|

Conta Frazer que, no início do século XX, na Sardenha, os jardins de
Adônis ainda eram plantados na festa do solstício de verão, que lá tem o
nome de festa de São João:
"No final de março ou 1º de abril, um jovem da
aldeia se apresenta a uma moça, pede-lhe para ser a sua comare (comadre ou
namorada) e oferece-se para ser o seu compare. O convite é considerado
como honra pela família da moça e aceito com satisfação. No fim de maio, a
moça faz um vaso com a casca de um sobreiro, enche-o de terra e nele
semeia um punhado de trigo e cevada. Como o vaso é colocado ao sol e
regado com frequência, os grãos brotam com rapidez e, na véspera do
solstício (véspera de São João, 23 de junho), já está bem desenvolvido.
[...]
No dia de São João, o rapaz e a moça, vestidos com suas melhores
roupas, acompanhados por uma grande comitiva e precedidos de crianças que
correm e brincam, vão em procissão até uma igreja da aldeia. Ali quebram o
vaso, lançando-o contra a porta do templo. Sentam-se em seguida em círculo
na grama e comem ovos e verduras ao som da música de flautas. O vinho é
misturado numa taça servida a todos, que dela vão bebendo, passando-a
adiante. Em seguida dão-se as mãos e cantam 'Namorados de São João'
(Compare e comare di San Giovanni) várias vezes, enquanto as flautas tocam
durante todo o tempo. Quando se cansam de cantar, levantam-se e dançam
alegremente em círculo até a noite" (Frazer, 1978, p. 133).
Outro aspecto que aproxima a festa de São João às de Adônis e Tamuz é o
costume de tomar banhos no mar, em rios, nascentes ou no sereno na noite
da véspera.

Fonte: "De Festas Juninas, Festas de São João - Origens,
Tradições e Histórias", da antropóloga Lúcia Helena Vitalli Rangel.
Cedido pela autora.
|