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Luiz Carlos Amorim
INVERNO CHEGANDO
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O frio chegou. É o inverno que deu
sinais de sua presença. Estamos quase em fins de junho, o frio até já apertou
no fim do outono, mas estamos tendo uns dias quentes agora, para em seguida
termos temperaturas mais baixas. Aquele tempinho bom de colocar uma roupa mais
quente, fazer pão em casa e deixar aquele cheirinho delicioso tomar a casa
inteira, junto com o cheiro do café feito na hora, aquelas sopas maravilhosas
que em outras épocas a gente não tem oportunidade de degustar, o chá perfumado
e fumegante, chocolate quente, bolinho de chuva, pão de queijo com café bem
quente, etc., etc.
Tempo de se aconchegar com os nossos entes mais
queridos, com a família, com os amigos, pois na casa da gente ou na casa
deles, é muito bom nos reunirmos, nos aproximarmos mais, nos conhecermos
melhor. Tempo de colocar todos à volta da mesa para convivermos mais, para
confraternizarmos.
O frio antecedeu a sua estação, e a gente já
esperarava com ansiedade a chegada da tainha, o prato principal do inverno,
aqui em Santa Catarina e em todo o sul. E ela chegou com tudo. Os cardumes
vieram em junho e começaram as pescas às toneladas, uma boa sagra, um bom ano.
Já disse, em outra oportunidade, que inverno sem tainha não é inverno e o fato
de ter esfriado nos traz a presença da vedete das nossas mesas nos dias frios
do litoral.
Então, um caldo de tainha, uma tainha recheada, uma cambira...
Amanhã vou ao mercado, mesmo que chova e faça frio, para comprar tainhas,
camarão e ovas para fazer algumas recheadas e guardar no freezer, para comer
com a mãe, com a família e com amigos. E do resto faço cambira – tainha
escalada, salgada e seca no sol. Se não fizer sol, guardo elas já salgadas na
geladeira, até que tenhamos tempo bom de novo. E, claro, reservo uma ou duas
para fritar e fazer um caldo que, como já disse, é tudo de bom, também.
Inverno é assim, aqui no litoral de Santa Catarina: frio com tainha,
flores de jacatirão manacá-da-serra, cor e luz. Se não der tainha, é inverno
pela metade. Abençoada terra, abençoado mar, abençoada natureza, que tão
maltratada por nós, a despeito de nosso desrespeito para com ela, nos
presenteia com o que ela tem de melhor. Não é à toa que ela é chamada de Mãe
Natureza.
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
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