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Luiz Carlos Amorim
EDUCAÇÃO E LEITURA: VIDA
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Um leitor não é aquele que lê um livro – ou uma sinopse – apenas para dizer
que o leu. Ou que nem sequer lê a sinopse porque tem dificuldade para
interpretar um enunciado. Leitor de verdade é aquele que sabe interpretar o
que leu, que sabe recriar um texto. É aquele que usa seus sentidos na
recriação de um texto, que decodifica signos com emoção, com alma, com
sentimento.
Infelizmente, no Brasil, temos muitos dos primeiros, que na
verdade nem podemos chamar de leitores, pois leem pouco porque não conseguem
capturar o significado de um texto. Não conseguiram usufruir do letramento e
não conseguem, quase, se comunicar. Escrever ou ler um bilhete é uma tortura,
pois não conseguem se expressar nem entender uma pequena mensagem.
O
leitor de verdade, então, esse não é muito comum. Aquele leitor que tem o
hábito de ler, que lê dois, três, cinco livros por mês, sejam eles comprados,
alugados, emprestados, esses são poucos, em número muito aquém do que
desejaríamos, considerando-se o tamanho da população desse nosso país.
O resultado da terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil,
encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência acaba de sair e
não é nada bom. Revela que, do ano de 2007 até a atualidade, o índice de
leitura dos brasileiros caiu de 4,7 livros por pessoa para quatro títulos. O
número de leitores saiu de 95 milhões e meio, há cinco anos, para 88 milhões
no ano passado. E olhe que a população cresceu, e muito, nesse período.
Isso pode ter muitas causas. Uma, sem dúvida a principal, é a falência da
educação no Brasil. Se a educação é ruim e não incentiva a leitura nos
leitores em formação, então não podemos esperar que crianças cresçam com
aquisição de cultura e informação suficiente para consumirem livros, para
terem boas colocações no mercado de trabalho e, consequentemente, poderem
continuar, na vida adulta, a leitura de mais livros, adquirindo, assim, mais
cultura, mais conhecimento e mais capacidade de progredir. Porque ler é
adquirir subsídios para a vida, é tentar entender o mundo. Ler é nos
transformarmos, é nos adaptarmos com as mudanças a nossa volta, é ajudar a
mudar o mundo – para melhor.
Então, precisamos repensar a educação
brasileira, estruturá-la, dar-lhe atenção e a importância que ela realmente
tem, capacitar melhor os educadores e pagá-los dignamente. O Estado precisa
priorizar a educação e não desconstruí-la, como vem fazendo. E isso precisa
ser feito logo. Ou será tarde demais.
Rio
Total, 06/06/2012 Ano 15 - Número 790
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
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Irene Serra
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