios macroeconômicos que,
se não forem adequadamente administrados, contribuem para o aumento da
inflação, dos juros e do endividamento, com possíveis consequências
negativas sobre a renda e as condições de vida da população.
Daí a
importância de governos responsáveis na gestão das finanças públicas,
evitando políticas fiscais excessivamente expansionistas e gastos públicos
que não sejam acompanhados de fontes sustentáveis de financiamento.
Em
síntese, uma economia de mercado depende de regras estáveis, concorrência,
responsabilidade fiscal, segurança jurídica e liberdade para que empresas e
indivíduos possam investir, produzir, trabalhar e consumir. Quando esses
princípios são enfraquecidos por distorções persistentes, sejam elas
decorrentes de excesso de intervenção estatal, de déficits públicos elevados
ou de outras formas de ineficiência, podem surgir consequências negativas
para o crescimento econômico e para o bem-estar da população.

Direção e editoria
Irene Serra