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01/09/2026
Ano 30 - Nº 1.521

ARQUIVO
CARLOS TRIGUEIRO

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(Texto arrastado de meu primeiro livro: MEMÓRIAS DA LIBERDADE, 1985,
Editora Achiamé, Rio de Janeiro/RJ)
Comento o que passa, pode passar, já passou, não passará. Janela
virtual que enquadra o espaço, arredonda passagens, embarca o tempo,
salta estações, retira bagagem: entre as minhas imagens imorredouras
estão as janelas.
Primeiro, o esforço que fazia na ponta dos pés
para ganhar alguns centímetros e ter a linha da vista sobre os balcões.
Um ano ou um palmo depois conseguia divisar as estacas limítrofes do
nosso quintal, os embuás se enrodilhando na terra, e lagartas
esverdeadas sanfonando o corpo no tronco dos mamoeiros.
Com os
olhos e pelas janelas fiz minhas primeiras excursões. Acompanhava, de
longe, a evolução das borboletas amarelas (como nunca mais vi)
sobrevoando os quintais; tentava decifrar a forma das nuvens até a vista
cansar; navegava em cascas de ingá que desciam nas enxurradas caudalosas
junto ao parapeito.
Pelas janelas entravam o sorriso do sol
diariamente e as broncas das trovoadas de vez em quando. E tinham
estranha magia: quando o mundo terminava lá fora, fechavam as janelas.
No outro dia, abriam as janelas de novo.
E o mundo
recomeçava.
Rio Total,
01/11/2017,
Nº 1.051
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carlostrigueiro28@gmail.com
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Direção e
Editoriabr>
Irene Serra

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