As 7 Maravilhas do Mundo Antigo eram construções monumentais da
antiguidade clássica, destacadas por viajantes gregos por sua beleza e
engenharia. Apenas a Grande Pirâmide de Gizé (Egito), construída como túmulo para o faraó Quéops, ainda existe.
1ª) As Pirâmides do Egito
As três pirâmides do Egito
ocupam merecidamente o primeiro lugar da relação. Construídas no oeste do Nilo, principalmente
durante o Antigo Império (c. 2686–2181 a.C.), para servirem de túmulo aos
faraós e seus tesouros, são também os mais antigos dos sete monumentos. Prova do alto nível da
ciência e tecnologia do Antigo Egito, com soluções de engenharia admiráveis para
qualquer época e lugar, erguem-se imponentes na planície de Gizé, a 15
quilômetros do Cairo. A maior é a de Quéops, o segundo rei da IV dinastia.
Segundo o historiador grego Heródoto, sua construção mobilizou 100 mil
trabalhadores durante vinte anos. Com 146 metros de altura - o equivalente a um
edifício de 48 andares -, foi a primeira a ser construída, com mais de 2
milhões de blocos de pedra.
As pirâmides tinham, inicialmente, uma base hexagonal. A partir da pirâmide
monumental (que não faz parte das sete maravilhas), atribuída ao rei Snefru, a
estrutura básica alargou-se até se transformar num bloco compacto de alvenaria
com oito terraços, preenchidos com blocos de pedra que se encaixavam
perfeitamente, formando um aclive em degraus. Recoberta a construção com uma
massa lisa de pedra calcária, resultou uma verdadeira pirâmide geométrica.
Um pouco menor que a de Quéops, a pirâmide de Faraó Quéfren tinha 143 metros
de altura: a terceira, de Miquerinos, 66 metros. Provavelmente, os próprios
faraós, foram os arquivos das suas pirâmides, onde, segundo a crença, eles
ressuscitariam. O apogeu do poder real no Egito deu-se justamente no período
correspondente à IV dinastia, quando a centralização era a marca registrada do
sistema político.
2ª) Os Jardins Suspensos da Babilônia
A terceira maravilha são os Jardins Suspensos
da Babilônia, construídos por volta de 600 a.C., às margens do rio Eufrates, na
Mesopotâmia - no atual sul do Iraque. Os jardins, na verdade, eram seis
montanhas artificiais feitas de tijolos de barro cozido, com terraços
superpostos onde foram plantadas árvores e flores. Calcula-se que estivessem
apoiados em colunas cuja altura variava de 25 a 100 metros. Para se chegar aos
terraços subia-se por uma escada de mármore; entre as folhagens havia mesas e
fontes. Os jardins ficavam próximos ao palácio do rei Nabucodonosor II, que os
teria mandado construir em homenagem à mulher, Amitis, saudosa das montanhas do
lugar onde nascera.
Capital do império caldeu, a Babilônia, sob
Nabucodonosor, tornou-se a cidade mais rica do mundo antigo. Vivia do comércio e
da navegação, buscando produtos na Arábia e na Índia e exportando lã, cevada e
tecidos. Como não dispunham de pedras, os babilônios usavam em suas construções
tijolos de barro cozido e azulejos esmaltados. No século V a.C., Heródoto dizia
que a Babilônia "ultrapassava em esplendor qualquer cidade do mundo conhecido".
Mas em 539 a.C. o império caldeu foi conquistado pelos persas e dois séculos
mais tarde passou a ser dominado por Alexandre, o Grande, tornando-se parte da
civilização helenística. Depois da morte de Alexandre (323 a.C.), a Babilônia
deixou de ser a capital do império. Começou assim sua decadência. Não se sabe
quando os jardins foram destruídos; sobre as ruínas da Babilônia ergueu-se,
hoje, a cidade de Al-Hillah, a 160 quilômetros de Bagdá, a capital do Iraque.
3ª) O Templo de Ártemis
Em
Éfeso, na Ásia Menor, ficava o templo da deusa Ártemis, a quarta maravilha. Sua
construção começou na metade do século VI a.C., por ordem do conquistador
Creso, rei da Lídia - região montanhosa que hoje é o oeste da Turquia. Com 90
metros de altura - como a estátua da Liberdade, em Nova York - e 45 de largura,
o templo era decorado com magníficas obras de arte. Protetora da cidade e deusa
dos bosques e animais, Ártemis (Diana, para os romanos) foi esculpida em ébano,
ouro, prata e pedra preta. Tinha as pernas e quadris cobertos por uma saia
comprida decorada com relevos de animais. Da cintura para cima, três fileiras de
seios se superpunham. Um ornamento em forma de pilar lhe adornava a cabeça.
Nesse período da história grega, chamado Arcaico (século VIII- século V a.C.),
quando Éfeso, graças a seu porto, era uma das mais importantes cidades do Egeu e
do Mediterrâneo, a escultura tinha alcançado seu ponto alto entre os gregos. Não
é, pois, de estranhar que o templo de Ártemis tenha ficado famoso por suas
esculturas e objetos de ouro e marfim - alguns dos quais se encontram no Museu
Britânico, em Londres. Quando, no século I, o escritor romano Plínio, o Velho,
afirmou que esse magnífico templo, com 127 colunas (36 decoradas) demorou
duzentos anos para ser construído, não foi levado a sério. Mas, no século XIX,
quando os arqueólogos conseguiram determinar o lugar onde foi erguido deu-se
finalmente razão a Plínio. O templo foi incendiado no século III a.C. por Heróstrato, que assim pretendia tornar-se imortal. Pelo visto, conseguiu.
Reconstruído, destruído e ainda outra vez reconstruído, o templo foi finalmente
arrasado em 262 pelos godos, povo germânico que durante o século III invadiu
províncias romanas na Ásia Menor e na península balcânica.
4ª) A
Estátua de Zeus
Na cidade grega de
Olímpia, na planície do Peloponeso, estava a quinta maravilha: a estátua de
Zeus, esculpida pelo célebre ateniense Fídias, no século V a.C., quando a cidade
já caíra sob o domínio de Esparta. Essa é considerada sua obra-prima. Tanto os
gregos amavam seus trabalhos que dizia-se que ele revelava aos homens a imagem
dos deuses. Supõe-se que a construção da estátua tenha levado cerca de oito
anos. Zeus (Júpiter, para os romanos) era o senhor do Olimpo, a morada das
divindades. A estátua media de 12 a 15 metros de altura - o equivalente a um
prédio de cinco andares - e era toda de marfim e ébano. Seus olhos eram pedras
preciosas.
Fídias esculpiu Zeus sentado num trono. Na mão direita levava a
estatueta de Nike, deusa da Vitória; na esquerda, uma esfera sob a qual se
debruçava uma águia. Supõe-se que, como em representações de outros artistas, o
Zeus de Fídias também mostrasse o cenho franzido. A lenda dizia que quando Zeus
franzia a fronte o Olimpo todo tremia. Quando a estátua foi construída, a
rivalidade entre Atenas e Esparta pela hegemonia no Mediterrâneo e na Grécia
continental mergulhou os gregos numa sucessão de guerras. Os combates, no
entanto, não prejudicaram as realizações culturais e artísticas da época. Ao
contrário, o século V a.C. ficou conhecido como o século de ouro na história
grega devido ao extraordinário florescimento da arquitetura, escultura e outras
artes. A estátua de Zeus foi destruída nesse mesmo século V a.C.
5ª) O Mausoléu de Halicarnasso
No século IV a.C. , Artemísia, mulher de Mausolo, rei da Cária, mandou construir
um túmulo em homenagem ao marido: o Mausoléu de Halicarnasso, que viria a ser a
sexta maravilha do mundo. Halicarnasso era a capital da Cária - região que
englobava cidades gregas ao longo do mar Egeu e das montanhas do interior e hoje
faz parte da Turquia. Durante o reinado de Mausolo (370-353 a.C.), a cidade
conheceu grande progresso com a construção de edifícios públicos; extensa
muralha devia protegê-la de ataques. O romano Plínio descreveu o mausoléu como
um suntuoso monumento sustentado por 36 colunas. Com quase 50 metros de altura,
ocupava uma área superior a 1.200 metros quadrados. Acima da base quadrada,
erguia-se uma pirâmide de 24 degraus que tinha no topo uma carruagem de mármore
puxada por quatro cavalos.
Dentro ficavam as estátuas de Artemísia e Mausolo,
além de trabalhos de Escopas, considerado um dos maiores escultores da Grécia do
século IV. Algumas dessas esculturas, como uma estátua de 4,5 metros,
provavelmente de Mausolo, encontram-se no Museu Britânico. O túmulo foi
destruído, provavelmente por um terremoto, em algum momento entre os séculos XI
e XV. As pedras que sobraram da destruição acabaram sendo aproveitadas na
construção de edifícios locais. Ficou do nome do rei Mausolo a palavra mausoléu,
usada para designar monumentos funerários.
6ª) O Colosso
de Rodes
Uma embarcação que chegasse à
ilha grega de Rodes, no Mediterrâneo, por volta de 280 a.C., passaria
obrigatoriamente entre as pernas da enorme estátua de Apolo (Hélio, para os
romanos), deus do Sol e protetor do lugar. É que o Colosso de Rodes, como foi
chamada a sétima maravilha do mundo, tinha um pé fincado em cada margem do canal
que dava acesso ao porto. Com 30 metros de altura, toda de bronze e oca, a
estátua começou a ser esculpida em 292 a.C., pelo escultor Chares, de Lindus,
uma das cidades da ilha, que a concluiu doze anos depois. Conta-se que o povo de
Rodes mandou construir o monumento para comemorar a retirada das tropas do rei
macedônio Demétrio Poliorcetes, que promovera longo cerco à ilha na tentativa de
conquistá-la. Demétrio era filho do general Antígono, que após a morte de
Alexandre, o Grande, herdou uma parte do império grego.
O material empregado
na escultura foi obtido a partir da fundição dos armamentos que os macedônios
ali abandonaram. A estátua ficou em pé por apenas 55 anos, quando um terremoto a
jogou ao fundo da baía de Rodes onde ficou esquecida até a chegada dos árabes,
no século VII. Estes, então, a quebraram e venderam como sucata. Para se ter uma
ideia do volume do material, foram necessários novecentos camelos para
transportá-lo. Essa, que foi considerada uma obra maravilhosa, teria no entanto
levado Chares a suicidar-se, logo depois de tê-la terminado, desgostoso com o
pouco reconhecimento público ao monumento.
7ª) O Farol de Alexandria
Na ilha que
fica diante da cidade de Alexandria, no Egito, ergueu-se o mais famoso farol da
Antigüidade. Por isso a ilha foi chamada Faros (farol, em grego). Modelo para a
construção dos que o sucederam, o Farol de Alexandria foi classificado como a
segunda maravilha do mundo. Todo de mármore e com 120 metros de altura - três
vezes o Cristo Redentor no Rio de Janeiro -, foi construído por volta de 280
a.C. pelo arquiteto grego Sóstrato de Cnidos, por ordem de Ptolomeu II, rei
grego que governava o Egito. Diz a lenda que Sóstrato procurou um material
resistente à água do mar e por isso a torre teria sido construída sobre
gigantescos blocos de vidro. Mas não há nenhum indício disso.
Com três
estágios superpostos - o primeiro, quadrado; o segundo, octogonal; e o terceiro,
cilíndrico -, dispunha de mecanismos que assinalavam a passagem do Sol, a
direção dos ventos e as horas. Por uma rampa em espiral chegava-se ao topo, onde
à noite brilhava uma chama para guiar os navegantes. Compreende-se a avançada
tecnologia: Alexandria tinha-se tornado naquela época um centro de ciências e
artes para onde convergiam os maiores intelectuais da Antiguidade.
Cumpria-se
assim a vontade de Alexandre, o Grande, que ao fundar a cidade, em 332 a.C.,
queria transformá-la em centro mundial do comércio, da cultura e do ensino. Os
reis que o sucederam deram continuidade a sua obra. Sob o reinado de Ptolomeu I
(323-285 a.C.), por exemplo, o matemático grego Euclides criou o primeiro
sistema de geometria. Também ali o astrônomo Aristarco de Santos chegou à
conclusão de que o Sol e não a Terra era o centro do Universo. Calcula-se que o
farol tenha sido destruído entre os séculos XII e XIV. Mas não se sabe como nem
por quê.