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Luiz Carlos Amorim
INVERNO DE SABORES EM SC |
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E finalmente está chegando o inverno. Fico fascinado
pelo fenômeno fabuloso do tempo frio que é puxar as redes
com toneladas e toneladas de tainha. É de uma beleza
incomensurável.
E eu que nunca liguei muito para o
peixe em si, só gostava da tainha feito cambira, aquela
escalada, salgada e secada ao sol, tenho comido tainha
recheada (com ova, camarão, farinha e temperos, como
aprendi com minha mãe), caldo de tainha, que fica uma
delícia e tainha frita. Nada como morar aqui, na capital
catarina, pertinho de onde acontece o milagre dos peixes.
Então faço água na boca da minha amiga Fátima de Laguna e
ela me pede, como leitora do meu blog, que eu dê as
receitas e ensine como fazer a cambira e o caldo. Muito
pouca gente sabe, mesmo os nativos da ilha, pelo que tenho
percebido, ao perguntar para alguns, que a cambira é a
tainha escalada. A gente pega ela, já sem escamas,
eviscerada, sem cabeça e abre ela de fora a fora, cortando
encostadinho à espinha. Depois é só salgar, dos dois
lados, bem salgado – isso é escalar, conforme quem mora na
beira do mar e conforme o Aurélio, também. E cambira é só
de tainha, o resto é peixe seco, a não ser o bacalhau.
Aí é só pegar um dia de sol e deixar a tainha secar, secar.
Não é preciso deixar torrar, em um ou dois dias ele fica
marronzinho e a cambira está pronta, pode ser consumida. É
dessalgar – ferver trocando de água uma ou duas vezes,
fritar ou grelhar e comer com o que preferir, mas eu não
sei de nada melhor do que um pirão de água. Ah, não sabem
o que é pirão de água? É só ferver água, colocar farinha
de mandioca no prato, despejar a água quente em cima e
misturar. Aí é fechar a porta e comer. Faça um molho de
limão com pimenta, mais ardida ou menos ardida, como
preferir, e regue a cambira.
Já o caldo de tainha é
feito como os outros caldos de peixe. Minha mãe ensinou
assim: pique alguns tomates, sem pele e sem sementes ou
como preferir. Refogue cebola e alho bem picados com
manjericão ou alfavaca (não pode faltar, é condição sine
qua non), acrescente o tomate e outros temperos verdes, a
gosto, coloque água o suficiente para a quantidade de
peixe que vai cozinhar e não esqueça o sal. Eu não ligo
para a cor, mas para quem gosta, pode usar colorau ou
massa de tomate. Fervendo o caldo, coloque a tainha
cortada em postas e temperada anteriormente com limão, sal
e manjericão. Não deixe cozinhar muito, para o peixe não
se desmanchar. Já dá pra fazer o pirão com o caldo e
farinha de mandioca e comer com o peixe cozido, que está
uma delícia. Não é fácil?
Jaraguá, Corupá e redondezas
têm o privilégio de ficar relativamente perto de São
Francisco, Barra Velha, Barra do Sul, o que possibilita a
tainha fresquinha no inverno. Isso é um privilégio. E viva
o inverno que vai chegando em Santa Catarina.
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
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Direção e editoria
Irene Serra
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