As origens de muitas tradições que caracterizam as celebrações
modernas do Natal perdem-se nos tempos. No entanto, é possível
identificar algumas raízes pagãs e romanas na festa católica do
natal.
Os povos primitivos tinham rituais marcados pelas estações do ano e
em Dezembro era a altura do solstício de Inverno, ou seja, o período
mais frio do ano chegava a meio e a partir daí os dias eram maiores
e mais quentes. Para comemorar essa data, era organizada uma grande
festa que poderia durar vários meses. Os países nórdicos vieram
acrescentar alguns traços importantes a essa celebração como a
figura do pai natal, cujas origens remontam a esse período.
A influência dos romanos faz-se sentir através de outra celebração
em honra do deus romano Saturno cujas festas eram um dos pontos
altos do ano. A bebida, a comida e os divertimentos abundantes
caracterizavam este período em que os rigores do Inverno eram
esquecidos por alguns dias.
A celebração religiosa do Natal só foi iniciada no século IV quando
o Papa Júlio I levou a cabo um estudo exaustivo sobre a data de
nascimento de Jesus Cristo e acabou por estabelecer oficialmente o
dia 25 de Dezembro para as comemorações. Posteriormente, outras
celebrações que tinham por base rituais pagãos ou romanos foram
adotadas e transformadas para se inserirem no âmbito das
comemorações cristãs.
Uma das tradições mais marcantes do natal é a Árvore de Natal. O
culto da natureza dos tempos pagãos está sem dúvida na origem da
celebração da árvore, embora esta só tenha sido adotada oficialmente
para as celebrações na Alemanha em 1539. Mais tarde a árvore passou
para todo o mundo, principalmente através dos casamentos celebrados
entre famílias reais e que levaram a uma propagação do costume a
outros países europeus e mais tarde ao resto do mundo através da
colonização.
O elemento religioso foi introduzido através da escolha de motivos
piedosos para a decoração das árvores como as velas (atualmente
luzes elétricas), os anjos e a estrela, que é costume colocar no
topo e que representa a Estrela de Belém que terá guiado os Reis
Magos. Na maioria dos países, a árvore utilizada é um abeto, uma
árvore de folha perene que se mantém viçosa no Inverno, mas em
Portugal, o pinheiro é mais utilizado por ser mais vulgar no nosso
tipo de clima.
O Pai Natal é uma figura importante em qualquer celebração de
Natal, e a sua origem é bastante antiga. Nos países nórdicos, era
costume alguém vestir-se com peles e representar o "Inverno". Essa
figura visitava as casas e ofereciam-lhe bebidas e comidas pois
acreditavam que se o tratassem bem a sorte iria abençoar a casa.
Mais tarde o Pai Natal, velhote, boêmio, alegre e robusto foi
associado à figura de São Nicolau. Este bispo turco teve um percurso
característico, tendo ajudado os pobres e as crianças,
oferecendo-lhes presentes e dinheiro. A sua generosidade deu origem
a lendas segundo as quais ele visitaria a casa das crianças no dia 6
de Dezembro para lhes deixar presentes.

Mais tarde, as duas figuras foram associadas, embora apenas no
século XIX é que tenha surgido uma imagem definida do Pai Natal. O
norte-americano Clement Moore escreveu um poema em 1822 intitulado
«Uma Visita de São Nicolau» em que descrevia em pormenor a figura e
desde então tem sido essa a imagem utilizada: um velhote gordinho e
alegre, que se desloca num trenó puxado por oito renas e que entra
em casa pela chaminé.
Um aspecto curioso da figura é que a cor definitiva dos trajes do
Pai Natal é bastante mais recente do que se imagina e tem uma origem
pouco ortodoxa. Nos anos 30 deste século, a Coca-Cola contratou um
publicitário para criar a imagem da marca para a campanha de
Inverno. Deste modo, as cores da empresa ficaram associadas para
sempre à figura do pai Natal, o encarnado e o branco.

Os presentes de Natal já se tornaram um ritual obrigatório. E
embora sejam apontados motivos religiosos para a oferta de prendas,
ela tem raízes mais antigas. Em Dezembro, estando já passada a
primeira metade dos rigores do Inverno, a celebração era pontuada
por um grande consumo de alimentos. Como cada agricultor tinha uma
especialidade própria, surgiu a tradição de trocar produtos de forma
a que todos pudessem consumir alguma variedade. Os romanos
reforçaram este hábito, aumentando o volume e valor das ofertas.
Mais tarde, os cristãos adotaram este costume, simbolizando a oferta
de presentes o altruísmo do ideal católico, patente nos presentes
trazidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus.

O presépio de Natal é uma tradição antiga, surgiu no século
XIII, e ainda hoje se cumpre na maior parte dos lares. As primeiras
imagens que representam a Natividade foram criadas em mosaicos no
interior das igrejas e templos, remontando ao século VI. São
Francisco começou a divulgar a idéia de criar figuras em barro que
representassem o ambiente do nascimento de Jesus. O primeiro
presépio foi construído por São Francisco em 1224, tendo sido
celebrada uma missa que foi descrita como tendo um ambiente
verdadeiramente divino. A partir dessa altura, a idéia foi-se
propagando para os conventos e casas nobres, onde as representações
se tornavam cada vez mais luxuosas.
Os cartões de Natal são outro dos aspectos importantes da
quadra natalícia e foi criado há relativamente pouco tempo. Foi um
inglês, Henry Cole, que foi responsável pela criação desta forma
original de enviar votos de boas festas pelo correio.
A inovação surgiu devido à substancial redução que os custos do
envio de correio sofreram em meados do século XIX. Desta forma, era
acessível a todos o envio das felicitações.
Embora a tradição religiosa tivesse demorado algum tempo a
habituar-se a este costume, ele é bastante popular hoje em dia.

Revista Rio Total