Literatura

AÇÕES DOS HOMENS EM SOCIEDADE - Conhecer os amigos do outro -
Elogia alguém na presença de outro. Se este último ficar em
silêncio, é porque não é amigo do primeiro. Assim como procurar levar a
conversa para outro assunto, responder com desdém, procurar temperar teu
elogio, dizer-se mal informado, ou, enfim, começar a elogiar outras pessoas.
Podes também fazer alusão a uma de suas proezas, proeza bem conhecida de
teu interlocutor, e verás se ele procura valorizar ou não o feito. Talvez
ele venha a dizer que o homem em questão teve sorte, que a Divina
Providência é excessivamente pródiga de seus favores, e exaltará proezas
ainda mais notáveis realizadas por outras pessoas. Ele pretenderá ainda que
teu homem nada mais fez que seguir os conselhos de um outro.
Ou,
ainda, envia-lhe uma carta na qual te dizes recomendado por aquele de quem
supões que ele é amigo, para pedir-lhe que te confie um segredo; verás então
claramente seus sentimentos. Saúda-o da parte deste suposto amigo ou
dize-lhe que recebeste más notícias a respeito do amigo, e observa a reação
dele.
Breviário dos Políticos - escrito pelo Cardeal Mazarin é parte integrante do livro Conselhos aos Governantes publicado pelo Senado Federal e organizado por Walter Costa Porto. Teve a tradução do francês para o português feita por Roberto Aurélio Lustosa da Costa.
CARDEAL MAZARIN
Giulio Raimondo Mazzarino, ou Jules Mazarin, nasceu em Pescina, Itália, em 14 de julho de 1602.
Aluno dos jesuítas, em Roma, estudou Direito em Alcalá e Madri, na Espanha e, de volta a Roma, em 1624, ingressa no serviço militar do Papa.
Nomeado, pela Santa Sé, vice-legado em Avignon, em 1634, e núncio em Paris, em 1635-6, Richelieu o convoca para o serviço de Luís XIII. Em 1639 alcança a cidadania francesa e, por influência de Richelieu, torna-se cardeal.
Com a morte de Richelieu, Mazarino o sucede, como primeiro-ministro.
Quando morreu em 1661, teria ele, segundo seus biógrafos, concretizado grande parte dos objetivos propostos por Richelieu: a modernização do estado, a restauração do absolutismo, a subjugação da nobreza, a derrota dos Habsburgos e o restabelecimento dos Pirineus e do Reno como as fronteiras naturais da França.
Para Roberto Aurélio Lustosa da Costa, tradutor deste Breviário dos Políticos, sucedem-se, no texto, "momentos de melancolia, cinismo e indiferença, quanto a qualquer valor de ordem moral, só importando a busca perseverante e incansável do poder e de sua sustentação e manutenção".
Direção e Editoria
Irene Serra
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