DÁ A MÃO A ELE
(Um ursinho entre os dois)

Pedro Franco


Nem sei o nome dos meus personagens. Um homem, pai, uma criança, filho e um ursinho de pelúcia. Parei o Fit no sinal e atravessaram na frente os três personagens, os dois no colo do pai, que os pousou no chão, ao chegarem à outra calçada. − Me dê a mão. Pediu o pai! O filho deu e disse. − Dá a mão a ele. Disse o menino, que devia ter seus cinco anos. E lá se foram, o homem alto segurando sem jeito o braço do ursinho, o ursinho e o menino. Os Três estavam unidos. Aquele ursinho era alguém para aquele menino, que ia provavelmente para a escola, ou para creche. O que sei eu deles? Nada, só sei que cada criança tem seu mundo de fantasia e encantamento, criado muitas vezes para encobrir, ou melhorar, o mundo em que vive. Um mundo em que os adultos na maioria das vezes, não entendem, ou pior, atropelam e atrapalham as crianças. E vou falar nos descasamentos, onde há filhos. A criança tinha uma casa, um mundo aparentemente seguro, com pai e mãe e que de repente acaba, raras vezes sem tumultos. Desencadeiam uma guerra e a criança é levada a participar. A desesperadora ocorrência se desencadeia na época de formação, onde a vida devia ser risonha e amena.. Cedo o filho, ou filha, enfrenta problemas, para os quais não está preparado, para aceitar, ou ao menos entender. Há casais que colocam a criança na luta, fazendo-a participar daquele processo, do novo casamento, das novas relações e relacionamentos, sem os cuidados devidos e sem entender que, de uma forma ou outra, o mundo daquela criança foi quebrado, estraçalhado. Não, não sou daqueles que julgam que o casamento deve ser indissolúvel. Seja eterno enquanto dure, como pensava o poeta, só que, se não durar, que se respeite ao máximo os sentimentos, as fantasias, a saúde mental da criança e em todas as situações. E não se julgue que com bens materiais e cursos, substitui-se um lar. E antes de terem filhos, pensem no casamento como um acontecimento estável, não um impulso fugaz. Se contarem com a possibilidade de descasamento, esperem e não tenham filhos. Filhos não seguram casamentos. Um casamento é um ato civil, ou religioso, ter um filho é um acontecimento muito mais importante. Se em última instância a separação se impuser e há filhos, que o rompimento seja realizado sem a participação ativa da criança, que não sabe dividir lealdade. Uma criança é uma enorme responsabilidade por toda a vida para os pais e que merece os maiores esforços de toda uma família e em qualquer circunstância. Males, infligidos nos primeiros anos, são muitas vezes irrecuperáveis. Para toda a vida daquele ser, que foi gerado por alguém, que o feriu muito, às vezes sem nem ao menos perceber, por estouvamento, desatenção, irreflexão, ou mesmo desamor. Cuidado pais, avós, tios, padrinhos, amigos! No descasamento e mesmo no casamento,. o principal, o essencial, é a criança, seu mundo e suas emoções. Se há uma rotura, que seja o menos traumática possível. Por que me vieram estas ideias, quando passaram a criança, o ursinho e o homem? Porque vi o homem e principalmente a criança com fisionomias tristes, especialmente quando a criança disse: − Dá a mão a ele.

Senhor João Franco, meu pai, muito obrigado, o senhor me deu um lar permanente e principalmente Dona Maria de Lourdes, minha querida mãe. O resto decorreu em função de nossas personalidades, ainda que o saldo geral tenha sido positivo e o Senhor foi um excelente e imorredouro sogro e avô. Para aquilatar o valor do avô, basta perguntar aos meus dois filhos, seus queridos netos. Valeu, Senhor João Franco e obrigado pelo exemplo de trabalho e honestidade. Pena que nem sempre o entendi bem! . 

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