01/02/2026
Ano 29
Semana 1.493





ARQUIVO
FILMOSCÓPIO


 

















Jeanne Moreau,
a voz rouca que reinventou o cinema moderno


Daniel de Boni


Filha de um barman francês e de uma bailarina britânica, Jeanne Moreau decidiu tornar-se atriz contrariando a vontade do pai. Amparada pela mãe, buscou uma formação clássica no conservatório de Paris e passou pelo Teatro Nacional Popular. Aos 19 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a ingressar na prestigiada Comédie-Française. Mas logo ficou claro que sua verdadeira força se manifestaria no cinema, onde jamais se encaixaria nos moldes convencionais.

Sua consagração veio no final dos anos 1950, quando Louis Malle a dirigiu em “Ascensor para o Cadafalso (1958) e “Os Amantes” (1958), papel que a tornou um símbolo da modernidade. Em 1960, venceu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes por “Duas Almas em Suplício” e consolidou-se como a grande musa da Nouvelle Vague. Trabalhou com Michelangelo Antonioni em “A Noite” (1961), François Truffaut em “Jules e Jim” (1962) e foi dirigida por Orson Welles, que a considerava a maior atriz do mundo. Sua voz rouca, imortalizada na canção “Le Tourbillon” tornaram-se marcas definitivas de uma era.

Em 1973, Moreau interpretou o papel-título de “Joanna Francesa”, de Cacá Diegues, tendo sua voz foi dublada por Fernanda Montenegro. Atuou para gerações de diretores, incluindo Wim Wenders e François Ozon, dirigiu filmes, foi a única atriz a presidir duas vezes o júri do Festival de Cannes e recebeu um Oscar honorário, além de inúmeras homenagens em Cannes, Berlim e Veneza. Com mais de 130 filmes e ativa até os 87 anos, atravessou seis décadas de carreira provando que era muito mais que uma musa. Por trás da estrela, Jeanne Moreau era uma artista corajosa e multifacetada que deixou um legado inestimável para a história do cinema.





Pesquisa e redação: Daniel de Boni
Músico e criador do projeto Filmoscópio
https://www.facebook.com/filmmoscopio 
 

Direitos Reservados.
É proibida a reprodução deste artigo sem autorização do autor.



Direção e Editoria
Irene Serra
Revista Rio Total