|
A fé acima de tudo
Rabino Efraim Laniado
Era
muito comum, antigamente, que a nação que dominasse uma região impusesse sua
fé e religião aos vencidos, não lhes permitindo viver de acordo com seus
princípios e crenças. Inúmeras vezes os judeus foram forçados a aceitar o
cristianismo, por exemplo, afastando-se de seu Criador.
No início do
século VI, vivia rabi Amnom de Maguentsa. Rico e carismático, era um dos
líderes da comunidade judaica e, por causa de sua posição e prestígio, o
bispo da região tentou convencê-lo a abandonar o judaísmo e converter-se ao
cristianismo. No que foi, várias vezes, recusado. Um dia, porém, após forte
pressão, o rabino disse que pensaria sobre o assunto, dando uma resposta em
três dias.
Rabi Amnon jamais tivera intenção de se converter, porém
queria que o deixassem em paz. No entanto, ao retornar para sua casa,
percebeu que, com suas palavras, colocara sua fé em dúvida apenas por ter
dito que pensaria e se aconselharia sobre o assunto. Era como se estivesse
deixando em aberto a possibilidade de abandonar o D'us único.
O rabi,
então, recusou-se a comer e a beber, e adoeceu. Nem as palavras de seus
amigos e parentes, que vinham visitá-lo, conseguiam consolá-lo. A todos
dizia que, por causa de suas palavras, desceria ao abismo, e chorava,
entristecendo-se e adoecendo cada vez mais.
Passados os três dias, o
bispo mandou chamá-lo, porém rabi Amnon recusou-se a ir. O bispo enviou
novos emissários e, mais uma vez, ele não acatou as ordens. Finalmente, o
bispo ordenou: "Tragam-no à força". E assim foi feito.
Ao
encontrar-se frente a frente com o rabi, o bispo perguntou-lhe: "Então,
Amnon, por que você não compareceu, findo o prazo estipulado, para, me dar
uma resposta?" E o rabi respondeu: "Vou dizer-lhe apenas o que mereço, sem
nenhuma outra explicação. A língua que lhe mentiu, deve ser cortada". Com
estas palavras, rabi Amnon queria santificar o nome de D'us e punir-se por
ter proferido as palavras erradas.
O bispo, por sua vez, retrucou:
"Não, a língua não cortarei, pois falou adequadamente. Mas as pernas que não
vieram a mim no prazo estipulado, estas, sim, cortarei e o resto de seu
corpo farei sofrer". E assim aconteceu. O perverso bispo ordenou que
cortassem os dedos de suas mãos e de seus pés. E a cada dedo extirpado,
perguntava-lhe: "Amnon, você quer reconhecer a fé cristã?" E a resposta era
sempre a mesma: "Não".
Ao final do castigo, foi colocado em uma cama,
com todos os dedos ao seu lado e, então, enviado para casa.
Por ter
acreditado em D'us, ele se chama rabi Amnon - aquele que acreditou (Heemin)
no Criador e passou por grandes sofrimentos pela sua fé, aceitando-os com
amor. Sofrimentos que enfrentou por ter falado de forma duvidosa sobre sua
crença.
Durante as comemorações de Rosh Hashaná, rabi Amnon pediu à
família que o levasse à sinagoga, com todos os seus dedos cortados, e que
fosse colocado ao lado do chazan. E assim aconteceu.
Quando chegou o
momento da kedushá, o rabi pediu ao chazan que o deixasse santificar o
Criador. E disse: "Então, ao Senhor subirá a santificação, ou seja, que
santifiquei o Teu nome por Teu reinado e Unicidade", acrescentando "Unatanê
Tokef Kedushat Hayom", que significa "dada à intensidade da santidade este
dia".
E continuou a prece, dizendo: "Verdade que o Senhor é o juiz e
o Senhor pune". Com estas palavras, rabi Amnon reconheceu mais uma vez o
D'us de Israel, aceitando sobre si o seu destino. "Cada pessoa assina e sela
o seu destino, D'us julga e se lembra de todas as criaturas". Ao terminar
esta oração, faleceu. Os presentes então recitaram "grande e bom é o destino
que o Senhor reservou para os que O temem". (Salmos XXXI).
Três dias após
a sua morte, rabi Amnon apareceu no sonho de rabi Kalonimus, filho de rabi
Meshulam, e ensinou-lhe a oração Unetanê Tokef Kedushat Hayom, ordenando-lhe
que a enviasse às diversas comunidades judaicas da diáspora como testemunho
e lembrança de sua fé. E assim foi feito.
Atualmente, graças a D'us,
o relacionamento entre os povos modificou-se. A opressão do passado cedeu
lugar ao entendimento, dando a todos o direito de viver de acordo com sua
vontade, seguir sua fé e servir ao Criador com liberdade.
Em razão de
todos estes benefícios, neste Dia do Julgamento, devemos fazer um balanço da
nossa vida e preservar acesa a chama do povo de Israel. Tal conduta servirá
de exemplo aos nossos filhos, estimulando-os a continuar no caminho dos
nossos antepassados. Que possamos ter um ano feliz, cheio de saúde e
prosperidade!
Fonte: Morashá Enviado por Leon M.Mayer

Direção e Editoria
Irene Serra

|