01/04/2026
Ano 29
Semana 1.501





ARQUIVO
















Café filtrado em papel desde 1908


A senhora Melitta Bentz, moradora em Dresden, uma pequena cidade do norte da Alemanha, ocasionalmente recebia queixas de seu marido quanto ao gosto do café servido, que variava muito e às vezes tinha até gosto de mofo. Analisando o problema, ela chegou à conclusão de que o causador deveria ser o coador de pano. Ele deixava passar partículas de pó que causavam uma desagradável sensação ao tomar café, e por ser usado inúmeras vezes, continha resíduos dos cafés já feitos anteriormente, que se impregnavam no pano alterando o sabor da bebida.

Com a visão lógica de uma dona de casa, a senhora Melitta partiu para a solução. No fundo de uma caneca de latão fez vários furos, recortou um pedaço redondo de mata-borrão e usou-o para cobrir o fundo da mesma. O resultado foi o primeiro filtro de papel do mundo. Um café mais gostoso, com sabor sempre igual e agradável de se tomar, entrou para a história. A patente foi registrada no ano de 1908, dando origem à marca Melitta.

A história da Melitta no Brasil começa em 1968, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. A Melitta ingressa no País onde o cafezinho e o coador de pano fazem parte da cultura nacional. O conhecido pioneirismo da empresa iniciava-se com a introdução do Filtro de Papel Melitta no mercado - com papel filtrante importado - junto ao porta-filtros de plástico Melitta. Os hábitos começaram a mudar, com sua expansão mundial.

Antes disso, o café era frequentemente preparado por fervura direta (como o café turco), onde o pó era misturado à água e esperava-se que ele assentasse no fundo da xícara.

A técnica de coar café, inicialmente com tecidos, acredita-se ter sido desenvolvida na Arábia ou Turquia no Século XV. No Brasil, o coador de pano foi o método predominante por séculos, desde a introdução da bebida no país em 1727. Na França, por volta de 1800, o método de preparo coado tornou-se popular, utilizando recipientes de metal ou cerâmica onde a água passava pelo pó  moído, que muitas vezes deixavam sedimentos e sabores indesejados.

O filtro de papel resulta em um café mais limpo, leve e brilhante. O papel retém quase todos os micro-sedimentos e, crucialmente, a maioria dos óleos naturais do café, realçando as notas ácidas e frutadas da bebida.
Por reter o cafestol (substância presente nos óleos que pode aumentar o colesterol), é considerado a opção mais saudável por alguns especialistas.

O filtro de pano entrega um café mais encorpado e com uma sensação na boca mais aveludada. Como a trama do algodão é mais aberta que a do papel, ela deixa passar os óleos essenciais. Tende a destacar a doçura e o chocolate do grão, com uma acidez menos pronunciada que a do papel.
Se o pano não for muito bem higienizado e escaldado, ele pode acumular resíduos de óleos antigos que oxidam, conferindo um sabor residual que muita gente associa ao café tradicional de casa.

O filtro de metal é o oposto do papel. Deixa passar todos os óleos e muitos sedimentos finos. O resultado é um café muito denso, escuro e com sabor extremamente intenso e terroso.

Seja lá qual for a forma usada para coar o café, ele sempre será bem-vindo em qualuqer ocasião.






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Irene Serra
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