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Café filtrado em papel desde 1908
A senhora Melitta Bentz,
moradora em Dresden, uma pequena cidade do norte da Alemanha,
ocasionalmente recebia queixas de seu marido quanto ao gosto do café servido,
que variava muito e às vezes tinha até gosto de mofo. Analisando o problema, ela
chegou à conclusão de que o causador deveria ser o coador de pano. Ele deixava
passar partículas de pó que causavam uma desagradável sensação ao tomar café, e
por ser usado inúmeras vezes, continha resíduos dos cafés já feitos
anteriormente, que se impregnavam no pano alterando o sabor da bebida.
Com a visão lógica de uma dona de casa, a senhora Melitta partiu para a solução.
No fundo de uma caneca de latão fez vários furos, recortou um pedaço redondo de
mata-borrão e usou-o para cobrir o fundo da mesma. O resultado foi o primeiro
filtro de papel do mundo. Um café mais gostoso, com sabor sempre igual e
agradável de se tomar, entrou para a história.
A patente foi registrada no ano de 1908,
dando origem à marca Melitta.
A história
da Melitta no Brasil começa em 1968, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. A
Melitta ingressa no País onde o cafezinho e o coador de pano fazem parte da
cultura nacional. O conhecido pioneirismo da empresa iniciava-se com a
introdução do Filtro de Papel Melitta no mercado - com papel filtrante importado
- junto ao porta-filtros de plástico Melitta. Os hábitos começaram a mudar, com
sua expansão mundial.
Antes disso, o café era frequentemente preparado por fervura direta (como o café
turco), onde o pó era misturado à água e esperava-se que ele assentasse no fundo
da xícara.
A técnica de coar café, inicialmente com tecidos,
acredita-se ter sido desenvolvida na Arábia ou Turquia no
Século XV. No Brasil, o coador de pano foi o método predominante por
séculos, desde a introdução da bebida no país em 1727. Na França, por volta de
1800, o método de preparo coado tornou-se popular, utilizando recipientes de
metal ou cerâmica onde a água passava pelo pó moído,
que muitas vezes deixavam sedimentos e sabores indesejados.
O
filtro de papel resulta em um café mais limpo, leve e brilhante. O papel
retém quase todos os micro-sedimentos e, crucialmente, a maioria dos óleos
naturais do café, realçando as notas ácidas e frutadas da bebida. Por reter o
cafestol (substância presente nos óleos que pode aumentar o colesterol), é
considerado a opção mais saudável por alguns especialistas.
O filtro
de pano entrega um café mais encorpado e com uma sensação na boca mais
aveludada. Como a trama do algodão é mais aberta que a do papel, ela deixa
passar os óleos essenciais. Tende a destacar a doçura e o chocolate do grão, com
uma acidez menos pronunciada que a do papel. Se o pano não for muito bem
higienizado e escaldado, ele pode acumular resíduos de óleos antigos que oxidam,
conferindo um sabor residual que muita gente associa ao café tradicional de
casa.
O filtro de metal é o oposto do papel. Deixa passar todos os
óleos e muitos sedimentos finos. O resultado é um café muito denso, escuro e com
sabor extremamente intenso e terroso.
Seja lá qual for a
forma usada para coar o café, ele sempre será bem-vindo em qualuqer ocasião.

Direção e Editoria
Irene Serra
irene@revistariototal.com.br
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