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MEU PAI |
Batizado Salvador,

Crescido na singeleza,
Com gana de lutador,
Afeito à cruel rudeza
Das muitas limitações
Impostas pelo destino
Que regula as ambições
Desde o tempo de menino,
Já casado e sem morada,
Sem também um pé-de-meia,
Percorreu pedrosa
estrada
E morou em terra alheia.
Mas, em terras alugadas
Com pastagem para o gado,
Desde cedo, em
madrugadas,
Com extremos de cuidado,
Caprichava no manejo
Dos bichos e plantações,
Pondo fé no seu alvejo
Sem temer contradições.
Pressentindo o bom sucesso,
Baseado na fatura,
Abriu a porta de
acesso
Da abundância e da fartura.
Pôs conforto em nosso lar
Com sorrisos de alegria.
Cada filho, ao
casar,
Teve ajuda em moradia.
Cada terra que comprava,
Dizia nada ser dele.
Aos filhos que tanto
amava
Deu-lhes mais que teve ele.
Vencidas tantas agruras,
Deu conforto a muitos lares:
Trinta e duas
escrituras!
Quase duzentos hectares!
Fica a perpétua lembrança
De um notável vencedor.
Pelo exemplo e
pela herança
Foi o nosso Salvador.
(Agosto de 2025)