16/07/2026
Ano 29 - Nº 1.515


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Luiz Carlos Amorim









 

Luiz Carlos Amorim



PIPA, PAPAGAIO, PANDORGA...

Luiz Carlos Amorim, colunista - CooJornal

Ser criança é, talvez, o maior privilégio que todos temos ou tivemos. E soltar pipa tornou-se, até, um símbolo da essência de ser criança. Mas vejo, aqui e por aí, a irresponsabilidade dos adultos na incapacidade de educar e em saber o que estão fazendo as suas crianças. Hoje, por exemplo, não há mais sol, está nublado e ameaçando chover. Mas ali, no meio da minha rua, há vários garotos, alguns bem pequenos, com seis, sete anos ou até menos, e alguns bem crescidinhos, com quatorze ou mais, soltando pipas em meio ao emaranhado de fios de luz, pois há bastante vento. E sei que não é só aqui, que onde há criança há pipas esvoaçando no céu. Já fui lá na rua, várias vezes, conversei com os garotos, explicando-lhes que o fio das suas pandorgas, ou pipas, ou papagaios, que se enrolam nos fio de energia elétrica dos postes, podem causar curto-circuito quando chover, com o risco de queimar eletrodomésticos dentro da própria casa deles e dos outros vizinhos. Que, se o fio que eles estão usando estiver úmido, eles podem levar um choque, podem ser eletrocutados. Que, num dia como hoje, quando a chuva pode cair a qualquer momento, se pega eles segurando o fio da pipa e se este fio encostar em algum dos fios elétricos que se estendem pela rua, eles podem também morrer eletrocutados. Mas não adiantou. Cheguei a brigar com alguns deles, enfatizando o risco de vida que corriam, quando as pipas caíram dentro da minha casa e eles estavam pulando o muro para pegá-las. Não é só o risco de encostar nos fios energizados, mas também o fato de pularem grades altas e pontiagudas para pegar as pipas: eles podem cair, correm o risco de se ferirem ao tentar passar para o lado de dentro e vice-versa. Outro dia, inclusive, vi a mãe de um deles, que mora em frente da minha casa, dizendo ao filho, de uns sete anos, que ele podia soltar a pipa ali, em frente à casa dele, que ela ficaria de prontidão, caso eu ou outro vizinho viesse encher-lhe o saco. Ora, onde está a responsabilidade de uma mãe dessa? Ela até quer saber que ele está perto, quer saber onde ele está, por isso não o deixa ir soltar a pipa onde não haja postes, pois ficaria fora da vista dela. Mas deixar o filho brincar no meio da rede elétrica com risco de levar um choque, com risco de ser eletrocutado? Não culpo só os pais que largam os filhos ao Deus dará, soltando-os por aí sem saber onde estão ou o que estão fazendo, mas também os marmanjos, adultos, que saem a soltar pipas na rua, no meio dos postes e da fiação elétrica, dando o mau exemplo. Precisamos deixar que nossas crianças exercitem o direito de ser crianças, mas com segurança e educação. É nossa obrigação ensinar-lhes o certo e o errado. Será preciso que mais crianças morram para que alguns se convençam de que é preciso ter mais cuidado com a vida de nossos filhos?

(Rio Total, 01 de abril/2006, CooJornal nº 470, ano 9)



Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor,
cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA
http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br


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