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Qual a origem da palavra "sincero"?
Pergunta que parece simples, mas
esconde histórias interessantes.
A palavra “sincero” vem do latim sincerus,
que significava algo como “limpo, puro, íntegro, sem mistura”. Ou seja,
originalmente não tinha a ver apenas com falar a verdade, mas com não estar
adulterado, ser autêntico, puro, íntegro.
Sincerus era usado para descrever coisas como:
• vinho sem mistura (sem água adicionada), • alimentos puros, • objetos
sem defeitos. Com o tempo, essa ideia de “pureza” passou a ser aplicada às
pessoas: alguém “sincero” seria sem falsidade, sem disfarce interior.
Há uma
história popular (mas duvidosa), que diz que “sincero”
viria de sine cera (em
latim: “sem cera”). Segundo essa história, escultores da Roma Antiga usariam
cera para esconder rachaduras em estátuas de mármore. Uma peça “sem cera” seria,
então, genuína, sem defeitos escondidos.
É a mesma associação que outros
fazem com certos vasos tratados com uma cera especial, transparente. A ideia de vasos
tratados – que esconderiam
imperfeições
– acaba sendo uma variação da mesma história do sine cera. Ou
seja, é um desdobramento imaginativo daquela explicação popular, mas não sustentado pelos
estudos de etimologia.
E de onde vem essa imagem dos vasos com cera?
Em
diferentes culturas antigas, inclusive na Roma e na Grécia, usava-se cera (às
vezes misturada com pigmentos) para dar brilho à cerâmica, ou até para
disfarçar pequenas rachaduras. Então, a imagem faz sentido do ponto de vista
artesanal
– ela poderia perfeitamente existir na prática.
Provavelmente
alguém, séculos depois, pensou: “Ora, ‘sem cera’ combina perfeitamente com a
ideia de algo sem disfarces!” E a história pegou, porque é visual, concreta e
fácil de lembrar.
É uma bonita imagem, não é? Uma
história charmosa... mas é uma
história inventada, porque soa convincente,
não tem base histórica confiável.
Os linguistas são bem claros:
“Sincero” vem de sincerus, que já significava puro, íntegro, não
adulterado;

Direção e Editoria
Irene Serra
irene@revistariototal.com.br
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