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Luiz Carlos Amorim
ENFIM, OUTONO
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Lendo um
jornal de classificados, outro dia, porque precisava
pesquisar algumas coisas, surpreendi-me com o que achei
nele: um poema de Quintana. Não é normal encontrarmos
poesia em jornal nenhum, quanto mais de classificados.
E, mais importante, o poema é de Quintana.
E
encontrar um poema já é bom. Encontrar um poema de
Quintana, então... Trata-se de Canção de Outono: “O outono
toca realejo / No pátio da minha vida. / Velha canção,
sempre a mesma, / Sob a vidraça descida... // Tristeza?
Encanto? Desejo? / Como é possível sabê-lo? / Um gozo
incerto e dorido / De carícia a contrapelo... “ (...)
Ah, Quintana, meu querido Quintana... Só você, para
definir o outono, ainda que eu sinta uma certa melancolia
nesses versos. Mas outono é isso mesmo, é transição, é a
estação da indefinição ou da espera da definição que se
dará logo adiante. O outono é a antessala do inverno, é
quando a gente vai se preparando para o frio que vai
chegar.
O outono tem dias cinzentos, outros nem
tanto. E este ano, novamente, o verão adentrou a nova
estação e só tivemos o gostinho do outono semanas depois
de ele ter começado. Muito quente. No final da
estação, algumas folhas começam a cair, mas também é
quando as flores do jacatirão começam a desabrochar,
abrindo brancas e tomando cor a medida que vão se abrindo.
“O outono toca realejo no pátio da minha vida”. Sim,
há música no outono, também. Os passarinhos vêm cantar no
meu telhado, no meu jardim, na minha janela. “Tristeza,
encanto?” Eu diria encanto, poeta. Uma carícia, sim, um
encanto. Como o seu poema.
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
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Direção e editoria
Irene Serra
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