16/12/2025
Ano 29
Semana 1.487





ARQUIVO
FILMOSCÓPIO


 




O homem que transformou um filme em esperança

Daniel de Boni


Naquela manhã fria de Nova York, enquanto as vitrines cintilavam com o brilho natalino, nos bastidores da 20th Century Fox a magia tomava outra forma. Edmund Gwenn, com seus olhar caloroso e sorriso gentil, não apenas interpretava Kris Kringle em De ilusão também se vive; ele era o próprio espírito de Natal, aquecendo corações mesmo fora das câmeras.

Quando o diretor George Seaton o viu em trajes de Papai Noel, não foi apenas uma escolha de elenco, mas uma revelação. Gwenn não era apenas um ator, mas uma centelha viva de esperança, fazendo até os mais céticos acreditarem. No frio da Quinta Avenida, onde a neve artificial caía, ele caminhava como quem trazia consigo um dom especial.

Para capturar a autenticidade da Parada de Ação de Graças da Macy’s, a produção filmou em meio ao desfile real de 1946. Catorze câmeras escondidas no meio da multidão flagravam as reações de surpresa do público que, sem saber, estava participando de uma obra inesquecível. E enquanto Gwenn sorria e acenava, o mundo real e o mágico se fundiam em uma só imagem.

No set, Gwenn vivia cada cena. Quando ria, era uma risada que ecoava por trás das câmeras. Ao consolar a pequena Susan, interpretada por Natalie Wood, havia uma doçura que transcendia o roteiro. Para Wood, então uma criança, ele era o Bom Velhinho. "Todos acreditávamos que Edmund era realmente o Papai Noel", diria, mais tarde, Maureen O'Hara.

Quando De ilusão também se vive estreou, trouxe ao mundo mais do que uma história de Natal — trouxe uma fagulha de esperança em tempos difíceis. Para quem esteve ali, envolto na aura mágica do set e nos sussurros trocados em segredo, não era apenas um filme; era um milagre artístico que eles ajudaram a criar.







Pesquisa e redação: Daniel de Boni
Músico e criador do projeto Filmoscópio
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Revista Rio Total