|
Luiz Carlos Amorim
OS DOIS LADOS DA ÁGUA
|
 |
O sol deste verão está muito forte e tem chovido pouco em alguns lugares e
demais em outros. Aqui em Santa Catarina tivemos inundações, Minas e São Paulo
estão em estado de calamidade pública, até com mortos. Temos tido tempestades
e enchentes, em muitos lugares pelo Brasil, depois de um janeiro muito quente.
As temperaturas têm passado de trinta e se aproximado dos quarenta. E a
sensação térmica já superou os quarenta. No sol, termômetros já mediram mais
de cinquenta graus, em algumas cidades.
Isto me faz pensar na estiagem
em alguns lugares pelo Brasil, que faz secar os reservatórios e desaparecer a
água tão necessária nas torneiras dos brasileiros e na irrigação da
agricultura.
Sem água não há vida e, ao mesmo tempo que falta água potável,
temos tempestades de verão que fazem com que muitas pessoas percam tudo nas
enchentes, deslizamentos, ventanias, etc.
Na verdade é irônico, pois temos
enchentes quando falta água na torneira, mas de há muito tempo falta
planejamento na gestão da coisa pública, pois deveríamos ter pensado há
décadas no que está acontecendo hoje, para prevenir. E deveríamos ter feito
melhor manutenção, renovação e ampliação das nossas redes de distribuição de
água, assim como fazer planejamento para o aumento na captação e no
tratamento. Os rios estão secando, em determinadas regiões, os reservatórios,
poucos para o consumo atual, também.
Os encanamentos envelhecem e ficam
obsoletos, com vazamentos que não podem ser tolerados hoje em dia e a
população, por sua vez, vai aumentando dia a dia, sem que a produção de água
seja pensada para acompanhar esse crescimento.
A falta de água na minha
casa, nestes últimos tempos, chegou a três dias continuados, por causa da
chuva, das tempestades e das enchentes, que inviabilizam o tratamento de água
que é precário e insuficiente, vejam que contraponto: muita água lá fora e
nada de água nas torneiras. E quando a água volta, é temerário bebê-la.
Será que todo esse descontrole do clima tem a ver com o nosso cuidado (falta
dele) com o meio ambiente? Dúvida cruel, não?
Alguns gestores da coisa
pública, ao invés de planejarem, a longo prazo, as providências para que a
água não falte, querem cobrar mais caro a água que os cidadãos consomem! Só
que esse dinheiro, todos sabemos, não vai ser usado para prevenir a falta
d´água. Infelizmente.
Há que nos conscientizarmos que a natureza não
aceita o pouco caso de nós, seres humanos. Ela está cobrando o preço do
descaso, do desrespeito, do deboche. Precisamos acordar, será que há tempo?
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
Direitos Reservados. É proibida a reprodução deste artigo sem autorização do autor.

Direção e editoria
Irene Serra
|