25/05/2014
CooJornal nº 893




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Antonio Nahud













Antonio Nahud



SENTADO EM UM BARRIL DE PÓLVORA

 


O inacreditável aconteceu. A paciência do pacato sangue brasileiro acabou. De uma hora pra outra. Sem sinais, sem sintomas. De forma avassaladora, desproporcional. Assustadora. Algo aconteceu. Uma faísca acendeu um barril de pólvora que parecia estar eternamente molhada. Não estava. Ontem, finalzinho de tarde, na baiana de acarajé, falava-se sobre política. Hoje, cedinho, na padaria, discutia-se o mesmo. Há uma repentina conscientização política. Até pouco tempo atrás, esse bafafá somente acontecia na boca das eleições. Agora, em qualquer esquina ou ocasião, fala-se com indignação da corrupção nas altas esferas, dos impostos injustos que pagamos, da farsa da Copa do Mundo, da astúcia do voto obrigatório, das artimanhas maquiavélicas do governo petista, do caos na saúde etc.

O boca a boca cresce a olhos vistos. Se nessa insatisfação generalizada surgirem líderes carismáticos com poder de aglutinação social será o estopim de manifestações, passeatas, greves, vandalismos e até, quem sabe, uma guerra civil. Quem viver verá. A coisa tá feia. E já repercute lá fora, e vai repercutir ainda mais. O mundo está vendo. E não vai reconhecer o carnavalesco Brasil. Aquele país paradisíaco, em que o povo aceitava passivo mandos e desmandos, já não parece ser o mesmo. A revolta é imprevisível, é verdade. Mas a curto prazo, vai crescer. Alô politicada. Apertem os cintos. O piloto sumiu.

Imagem: “Teseu e o Minotauro”, de Étienne-Jules Ramey (1796-1852).






Antonio Nahud,
escritor, poeta, jornalista e fotógrafo.
Autor de Ficar Aqui Sem Ser Ouvido Por Ninguém entre vários outros livros
RN
https://www.ofalcaomaltes.blogspot.com.br


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