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Luiz Carlos Amorim
PIPA, PAPAGAIO, PANDORGA... |
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Ser criança é, talvez, o maior privilégio que todos temos
ou tivemos. E soltar pipa tornou-se, até, um símbolo da
essência de ser criança. Mas vejo, aqui e por aí, a
irresponsabilidade dos adultos na incapacidade de educar e
em saber o que estão fazendo as suas crianças. Hoje, por
exemplo, não há mais sol, está nublado e ameaçando chover.
Mas ali, no meio da minha rua, há vários garotos, alguns
bem pequenos, com seis, sete anos ou até menos, e alguns
bem crescidinhos, com quatorze ou mais, soltando pipas em
meio ao emaranhado de fios de luz, pois há bastante vento.
E sei que não é só aqui, que onde há criança há pipas
esvoaçando no céu. Já fui lá na rua, várias vezes,
conversei com os garotos, explicando-lhes que o fio das
suas pandorgas, ou pipas, ou papagaios, que se enrolam nos
fio de energia elétrica dos postes, podem causar
curto-circuito quando chover, com o risco de queimar
eletrodomésticos dentro da própria casa deles e dos outros
vizinhos. Que, se o fio que eles estão usando estiver
úmido, eles podem levar um choque, podem ser
eletrocutados. Que, num dia como hoje, quando a chuva pode
cair a qualquer momento, se pega eles segurando o fio da
pipa e se este fio encostar em algum dos fios elétricos
que se estendem pela rua, eles podem também morrer
eletrocutados. Mas não adiantou. Cheguei a brigar com
alguns deles, enfatizando o risco de vida que corriam,
quando as pipas caíram dentro da minha casa e eles estavam
pulando o muro para pegá-las. Não é só o risco de encostar
nos fios energizados, mas também o fato de pularem grades
altas e pontiagudas para pegar as pipas: eles podem cair,
correm o risco de se ferirem ao tentar passar para o lado
de dentro e vice-versa. Outro dia, inclusive, vi a mãe de
um deles, que mora em frente da minha casa, dizendo ao
filho, de uns sete anos, que ele podia soltar a pipa ali,
em frente à casa dele, que ela ficaria de prontidão, caso
eu ou outro vizinho viesse encher-lhe o saco. Ora, onde
está a responsabilidade de uma mãe dessa? Ela até quer
saber que ele está perto, quer saber onde ele está, por
isso não o deixa ir soltar a pipa onde não haja postes,
pois ficaria fora da vista dela. Mas deixar o filho
brincar no meio da rede elétrica com risco de levar um
choque, com risco de ser eletrocutado? Não culpo só os
pais que largam os filhos ao Deus dará, soltando-os por aí
sem saber onde estão ou o que estão fazendo, mas também os
marmanjos, adultos, que saem a soltar pipas na rua, no
meio dos postes e da fiação elétrica, dando o mau exemplo.
Precisamos deixar que nossas crianças exercitem o direito
de ser crianças, mas com segurança e educação. É nossa
obrigação ensinar-lhes o certo e o errado. Será preciso
que mais crianças morram para que alguns se convençam de
que é preciso ter mais cuidado com a vida de nossos
filhos?
(Rio Total, 01 de abril/2006, CooJornal nº
470, ano 9)
Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
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Direção e editoria
Irene Serra
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