Daniel de BoniNaquela manhã fria de Nova York, enquanto
as vitrines cintilavam com o brilho natalino, nos bastidores da 20th Century
Fox a magia tomava outra forma. Edmund Gwenn, com seus olhar caloroso e
sorriso gentil, não apenas interpretava Kris Kringle em
De ilusão também
se vive; ele era o próprio espírito de Natal, aquecendo corações mesmo fora das
câmeras.
Quando o diretor George Seaton o viu em trajes de Papai Noel,
não foi apenas uma escolha de elenco, mas uma revelação. Gwenn não era
apenas um ator, mas uma centelha viva de esperança, fazendo até os mais
céticos acreditarem. No frio da Quinta Avenida, onde a neve artificial caía,
ele caminhava como quem trazia consigo um dom especial.
Para capturar a
autenticidade da Parada de Ação de Graças da Macy’s, a produção filmou em
meio ao desfile real de 1946. Catorze câmeras escondidas no meio da multidão
flagravam as reações de surpresa do público que, sem saber, estava
participando de uma obra inesquecível. E enquanto

Gwenn sorria e acenava, o
mundo real e o mágico se fundiam em uma só imagem.
No set, Gwenn vivia
cada cena. Quando ria, era uma risada que ecoava por trás das câmeras. Ao
consolar a pequena Susan, interpretada por Natalie Wood, havia uma doçura
que transcendia o roteiro. Para Wood, então uma criança, ele era o Bom
Velhinho. "Todos acreditávamos que Edmund era realmente o Papai Noel",
diria, mais tarde, Maureen O'Hara.
Quando
De ilusão também se
vive estreou, trouxe ao mundo mais do que uma história de Natal — trouxe
uma fagulha de esperança em tempos difíceis. Para quem esteve ali, envolto
na aura mágica do set e nos sussurros trocados em segredo, não era apenas um
filme; era um milagre artístico que eles ajudaram a criar.