|

16/11/2025 Ano 29
- Nº 1.483
Arquivo
Antonio Nahud

Venha nos visitar no Facebook
|
Antonio Nahud Júnior
CREPÚSCULO DOS DEUSES: ESTRELAS NA MISÉRIA
|
|
Para quem pensa que toda vida de estrela é um mar de rosas, engana-se.
Existem casos comoventes e incríveis de atores e atrizes que um dia foram
ricos e famosos e terminaram na sarjeta, seja por vícios, golpes de
parceiros ou péssima administração de seus bens. O próprio cinema retratou
algumas vezes esse final trágico. No clássico “Crepúsculo dos
Deuses/Sunset Boulevard” (1950), de Billy Wilder, Norma Desmond (Gloria
Swanson) é uma antiga e decadente star do cinema mudo. Em “Lágrimas
Amargas/A Star” (1952), Bette Davis faz Margaret Elliot, uma atriz sem
trabalho e sem dinheiro que um dia foi famosa. Viu o seu mundo desabar ao
vender todas as suas coisas e ir morar em um apartamento simplório. Começa
a beber. Em uma das suas bebedeiras, é presa, e volta aos jornais, desta
vez com destaque negativo. Ela tem uma filha que mora com seu ex-marido,
por não ter condições de criá-la. Exatamente como na vida real, onde
glamour e tragédia caminham juntos. Listei alguns famosos do cinema que
perderam tudo o que tinham.
VERONICA LAKE (1919-1973)
Quando morreu, em julho de 1973, ela trabalhava como criada de drive-in,
local onde o telespectador senta-se dentro do seu próprio carro para
assistir o filme ou namorar. No curso de sua curta e badalada carreira nos
filmes da Paramount Pictures, gastou alguns milhões de dólares e passou
por vários maridos gananciosos. Muito famosa no início da década de 40,
formou dupla romântica célebre com Alan Ladd e era uma das mulheres mais
belas de sua época, com cabelos dourados cobrindo parte do rosto imitados
por garotas em todo o mundo. A comédia “Casei-me com uma Feiticeira/I
Married a Witch” (1942), de René Clair, foi um dos seus maiores sucessos.
Sua última aparição no cinema aconteceu em “Flesh Feast” (1970), um
medonho filme de horror. Faleceu três anos depois, vítima de hepatite, aos
53 anos.
GEORGE MÉLIÈS (1861-1938)
Um dos precursores do
cinema, utilizando inventivos efeitos fotográficos para criar mundos
fantásticos. Produtor e diretor de várias obras-primas, entre elas a
conhecida “Viagem à Lua/Le Voyage dans La Lune” (1902), terminou
sobrevivendo de uma simplória banca de bombons na estação de Montparnasse,
em Paris. Considerado o pai do cinema fantástico, fez mais de 500 filmes e
construiu o primeiro estúdio cinematográfico da Europa. Durante uma década
divertiu crianças e adultos, sendo considerado o melhor cineasta do mundo.
Chaplin o chamou de "o alquimista da luz".
BUD ABBOTT
(1895-1974) E LOU COSTELLO (1906-1959)
Dupla famosa da Universal,
herdeiros do humor popular de “O Gordo e o Magro”, fizeram também rádio e
televisão. Entre 1940 e 1956, atuaram em torno de 30 filmes. Nos anos 50,
tiveram êxito com o programa de TV “The Abbott and Costello Show”. No
entanto, brigaram e se meteram em um processo rumoroso. Costello morreu de
ataque cardíaco, na mais completa miséria. Bud Abbott, atingido pelo
imposto de renda, que exigiu pagamentos de antigas e enormes dívidas, se
viu obrigado a vender sua casa e os direitos sobre os seus filmes. Pagava
as contas dublando desenhos animados e morreu de câncer, pobre e
esquecido.
BELLA DARVI (1928-1971)
A polaca Bella Darvi
atuou em 15 filmes, destacando-se em “Tormenta sob os Mares/Hell and High
Water” (1954), “O Egípcio/The Egyptian” (1954) e “Caminhos sem Volta/The
Racers” (1955), mas o sotaque carregado, a falta de talento e alguns
escândalos abortaram rapidamente sua carreira. Amante do produtor Darryl
F. Zanuck, que a levou a Hollywood para transformá-la em estrela, bebia
muito, gastava ainda mais e era viciada em bacará e roleta. Sua vida foi
cheia de infortúnios: sobreviveu de um campo de concentração nazista na
Segunda Guerra Mundial e dissipou tudo o que tinha nos cassinos de Mônaco.
Endividada, tentou o suicídio várias vezes, até que o conseguiu em 1971,
ao abrir o gás de seu apartamento. Tinha apenas 43 anos e já nada restava
de sua beleza.
JULES BERRY (1883-1951)
Ator e diretor
austríaco, muito famoso no teatro e cinema franceses dos anos 30 e 40,
começou no cinema mudo e fez mais de 80 filmes, entre eles “O Crime de
Monsieur Lange/Le Crime de Monsieur Lange” (1936), de Jean Renoir, e “Os
Visitantes da Noite/Les Visiteurs Du Soir” (1942), de Marcel Carné.
Viciado em cassinos e corridas de cavalo, perdeu tudo o que ganhou em anos
de trabalho, morrendo vítima de um ataque cardíaco.
 HEDY LAMARR
(1914-2000)
Uma das primeiras estrelas a se despir diante das
câmaras e considerada uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos,
também era conhecida por sua inteligência e durante muitos anos fez parte
do cast all-star da Metro-Goldwyn-Mayer. Com o épico “Sansão e
Dalila/Sanson and Delilah” (1949), da Paramount, teve o seu maior sucesso.
De talento limitado, encerrou sua carreira em 1958, depois de atuar em
mais de 30 filmes. Na maturidade, amargurada e solitária, terminou na
cadeia após roubar pequenos objetos em várias lojas. Alegou cleptomania,
mas realmente estava falida.
STAN LAUREL (1890-1965) E OLIVER
HARDY (1892-1957)
Eles iniciaram a famosa parceria no final dos
anos 20, sempre com sucesso. Depois de estrelarem 106 filmes, O Gordo e o
Magro brigaram e resolveram não mais trabalhar juntos. Em meados dos anos
40 tentaram seguir em frente separadamente. Sem dinheiro, em 1951 voltaram
a atuar juntos pela última vez em “A Ilha da Bagunça/Atoll K”. Oliver
Hardy teve em 1956 um derrame cerebral que deixou seu corpo imobilizado e
acabou morrendo em 1957. Em 1963, Stan Laurel recebeu um Oscar honorífico
por sua contribuição ao cinema. Morreu de um ataque de coração em 1965.
Estava pobre, enquanto seus velhos filmes continuavam a trazer fortunas a
produtores e distribuidores.
RAMON NOVARRO (1899-1969)
Mexicano de nascimento, no cinema mudo sucedeu Rodolfo Valentino,
brilhando em “Scaramouche” (1923) e “Ben-Hur/Ben-Hur: A Tale of Christ”
(1925), entre mais de 50 outros filmes, inclusive ao lado de Greta Garbo.
Um dos “latin lovers” das telas, no cinema sonoro deixou de fazer sucesso,
acumulando dívidas e terminando por ser obrigado a aceitar pequenos papéis
para sobreviver. Nos final dos anos 60 foi vítima de um crime sórdido
envolvendo dois irmãos, garotos de programa. Depois de torturá-lo, eles
asfixiaram-no e o degolaram com uma pequena faca, saqueando sua antiga
casa, onde encontraram apenas 20 dólares.
HENRI GARAT
(1902-1959)
Galã e cantor francês da década de 30, filmou dezenas
de musicais de 1939 a 1942, dirigido por cineastas de renome como E. A.
Dupont, Max Ophuls, Alexander Korda e William Dieterle. Durante muitos
anos como estrela do Casino de Paris, sucedendo a Maurice Chevalier, lotou
o local. Esgotado por uma existência de gastos inúteis, sem nada poupar,
terminou gravemente doente e paupérrimo. Nos seus últimos anos alguns
amigos fiéis o sustentaram.
Rio Total, 10/06/2011 Ano 14 - Número 739

Antonio Nahud Júnior,
escritor, poeta, jornalista e fotógrafo.
Autor de Ficar Aqui Sem Ser Ouvido Por Ninguém entre vários outros livros RN
https://www.ofalcaomaltes.blogspot.com.br/
Direitos Reservados. É proibida a reprodução deste artigo sem autorização do autor.

Direção e Editoria
Irene
Serra

|
|