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16/07/2026 Ano 29 - Nº 1.515

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BRUNO KAMPEL

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Bruno Kampel
SIONISMO É RACISMO?
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Não, Claro que não é. Da mesma forma que
Islamismo não é terror nem sexo é promiscuidade nem dinheiro é necessariamente
o produto da exploração do homem pelo homem.
O que sim é verdade é que
existem sionistas racistas, e muçulmanos terroristas, e não poucos degenerados
sexuais, e não menos capitalistas sem entranhas.
No saber e querer
diferenciar a uns dos outros, os doentes de ódio dos sãos de espírito, os
inimigos mortais dos amigos leais, é onde reside a principal qualidade que nos
faz diferentes dos irracionais. Hitler e Torquemada, Mussolini e o Mufti
al-Husseini, não o souberam nem o quiseram, e por isso nos legaram como
herança a ignomínia das suas idéias, a sem-vergonhice dos seus atos, e
bastantes páginas negras da nossa História escritas com o sangue inocente das
suas vítimas.
Hoje e agora, as minorias fundamentalistas islâmicas, judias
e cristãs, tropeçando de novo na mesma pedra, transitam por igual caminho em
direção ao mesmo precipício.
O fundamentalismo islâmico, com os seus
ataques suicidas, que além de matar judeus inocentes da forma mais covarde
concebida pela mente humana, salpicam com esse sangue a honra e a imagem da
sua própria religião, já que o nome de Alá fica irremediavelmente associado a
essa barbárie cometida em seu nome.
O fundamentalismo judeu, organizado em
seitas religiosas e gangues laicas, ao tentar impor suas loucas ideias de um
deus vingativo e exclusivo, e de um Grande Israel Bíblico do ponto de vista
territorial, ao qual o povo judeu renunciou expressamente ao assinar a
partição da Palestina, usando para tal fim não apenas o discurso ou a
propaganda, mas as armas e o assassinato dos líderes do Estado de Israel
(começaram com Rabin)
O fundamentalismo cristão, incitando ao ódio às
outras religiões e apoiando e aplaudindo a tortura dos inimigos de seu deus
todo-poderoso, transformando o conflito numa guerra santa contra o Islã, e o
exército dos Estados Unidos em Soldados do Cristianismo (por analogia, os
novos cruzados).
Compete a todos os que não nos deixamos arrastar por
slogans pré-fabricados ou por medos manipulados pelos porta-vozes do além,
enfrentar-nos a esse tudo ou nada que eles propõem, construindo uma estrada
transitável que conduza à concórdia e não ao cemitério; a bom porto e não ao
naufrágio da esperança.
Visto isso, só resta então formular a pergunta do
milhão: afinal, o que é sionismo?...
A minha modesta resposta a esse enorme
interrogante começa no início do túnel do tempo, quando o povo judeu abandonou
a terra prometida por razões alheias à sua vontade (ou sumir ou sucumbir).
Durante milênios então, o sionismo hibernou no útero de uma frase simples,
representando apenas a verbalização de um desejo irreprimível, um sonho
condensado em poucas e premonitórias palavras: no ano que vem em Jerusalém (be
shaná haba’á birushaláim, em hebraico).
E assim o sionismo, que nem mesmo
sabia que esse era o seu verdadeiro nome, vivia e sobrevivia em estado latente
dentro dessa simples frase que foi passando de geração em geração, de boca em
boca, de coração a coração, até um dia qualquer do um ano qualquer do século
XIX, em que alguns judeus decodificaram a vontade de grande parte da diáspora
de voltar para casa, considerando que havia chegado a hora de traduzir a
mensagem genética contida na pequena frase herdada, à linguagem dos fatos,
propondo táticas e estratégias que permitissem transformar o exílio imposto em
retorno; a prece milenar em pátria.
E foi assim que esse sionismo ganhou
nome próprio, sobrenome comum e um projeto de viabilização, começando então a
construção de uma ponte que unisse o sonho herdado à realidade possível.
Era o começo do fim do desarraigamento para todos aqueles que assim o
quisessem, ainda que as resistências não fossem poucas nem banais, já que a
maioria do Establishment religioso se opunha (e ainda o faz depois dequase 78
anos de independência) esgrimindo argumentos paridos na diáspora, sem qualquer
relação com os livros sagrados, segundo os quais o retorno só será permitido
com a chegada do Messias.
Essa foi a razão pela qual o Sionismo pioneiro
foi fundamentalmente laico, e ainda o é, apesar de ter deixado de ser um
projeto virtual para transformar-se no Estado de Israel real. Não o Israel
maximalista dos fundamentalistas, mas sim o Israel possível dos realistas.
Indivíduos primeiro e grupos depois, foram pouco a pouco desembarcando do
navio do tempo nos portos da velha pátria, e iniciaram a empreitada, plantando
famílias no deserto e nas cidades; secando pântanos e sobre eles implantando
produtivas fazendas coletivas; erigindo escolas para todos os alunos,
hospitais para todos os doentes e prisões para todos os criminosos.
Isso é
sionismo: o puro e simples direito de reconstruir a casa nacional sobre parte
do território primitivo e nela acolher a todos os que desejarem fazer a viagem
de volta (as fronteiras – não o esqueçamos - foram democraticamente aceitas
pelos representantes do povo de Israel, renunciando a qualquer reivindicação
de territórios fora dos limites aprovados).
Hoje, entretanto, constatamos
com pesar e temor, que no corpo do Estado de Israel crescem e se multiplicam
pequenos tumores malignos cujas metástases comprometem seriamente a saúde do
país. É o tal do hiper-sionismo ou mega-sionismo, inspirado no fundamentalismo
religioso radical, aliado a uma visão fundamentalista laica de
extrema-direita, de ignorar todo o trabalho feito para a construção do Estado
de Israel, das suas leis, das suas fronteiras, das assinaturas nos acordos
internacionais, do respeito aos direitos humanos de todos os humanos, com a
malsã intenção de implantar a pátria bíblica dos contos de fadas, tanto no que
respeita à sua dimensão territorial (expulsando a milhões de palestinos de
suas terras e anexando-as) quanto à imposição de um Estado clerical ao estilo
das repúblicas islâmicas mais retrógradas. E isso – que não caiba nenhuma
dúvida ao respeito - não é sionismo. Isso é pura e simplesmente anti-sionismo,
e deve ser combatido por todos aqueles que vêm no Estado de Israel (e não na
terra de Israel) a tradução fidedigna do sonho gerado e gestado pelo povo
judeu ao longo dos séculos no seu caminhar diaspórico.
O sionismo é um
direito e não um dever, e o Estado de Israel é o fecho de ouro dessa travessia
de ida e volta do povo judeu.
(Ro Total,
25/06/2005
CooJornal Nº 426)
Bruno Kampel
Advogado, escritor
Direitos Reservados.

Direção e Editoria
Irene Serra |
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