João Batista nasceu no dia 24 de junho, seis meses antes de seu primo Jesus
Cristo, e morreu em 29 de agosto do ano 31 d.C., na Palestina. Foi degolado
por ordem de Herodes Antipas a pedido de sua enteada Salomé, pois a pregação
do filho de Santa Isabel e São Zacarias incomodava a moral da época. Antes
mesmo de Jesus, João Batista já pregava publicamente às margens do rio Jordão.
Ele instituiu, pela prática de purificação através da imersão na água, o
batismo, tendo inclusive batizado o próprio Cristo nas águas desse rio.

São João ocupa papel de destaque nas festas, pois, dentre os santos de junho,
foi ele quem deu ao mês o seu nome (mês de São João) e é em sua homenagem que
se chamam "joaninas" as festas realizadas no decurso dos seus trinta dias. O
dia 23 de junho, véspera do nascimento de São João e início dos festejos, é
esperado com especial ansiedade. Segundo Frei Vicente do Salvador, um dos
primeiros brasileiros a escrever a história de sua terra, já no ano de 1603 os
índios acudiam a todos os festejos portugueses, em especial os de São João,
por causa das fogueiras e capelas.
O dia da morte de um santo é geralmente comemorado na sua festa, com exceção
de Jesus, da Virgem Maria e de João Batista. A razão - na doutrina católica -
é que São João, como Jesus e a Virgem, foi purificado do pecado original antes
de seu nascimento.
São João é muito querido por todos, sem distinção de sexo nem de idade. Moças,
velhas, crianças e homens o fazem de oráculo nas adivinhações e festejam o seu
dia com fogos de artifício, tiros e balões coloridos, além dos banhos
coletivos de madrugada. Acende-se uma fogueira à porta de cada casa para
lembrar a fogueira que Santa Isabel acendeu para avisar Nossa Senhora do
nascimento do seu filho.

São João, segundo a tradição, adormece no seu dia, pois se estivesse acordado
vendo as fogueiras que são acesas para homenageá-lo não resistiria: desceria à
Terra e ela correria o risco de incendiar-se.
A lenda do surgimento da
fogueira de São João
Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso,
costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e
aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que
se chamaria João Batista.
Nossa Senhora então perguntou:
- Como poderei saber do nascimento dessa criança?
- Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e
saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre
ele.
Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma
fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou
o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da
religião católica. Isso se deu no dia 24 de junho.
A lenda das bombas de
São João
Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não
ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz
misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai.
A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em
diante. No dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança
se chamaria. Fazendo um grande esforço, ele respondeu "João" e a partir daí
recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Foram vivas para todos os
lados.
Vem daí o costume das bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte
dos festejos juninos.
Simpatias, sortes e
adivinhas para São João
A moça deve
apanhar pimentas num pé de pimenteira com os olhos vendados. Caso ela colha
pimenta verde, seu noivo será jovem; se for madura, o casamento será com um
velho ou viúvo; se a pimenta for de verde para madura, o casamento será com um
homem de meia-idade.
Aplicar um jejum
forçado a um galo por três dias. À noite, no terreiro iluminado, colocar
montículos de milho nos pés de moços e moças, que devem ter formado uma grande
roda. Soltar, então, o galo faminto no centro. O montículo de milho escolhido
pelo galináceo será daquele(a) que se casará em breve.
Passar descalço
sobre as brasas da fogueira com uma faca nova na mão. A seguir, enfiar a faca
numa bananeira. No outro dia, pela manhã, retirá-la e interpretar o desenho,
ou melhor, as iniciais do nome da pessoa com quem vai se casar.
Na noite de São
João, escrever o nome de quatro pretendentes em cada ponta do lençol e dar um
nó em cada uma delas. De manhã, o nó que estiver desmanchado tem o nome
daquele com quem a pessoa vai se casar.
No dia de São
João, perguntar o nome do primeiro mendigo que lhe pedir esmolas. Esse será o
nome do futuro cônjuge.
Na noite de São
João, encher uma bacia com água e ir com ela para a beira da fogueira. Rezar
então uma Ave-Maria e, quando terminar, aparecerá na água a sombra do rapaz
com quem a moça se casará.
Escrever três
nomes em pedaços de papel. Dobrá-los bem e colocar, aleatoriamente, um no
fogão, outro na rua e o último sob o travesseiro. Ao amanhecer, desdobrar o
que está sob o travesseiro; esse será o futuro cônjuge.
Na noite de São
João, passar um ramo de manjericão na fogueira e jogá-lo no telhado. Se na
manhã seguinte ele estiver verde, a pessoa vai se casar com moço. Se estiver
murcho, o noivo será velho.
Ainda ao pé da
fogueira, segurar um papel branco e passá-lo por cima da fogueira. Sem deixar
o papel queimar, girá-lo enquanto se reza uma Salve-Rainha. A fumaça vai
desenhar o rosto do futuro marido.
Na noite de 23 de
junho, quebrar um ovo dentro de um copo e deixá-lo ao relento. Na manhã
seguinte, interpretar o que está desenhado na clara: torre de igreja é
casamento (em algumas regiões do Brasil) ou ingresso na vida religiosa
(Maranhão); túmulo, caixão de defunto ou rede de defunto significa morte na
certa em algumas regiões; em outras, a rede também pode ser interpretada como
renda, de que é feito o véu de noiva; significa, portanto, casamento.
Encher uma bacia
ou prato virgem com água e levá-la para a beira da fogueira na noite de São
João. Acender então uma vela e, enquanto se vai rezando uma Ave-Maria, deixar
os pingos da cera caírem na água. Depois é só interpretar a inicial do nome da
pessoa com quem vai se casar.
Pôr três pratos
sobre uma mesa: um com flores, outro com água e o terceiro com um terço ou
rosário. Os candidatos à sorte entram na sala com os olhos vendados e
postam-se atrás das cadeiras à frente das quais estão os pratos. As flores
significam casamento; o terço, ingresso na vida religiosa; a água, viagem.
Esta é uma sorte característica de regiões marítimas ou fluviais.
Quando estiverem
soltando um balão, pensar em algo que se deseja. Se ele subir, acontecerá o
que se pensou; caso se incendeie, certamente o ?sorteiro? ficará solteiro.
Prender uma fita
no travesseiro e rezar para São João. No outro dia, se ela aparecer solta é
porque a pessoa vai se casar.
Numa bacia com
água, colocar duas agulhas. Se elas se juntarem, é sinal de que a pessoa deve
se casar em breve.
Às 6 da tarde da
véspera de São João, pôr um cravo num copo com água. Na manhã seguinte, se ele
estiver viçoso, é sinal de casamento; se estiver murcho, nada de casamento.
Para curar
verrugas, passar sobre elas o primeiro ramo que encontrar ao clarear o dia de
São João.
À meia-noite de
São João, aquele que não enxergar sua imagem completa no rio morrerá logo.
Quem enxergar seu corpo apenas pela metade morrerá no decorrer do ano.

Fontes: Inúmeras, entre elas "De Festas Juninas, Festas de São João
- Origens,
Tradições e Histórias",
da antropóloa Lúcia Helena Vitalli Rangel.
Cedido pela autora.
