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Vacinas também protegem o coração

Dra. Luciana Vieira Machado Pereira
Quando pensamos em vacinas, geralmente lembramos da prevenção de doenças
infecciosas, como gripe, COVID-19 ou pneumonia. O que muitas pessoas não sabem é
que manter a vacinação em dia também pode reduzir o risco de complicações
cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e
descompensação da insuficiência cardíaca.
Essa relação pode parecer
surpreendente à primeira vista, mas faz todo sentido do ponto de vista clínico.
Como uma infecção pode afetar o coração?
Durante uma infecção,
o organismo entra em um estado de intensa inflamação. O sistema imunológico
libera diversas substâncias que ajudam a combater vírus e bactérias, mas que
também aumentam o estresse sobre o sistema cardiovascular.
A febre
aumenta a frequência cardíaca; o organismo passa a consumir mais oxigênio e a
pressão arterial pode sofrer alterações importantes. Além disso, a inflamação
torna as placas de gordura presentes nas artérias mais instáveis, favorecendo
sua ruptura e a formação de trombos — principal mecanismo responsável pelo
infarto e por muitos casos de AVC.
Em pessoas que já têm hipertensão,
diabetes, doença coronariana ou insuficiência cardíaca, esse processo representa
um risco ainda maior.
A vacina reduz esse risco
Ao prevenir
infecções ou diminuir sua gravidade, as vacinas evitam justamente esse processo
inflamatório intenso.
Diversos estudos demonstram que a vacinação contra
influenza (gripe) está associada à redução de eventos cardiovasculares graves,
especialmente em pacientes com doença cardíaca já estabelecida. Em alguns grupos
de maior risco, o benefício chega a ser comparável ao de outras medidas
tradicionais de prevenção cardiovascular. Também há evidências de que a vacinação contra COVID-19
reduziu significativamente as complicações cardíacas associadas à infecção, como
miocardite viral, arritmias, insuficiência cardíaca e eventos trombóticos
decorrentes da própria doença.
Mais recentemente, vacinas contra
pneumococo e herpes-zóster também passaram a integrar as estratégias de
prevenção para adultos, especialmente idosos e pacientes com doenças crônicas,
contribuindo para reduzir hospitalizações e complicações que podem impactar o
sistema cardiovascular.
Quem deve ter atenção especial?
Embora a
vacinação seja importante para toda a população, alguns grupos merecem cuidado
redobrado:
• Pessoas com hipertensão arterial; • Pacientes com histórico de infarto ou
AVC; • Portadores de insuficiência cardíaca; • Diabéticos; • Pessoas
com doença renal crônica; • Idosos; • Pacientes imunossuprimidos.
Para esses indivíduos, uma infecção aparentemente simples pode desencadear
complicações importantes.
Um cuidado que vai além da prevenção de
infecções
A prevenção cardiovascular é construída diariamente por
meio de hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física regular,
controle do colesterol, da pressão arterial e do diabetes, abandono do tabagismo
e acompanhamento médico.
Hoje sabemos que manter o calendário vacinal
atualizado faz parte desse conjunto de cuidados.
Vacinar-se não significa
apenas evitar uma gripe ou uma pneumonia. Em muitos casos, significa também
proteger o coração, reduzir o risco de hospitalizações e preservar a qualidade
de vida.
A mensagem final
Durante muitos anos, as vacinas
foram vistas exclusivamente como ferramentas para prevenir doenças infecciosas.
A ciência moderna ampliou essa visão.
Cuidar do coração também passa pela
prevenção das infecções. Por isso, converse com seu médico sobre quais vacinas
são recomendadas para a sua idade e para suas condições de saúde. Manter a
carteira de vacinação atualizada pode ser uma das atitudes mais simples — e mais
eficazes — para proteger não apenas a sua saúde, mas também o seu coração."
Dra. Luciana Vieira Cardiologista CRMMG 26.571 - RQE 24.633

Direção e Editoria
Irene Serra
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