01/08/2026
Ano 30
Semana 1.517



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No compasso

do coração
















Vacinas também protegem o coração



Dra. Luciana Vieira Machado Pereira

Quando pensamos em vacinas, geralmente lembramos da prevenção de doenças infecciosas, como gripe, COVID-19 ou pneumonia. O que muitas pessoas não sabem é que manter a vacinação em dia também pode reduzir o risco de complicações cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e descompensação da insuficiência cardíaca.

Essa relação pode parecer surpreendente à primeira vista, mas faz todo sentido do ponto de vista clínico.

Como uma infecção pode afetar o coração?

Durante uma infecção, o organismo entra em um estado de intensa inflamação. O sistema imunológico libera diversas substâncias que ajudam a combater vírus e bactérias, mas que também aumentam o estresse sobre o sistema cardiovascular.

A febre aumenta a frequência cardíaca; o organismo passa a consumir mais oxigênio e a pressão arterial pode sofrer alterações importantes. Além disso, a inflamação torna as placas de gordura presentes nas artérias mais instáveis, favorecendo sua ruptura e a formação de trombos — principal mecanismo responsável pelo infarto e por muitos casos de AVC.

Em pessoas que já têm hipertensão, diabetes, doença coronariana ou insuficiência cardíaca, esse processo representa um risco ainda maior.

A vacina reduz esse risco

Ao prevenir infecções ou diminuir sua gravidade, as vacinas evitam justamente esse processo inflamatório intenso.

Diversos estudos demonstram que a vacinação contra influenza (gripe) está associada à redução de eventos cardiovasculares graves, especialmente em pacientes com doença cardíaca já estabelecida. Em alguns grupos de maior risco, o benefício chega a ser comparável ao de outras medidas tradicionais de prevenção cardiovascular.
Também há evidências de que a vacinação contra COVID-19 reduziu significativamente as complicações cardíacas associadas à infecção, como miocardite viral, arritmias, insuficiência cardíaca e eventos trombóticos decorrentes da própria doença.

Mais recentemente, vacinas contra pneumococo e herpes-zóster também passaram a integrar as estratégias de prevenção para adultos, especialmente idosos e pacientes com doenças crônicas, contribuindo para reduzir hospitalizações e complicações que podem impactar o sistema cardiovascular.

Quem deve ter atenção especial?

Embora a vacinação seja importante para toda a população, alguns grupos merecem cuidado redobrado:

• Pessoas com hipertensão arterial;
• Pacientes com histórico de infarto ou AVC;
• Portadores de insuficiência cardíaca;
• Diabéticos;
• Pessoas com doença renal crônica;
• Idosos;
• Pacientes imunossuprimidos.

Para esses indivíduos, uma infecção aparentemente simples pode desencadear complicações importantes.

Um cuidado que vai além da prevenção de infecções

A prevenção cardiovascular é construída diariamente por meio de hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do colesterol, da pressão arterial e do diabetes, abandono do tabagismo e acompanhamento médico.

Hoje sabemos que manter o calendário vacinal atualizado faz parte desse conjunto de cuidados.

Vacinar-se não significa apenas evitar uma gripe ou uma pneumonia. Em muitos casos, significa também proteger o coração, reduzir o risco de hospitalizações e preservar a qualidade de vida.

A mensagem final

Durante muitos anos, as vacinas foram vistas exclusivamente como ferramentas para prevenir doenças infecciosas. A ciência moderna ampliou essa visão.

Cuidar do coração também passa pela prevenção das infecções. Por isso, converse com seu médico sobre quais vacinas são recomendadas para a sua idade e para suas condições de saúde. Manter a carteira de vacinação atualizada pode ser uma das atitudes mais simples — e mais eficazes — para proteger não apenas a sua saúde, mas também o seu coração."

Dra. Luciana Vieira
Cardiologista
CRMMG 26.571 - RQE 24.633



Direção e Editoria
Irene Serra