16/01/2026
Ano 29
Semana 1.491




ARQUIVO
No compasso

do coração
















Medir é cuidar


 

Dra. Luciana Vieira Machado Pereira

Números na cardiologia não são apenas estatísticas — são ferramentas essenciais para compreender, prevenir e tratar doenças cardiovasculares. A prática cardiológica se apoia fortemente em valores objetivos: pressão arterial, frequência cardíaca, fração de ejeção, níveis de colesterol, circunferência abdominal, IMC, score de cálcio coronariano, entre muitos outros. Cada número conta uma história sobre o risco, o prognóstico e a evolução do paciente.

A pressão arterial, por exemplo, é um dos marcadores mais poderosos. Saber interpretar 120×80 mmHg ou 150×95 mmHg muda completamente a conduta e o risco cardiovascular estimado. A frequência cardíaca também fala alto: valores persistentemente acima de 90 bpm podem indicar estresse físico, condições hormonais ou doenças subjacentes. Já a fração de ejeção, expressa em porcentagem, traduz a capacidade de bombeamento do coração e impacta diretamente o diagnóstico de insuficiência cardíaca.

No campo metabólico, colesterol LDL, HDL, triglicerídeos e glicemia definem estratégias de prevenção e determinam o grau de agressividade terapêutica. Mais recentemente, scores como o CAC (Coronary Artery Calcium) e algoritmos de estratificação ajudam a quantificar risco de forma precisa.

Em cardiologia, medir é cuidar. Os números orientam decisões, monitoram resultados e permitem intervenções precoces capazes de salvar vidas. Entender esses valores empodera médicos e pacientes a caminharem juntos rumo a um coração mais saudável.

Entretanto, considerar os números de forma isolada não é o ideal. Cifras, valores e números são dados que complementam o quadro clínico. Assim, o dado numérico não deve ser avaliado isoladamente e sim dentro da avaliação clínica daquele determinado paciente.

Dra. Luciana Vieira Machado Pereira
Cardiologia
CRMMG 26.571 - RQE 24.633



Direção e Editoria
Irene Serra