Daniel de Boni
Filha de um barman francês e de uma bailarina
britânica, Jeanne Moreau decidiu tornar-se atriz contrariando a vontade do
pai. Amparada pela mãe, buscou uma formação clássica no conservatório de
Paris e passou pelo Teatro Nacional Popular. Aos 19 anos, tornou-se a pessoa
mais jovem a ingressar na prestigiada Comédie-Française. Mas logo ficou
claro que sua verdadeira força se manifestaria no cinema, onde jamais se
encaixaria nos moldes convencionais.
Sua consagração veio no final dos
anos 1950, quando Louis Malle a dirigiu em “Ascensor para o Cadafalso (1958) e
“Os Amantes” (1958), papel que a tornou um símbolo da modernidade. Em 1960,
venceu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes por “Duas Almas em Suplício” e
consolidou-se como a grande musa da Nouvelle Vague. Trabalhou com
Michelangelo Antonioni em “A Noite” (1961), François Truffaut em “Jules e
Jim” (1962) e foi dirigida por Orson Welles, que a considerava a maior atriz
do mundo. Sua voz rouca, imortalizada na canção “Le Tourbillon” tornaram-se
marcas definitivas de uma era.
Em 1973, Moreau interpretou o papel-título
de “Joanna Francesa”, de Cacá Diegues, tendo sua voz foi dublada por
Fernanda Montenegro. Atuou para gerações de diretores, incluindo Wim Wenders
e François Ozon, dirigiu filmes, foi a única atriz a presidir duas vezes o
júri do Festival de Cannes e recebeu um Oscar honorário, além de inúmeras
homenagens em Cannes, Berlim e Veneza. Com mais de 130 filmes e ativa até os
87 anos, atravessou seis décadas de carreira provando que era muito mais que
uma musa. Por trás da estrela, Jeanne Moreau era uma artista corajosa e
multifacetada que deixou um legado inestimável para a história do cinema.
Pesquisa e redação: Daniel de
Boni
Músico e criador do projeto Filmoscópio
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