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Luiz Carlos Amorim
QUANTA SAUDADE?
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Quanta saudade
cabe em um dia? Em uma semana, um mês, um ano? Ouvi isso,
outro dia, em um comercial, e fiquei pensando a respeito.
Dá pra medir a quantidade da saudade que se sente?
Tenho saudades de lugares, de coisas que vivi, mas tenho
mais saudades de pessoas. E também pergunto: quanta
saudade cabe em um dia, em uma semana, em um mês, em um
ano, em uma vida?
Tenho saudades da minha
filharada, que cresceu e foi embora e deixou uma casa
enorme para trás, que insiste em me lembrar que minhas
meninas não são mais crianças, que agora têm as próprias
casas, tão longe da nossa. Tenho saudades de meus netos,
que moram em Portugal e não posso ver sempre.
Tenho
saudades da nossa primeira filha, Vanessa, que chegou, há
muitas primaveras, e logo se foi, tão rápido. Mas dói como
se tivesse sido ontem, embora a saudade se acumule há
muitos, muitos anos.
Tenho saudades dos meus
irmãos, mais dos que já se foram, tenho saudades da minhas
avós, dos meus avôs, de amigos queridos que foram conhecer
o outro lado da vida ou estão muito longe para que
possamos vê-los e abraçá-los. Tenho saudades de Quintana,
nosso grande Quintana, que nem conheci pessoalmente,
infelizmente.
Tenho saudades de mim, da criança que
fui, em tempos idos. Tenho saudades de meus outros eus.
Preferia, às vezes, não ter saudades, mas a saudade é a
prova maior de que vivemos bons momentos, de que fomos
felizes. De maneira que, quanto mais sauda temos, tanto
mais felizes teremos sido ou estamos sendo.
Então
que venha a saudade, que sempre cabe mais uma pequena
felicidade nas nossas vidas, até uma felicidade bem
grande, muito grande, que vai acabar se transformando em
uma enorme saudade.
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
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Direção e editoria
Irene Serra
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